sexta-feira, 27, novembro, 2020
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Crítica | Never Have I Ever – 1ª Temporada

Série mescla comédia, drama e romance tem uma pitada de ousadia e surpreende do começo ao fim

Recentemente disponível no catálogo da Netflix, a série Never Have I Ever, conhecida no Brasil como Eu nunca…, é uma produção engraçada que aborda as vivencias pessoais de uma adolescente indiana que vive nos Estados Unidos com sua mãe e tem que lidar com o trauma da morte de seu pai, além de uma paralisia, aparentemente causada por seu estresse com a perda.

De início, a trama parece bem parada e superficial focando em clichês como rivalidades entre colegas de classe, sexualidade, rebeldia, fofocas e mentiras. Apesar disso, traz um pouco da cultura indiana, crenças e costumes. E no decorrer da trama, ela consegue pegar o embalo que faltava no inicio e faz com que a gente queira mais.

A trama acompanha Devi (Maitreyi Ramakrishnan), descendente de indianos. Ela sente que não se encaixa em nenhum grupo de sua escola e se sente estranha quanto a organização de sua família. Após a morte de seu pai, que sofreu um ataque do coração, as coisas ficaram mais sérias. Saindo do susto inicial, ela decide que quer “uma vida” a partir de agora diferente, quer deixar de ser virgem. Na verdade, é tudo que ela pensa. E a partir daí as coisas começam a ficar interessantes. 

O trio é composto por Devi, Fabiola (Lee Rodriguez) e Eleanor (Ramona Young). Fabiola, por exemplo, é uma gênia da tecnologia e se questiona quanto a sua sexualidade e não sabe muito bem como lidar com isso. Já Eleanor, tem o sonho de ser atriz e tem talento para o teatro e pretende seguir os passos da mãe que é performer. Ben (Jaren Lewison), é o colega rival de Devi e juntos competem a todo momento, no entanto por trás da fama de garoto rico, o jovem Ben é triste e solitário. Por fim, temos o garotão dos sonhos de Devi. Estamos falando do jovem atleta, lindo e às vezes sem noção, o Paxton (Darren Barnet), que parece inalcançável, mas entre umas mentiras contada por Devi, eles acabam construindo uma relação.

Saindo do ambiente escolar, somos apresentados a Nalini (Poorna Jagannathan), que é a mãe de Devi e tia de Kamala, e é uma médica e uma mãe rígida, mas por trás de um jeito durão, ela sente muito pela perda de seu marido. A prima de Devi, Kamala (Richa Moorjani), que é linda, inteligente e foi para os EUA para estudar e como as outras personagens tem a sua própria luta. Dra. Ryan (Niecy Nash), que é a terapeuta de Devi, uma mulher inteligente e em muitos episódios passa a impressão de equilíbrio da série. Há momentos hilários com o professor de história Sr. Shapiro (Adam Shapiro), que tenta inspirar seus alunos, mas faz isso de um modo peculiar e cheio de piadas erradas, e com a diretora Grubbs (Cocoa Brown), que lida com dramas adolescentes com muito sarcasmo e impaciência.

No decorrer da trama, Devi mostra estar perdida dentro de sim mesma e nem sempre sabe o que quer ao certo. Devido a sua perda, a morte de seu pai, a protagonista erra, briga com as melhores amigas sem intenção, não sabe lidar com suas emoções e sua paixão platônica por Paxton. Assim, acaba se envolvendo em inúmeros problemas. Porém todo esse conflito em que a jovem enfrenta, é para fugir dos seus reais problemas. E na busca por essa autodescoberta, a trama desenrola outras histórias como a de Fabiola, que consegue se encontrar na série, se assumindo lésbica e reconhece que tem mais apoio do que realmente achou que teria e tem ajuda de sua grande amiga Eleanor e de outros estudantes que são do grupo LGBT, ela consegue ser quem realmente quer ser. 

Já Eleanor tem uma grande decepção com a mãe e isso acaba fazendo com que a alegre personagem deixe de querer ser colorida e passa a encarar uma jornada cinza, que acaba se reencontrando no fim da série. Kamala, retratada como a mulher perfeita esconde um segredo que inicialmente ela acreditava estar a salvo, mas não. E o que ela tanto temia, o casamento arranjado – costume da cultura indiana -, se torna algo surpreendente. E Nalini toma duas grandes decisões que serão o divisor de águas na reta final da temporada.

A série é inspirada no texto e nas vivencias pessoais de Mindy Kaling, nome de sucesso de Hollywood e conhecida pelos trabalhos em The Office, Uma Dobra no Tempo (2018) e Oito Mulheres e um Segredo (2018). Com cocriação de Lang Fisher, famosa por Brooklyn Nine-Nine e Projeto Mindy (protagonizada por Kaling), a série ganha discussões muito interessantes que são muito atuais como a orientação sexual, o preço do luxo é a ausência do verdadeiro amor e outras questões que são abordadas com sutileza, humor e que acaba trazendo uma identificação do telespectador.

Ao longo de 10 episódios de duração média de 30 minutos, a mais nova produção da Netflix aposta num diferencial. Todos os episódios são narrados e conta com a participação do tenista John McEnroe e Andy Samberg, o Jake Peralta de Brooklyn Nine-Nine. O roteiro é bem escrito e conta com tramas paralelas e os recursos visuais são um atributo à parte, abusando de muitos flashbacks que acabam confundindo ainda mais a cabeça e as emoções de Devi, os personagens tem uma boa interação e são cativantes. Por fim, uma boa trilha sonora fez falta, mas o que foi entregue é suficiente para entregar uma história engraçada e bem desenvolvida.

Nota do Thunder Wave
É um desafio abordar muitos temas em 10 episódios e ainda assim entregar uma produção divertida e inspiradora. A série consegue esse feito.

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