sexta-feira, 24, setembro, 2021

Crítica | O Buscador

O Buscador é um filme diferente e que chega em um ótimo momento, ao trazer discussões do que são os valores em tempos de tecnologia e mudanças sociais.

Isabela (Mariana Molina) é filha de um poderoso político e cresceu cercada de luxos e regalias. Em seu processo de amadurecimento, se apaixona por Giovanni (Pierre Santos), líder de uma comunidade alternativa que prega o amor livre. Isabela abandona sua vida de conforto para construir uma vida diferente e, após quatro anos longe de casa, tenta uma reaproximação com a família, descobrindo que seu pai está envolvido em um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil. Impactada pela situação, ela terá que enfrentar os fantasmas de seu passado.

Pode-se afirmar que a sinopse não faz justiça ao filme de Bernardo Barreto. O Buscador é um longa que vai além da corrupção e de um dia “entre família”. Com uma única câmera para ser usada durante toda a narrativa, o longa é uma verdadeira avalanche de discussões sociais e familiares.

A câmera segue os personagens e um dia incomum, onde o patriarca está sendo acusado de corrupção e seus filhos, neto, nora e genro, chegam para passar o Dia dos Pais. Só que o que pode parecer algo chato ou até mesmo uma cópia de outras obras que utilizam do mesmo recurso do chamado “plano sequência”, esta câmera é o espectador nesta reunião familiar.

Só que vai além, pois em filmes como Victoria ou Birdman, a câmera é previsível e você sabe para onde ela vai e quem irá seguir. Bernardo Barreto faz diferente, pois ele se aproveita das discussões e como se estivessemos presentes, nós nos mexemos para “tentar” escutar o que cada um quer falar.

Leia também: Thunder Fic’s | Direção vs roteiro: Quem é mais importante em uma produção?

E não é sempre assim em reuniões familiares? Um tentando falar algo, reclamar, correr atrás de outra pessoa, falar mais alto, cochichar, sair da sala e ir até a cozinha, completar frases de quem está falando, não deixar falar e assim por diante. Uma verdadeira agressividade de um querendo se sobressair sobre o outro.

Esta agressividade é constante nos tons de vozes, nas formas como cada um fala, na maneira até educada que sorriem ao receberem um estranho em sua casa. Mas os gritos na rua de “corrupto”, “me devova o meu dinheiro”, isso não é estranho.

Outro assunto muito bem abordado pelo O Buscador são os abusos. O abuso contra a mulher é um tapa na cara, onde homens praticamente só tem suas mulheres para que elas sirvam como enfeites ao seu lado, pois apenas HOMENS bem sucedidos são cassados e tem filhos.

Desta forma, este abuso cai até mesmo contra o filho e neto que sofrem por não poderem expor suas verdadeiras emoções. Esta agressividade é o que mostra o quanto a cultura do “Seja Homem” é uma constante neste universo dos empresários.

E isto tudo não é algo que acontece no final. Já é algo que está no começo e só vai crescendo com até o apogeu com a discussão do que são valores e quando um pai prefere o sofrimento de sua filha a sua felicidade.

O Buscador é um filme diferente e que chega em um ótimo momento, ao trazer discussões do que são os valores em tempos de tecnologia e mudanças sociais. Aproveite e confira (acima) a entrevista que fizemos com o roteirista e diretor do filme, Bernardo Barreto.

O filme já está nos cinemas.

Nota do Thunder Wave
O Buscador é um filme diferente e que chega em um ótimo momento, ao trazer discussões do que são os valores em tempos de tecnologia e mudanças sociais.

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