quinta-feira, 24, junho, 2021
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Crítica | “O Amor dá Trabalho” de Leandro Hassum

Por Filipe Gomes

O Amor dá Trabalho é a mais nova comédia “romântica” de Leandro Hassum que chega aos cinemas brasileiros este mês e este que vos escreve adverte, é um filme com uma premissa interessante, porém que se desenvolve com a mesma fórmula brasileira de filmes de comédia .

Logo ao início temos uma introdução à quem seria o personagem interpretado por Hassum em uma divertida animação onde ele acorda como todo brasileiro médio que tem de ir trabalhar cedo e pega transporte público lotado e fica mexendo no celular enquanto uma senhora de idade aparece para se sentar e a pessoa não dá lugar. E logo temos a transição para o filme de fato, onde o protagonista chega para trabalhar em um órgão de repartição pública.

O começo do filme é realmente divertido, pois mostra um aspecto da realidade brasileira através de uma sátira – esteriotipada, evidentemente – e que depois desboca-se na trama principal, que se trata de o protagonista sofrer um “acidente” e morrer em serviço, a partir daí ele precisa cumprir um trabalho que o mundo dos mortos o concede para que não seja enviado ao inferno, provando seu valor como uma boa pessoa. E, para isso, ele precisa fazer um casal interpretado por Flávia Alessandra e Bruno Garcia ficar junto após 12 anos separados por motivos que não convém serem relatados aqui, do contrário seriam spoilers.

Certo, temos uma premissa interessante, um elenco interessante também, o que falta agora?

Bem, eu diria que o filme se prendeu muito mais em tentar parecer engraçado do que propriamente o ser.

Veja, o filme tem momentos divertidos, tem piadas que se encaixam ao contexto e que te fazem dar uma boa gargalhada, entretanto a grande maioria das piadas são exageradas, não porque sejam ofensivas nem nada do tipo, mas porque são feitas em momentos que não se encaixam. Por exemplo, há um momento em que o casal está tendo uma cena dramaticamente interessante, mas temos o momento de súbito quebrado por um comentário de Hassum que parece ter vindo de um improviso do momento do que do roteiro em si. Outros momentos em que a reação de um personagem a determinado acontecimento deveria ser de extremo pânico e na realidade o que temos é a mera expressão de quem não está entendendo o que acontece, isto, pra quem é mais atento, acaba por incomodar um pouco.

Mas que o leitor não se apresse em pensar que o filme é só mais uma produção comum, de fato ele tem um desenvolvimento comum à toda produção brasileira B, entretanto, não posso deixar de ressaltar alguns pontos positivos pra edição do filme que está coesa e com o aspecto técnico muito bem produzido, a fotografia chega a nos lembrar de algum desenho animado engraçado e temos até uma cena em computação gráfica que, embora modesta, está muito bem feita, principalmente no momento em que ela interage com o protagonista. A construção de cenário do “mundo espiritual” também está muito bem feita, diga-se de passagem e é claro, você consegue discernir ali o que é computação gráfica e o que não é, entretanto você não pode negar que está bem feita mesmo sendo de forma tão modesta. E antes que eu me esqueça de mencionar, há uma cena que realmente é divertida onde o protagonista se reúne com todas as divindades das crenças humanas em uma sala de julgamento onde temos a presença de alguns rostos conhecidos, como Murilo Couto e Dani Calabresa (que também participaram da comédia engraçadíssima de Danilo Gentilli “Os Exterminadores do Além contra a Loira do Banheiro”), que em aspectos visuais está muito bem trabalhada também.

Crítica | "O Amor dá Trabalho" de Leandro Hassum 1

No fim das contas, o Amor dá Trabalho começa com uma premissa interessante, mas que se deixa levar pelo mesmo problema que encontramos nos filmes brasileiros atuais, salvo raras exceções, ele não se arrisca à ser mais do que poderia ser, aí podem falar “mas tem de ver que o orçamento do filme era somente suficiente para aquilo”, ora, então que fizessem um roteiro mais elaborado em termos de história, porque no fim das contas ele tenta surpreender o público com uma reviravolta que acaba por se tornar previsível desde a metade do filme e que ao fim do filme o público já sabe o que vai acontecer daí pra frente. Entenda, o filme é divertido, sim, já disse isso, mas é um filme com potencial para ser divertido ao extremo, já que mexe com essa coisa de espiritualismo e até mesmo faz umas tiradas com a moda do veganismo.

Em suma, O Amor dá Trabalho é uma obra para você assistir quando estiver querendo ver algo diferenciado em termos de efeitos visuais em filmes, mas o filme em termos de roteiro se perde na mesma fórmula de comédia B que o Brasil precisa abandonar se quiser começar a emplacar seu cinema pra valer.

Nota:  3 de 5

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