sexta-feira, 24, setembro, 2021

Crítica | O Esquadrão Suicida

O Esquadrão Suicida, de James Gunn, prometeu que seria diferente... e cumpriu

Desde a notícia de que teríamos outro longa de Esquadrão Suicida, não sabíamos se seria uma continuação ou um reboot. Eis que surge James Gunn, responsável pela franquia de sucesso Guardiões da Galáxia. Embora o longa de 2016 divida opiniões, temos que concordar que dele surgiu a talentosa Margot Robbie com uma Arlequina insana e que caiu na graça dos fãs e da crítica e ganhou um filme para chamar de seu. O longa de David Ayer, mesmo com um roteiro cagado e enredo bizarro, tinha algumas coisas interessantes como os personagens e o elenco. Encarregado de fazer a história renascer das cinzas, Gunn usou toda a sua criatividade e o filme está…SUPIMPA! O roteiro está super amarrado, personagens novos e não tão conhecidos são incluídos, os efeitos especiais são de outra galáxia, trilha sonora a caráter e muito, mas muito sangue mesmo. É porrada, tiro e bomba. O Novo Esquadrão Suicida ou O Esquadrão Suicida de James Gunn como muitos falam é O Esquadrão Suicida revigorado, absurdo, insano, terrivelmente bom, uma história independente da trama de 2016.

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Se você não assistiu o longa de 2016 e está se perguntando “Será que eu preciso assistir antes do longa de 2021?”, “Se eu não assistir o anterior, vou ficar sem entender o atual?”… a resposta é um sonoro NÃO! São longas independentes. O longa atual se inspirou na base do longa anterior. Como assim? O longa de James Gunn, apresenta os vilões que terão que fazer parte de uma equipe “capacitada” para salvar o mundo sob o comando de Rick Flag (Joel Kinnaman) e supervisionados pela terrível Amanda Waller (Viola Davis). Porém, assim como no anterior a Amanda tem alguns segredos que quando descobertos faz com que a missão pareça uma fraude para alguns personagens.

Novas imagens de "O Esquadrão Suicida" são divulgadas- CineBuzz
Sanguinário desafia Amanda Waller nas novas fotos de O Esquadrão Suicida | Warner Bros

Logo de início, percebemos que o filme será uma interessante desventura só de ver a cena inicial e de como será o tom que guiará a produção até o fim. De forma rápida e indolor, Amanda Waller, Rick Flag, Capitão Bumerangue (Jai Courtney) e Arlequina são postos em ação e com a premissa de que o espectador saiba que eles já estiveram juntos em outras ocasiões. A explicação do que é o The Suicide Squad é feita por Flag ao explicar a missão para Sábio, personagem de Michael Rooker, que se junta a equipe com outros vilões “persuadidos” para invadir Corto Maltese e destruir um experimento científico de que ninguém nunca viu falar no país sulamericano.

O mais interessante é ver o quanto esse filme é um absurdo. Os personagens tem poderes estranhos como soltar bolinhas pelo corpo, ser um tubarão humanoide, atrair ratos de todos os lugares possíveis, até uma doninha faz parte do grupo de vilões que tem a missão de salvar o mundo de uma enorme estrela do mar. O diretor James Gunn explorou o DC Universo e encontrou personagens que talvez não veríamos nunca numa telona de cinema. Gunn conseguiu retratar toda essa incongruência de forma divertida e nada ficou forçado ou sem sentido. No longa, por exemplo, temos personagens como Blackguard (Pete Davidson), Doninha (Sean Gunn), Bolinha (David Dastmalchian), Sanguinário (Idris Elba), O.C.D. (Nathan Fillion) e outros mais que chegam de maneira engraçada, inusitada, sanguinária.

Crítica internacional dá 100% de aprovação para novo Esquadrão Suicida
Crítica internacional dá 100% de aprovação para novo Esquadrão Suicida / Warner Bros

Assim como no longa anterior, cada um tem uma história de dor e provações e isso de certo modo é posto como um desafio para que eles comecem a entender a si mesmo e ao próximo. Outro detalhe, todos são tratados de forma descartável tanto por Waller quanto pelo diretor, que elimina quase todo seu elenco logo no primeiro ato. É isso mesmo que você leu! Alguns dos atores mais solicitados de Hollywood, são alvejados, incendiados, afogados, e explodidos numa tacada só. Então não se apegue a nenhum personagem, pois ele pode morrer e se não foi no início, provavelmente será no final.

Apesar de a narrativa de O Esquadrão Suicida não ser algo original – outras produções como a franquia Mercenários já tem em sua essência a característica de por vilões como heróis. Em Guardiões da Galáxia, os heróis são personagens disfuncionais em relação a uma Capitã Marvel ou Pantera Negra que tem uma visão de mundo totalmente diferente. Aqui Gunn, equilibra esse espaço comum com muita criatividade e fazendo com que a produção tenha uma personalidade própria e isso é reforçado pela atuação de Elba, Robbie, Kinnaman, John Cena, Dastmalchian e Daniela Melchior – a atriz portuguesa é um excelente achado de Gunn, a moça brilha em tela e não só pelo o que faz, mas por ter uma moral e um emocional que mostra que existe a dualidade tanto no ser humano quanto no super herói ou vilão ninguém é bom ou mau e esses aspectos da personagem dela faz com que a nova formação do Esquadrão tenha um caráter mais humano. Ao lado de seu rato, Sebastian, e do Tubarão Rei (Sylvester Stallone), a Caça-Ratos 2 consegue unir a equipe de forma natural, sem aquela aura de “amigos-que-viram-família” retratado no primeiro filme.

Elenco de 'Esquadrão Suicida 2' fez testes com ratos de verdade
Daniela Melchior fez o teste com um rato / Warner Bros

No longa vemos que a evolução de Arlequina vista em Aves de Rapina é mantida. As cenas entre Sanguinário e Pacificador (Cena) têm algumas das passagens mais engraçadas da narrativa e por sinal, violentas de forma exagerada. Até mesmo Rick Flag que se apresentou todo arrogante e um soldadinho que obedecia ordens no longa de 2016, vem com uma roupagem nova, ele está mais “empático” e quando precisa, contraria as ordens de Waller. Além disso, eles mudam o foco de acordo com os imprevistos ou pequenas missões que vão surgindo até alcançar o foco principal que é acabar com o projeto cientifico misterioso.

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Outro ponto positivo é a exposição das personagens. As personagens que fazem parte da missão ou da guerrilha que luta contra o desgoverno do país sulamericano, não estão sexualizadas. Vemos personagens bonitas, porém fortes o bastante para encarar qualquer problema. Outro ponto interessante é o desenvolvimento de alguns personagens que variam em tempo de tela como os ditadores de Corto Maltese que desmoronam um a um no decorrer da trama e vemos o quão genéricos eles são.

O personagem Pensador de Peter Capaldi mesmo com pouquíssimo tempo em tela, mostrou que sabe atuar muito bem. Em poucos segundos de cena seu poder de manipulação e genialidade são provados e comprovados por sua personalidade excêntrica – lembra um pouco os campos de concentração nazista. Ele é provocativo e ameaçador, apesar de uma caracterização esquisita. E é por meio dele que o grandioso vilão Starro é desenvolvido. Sem muitos spoilers, é por causa das ações dele que a raiva do grande vilão Starro resulta em ações catastróficas no terceiro ato. 

Margot Robbie retorna como Arlequina em O Esquadrão Suicida / Warner Bros
Margot Robbie retorna como Arlequina em O Esquadrão Suicida / Warner Bros

Um aspecto que tanto no longa de 2016 quanto no longa de 2021 é a trilha sonora imbatível. Se antes a soundtrack era mais dark com um toque alucinógeno, a atual é divertida para combinar com o espírito do filme e vem num ritmo com uma pegada 80-90s, porém tem alguns hits mais badalados e famosos como Gloria Groove, por exemplo. A estética está mais colorida e mais clara, em relação ao anterior, a quantidade de efeitos especiais supera e em algumas cenas em que a Arlequina luta, são usados efeitos semelhantes aos usados em Aves de Rapina. Genial! A fotografia foi bem pensada, o visual estético do longa foi muito bem produzido. Com algumas ressalvas, o longa de James Gunn foi além das expectativas.

O longa se inspirou nas HQs do grupo na década de 1980, escritas por John Ostrander Kim YaleO Esquadrão Suicida chega aos cinemas brasileiros em 5 de agosto de 2021.

Nota do Thunder Wave
O longa é uma trama absurda, com piadas fora de hora e às vezes sobre coisas que nem deveriam ser piadas, com personagens bizarros, palavrões, muitas mini missões, explosões, tiro, porrada e bomba… está SURREAL! O Esquadrão Suicida de James Gunn ou a sua Força Tarefa X cumpriu a missão direitinho. O longa é insano, divertido e violento numa pegada a la Tarantino. Surpreendeu e tirou aquele ar de desleixo deixado pelo anterior. James Gunn com o seu longa revigorado abre caminho para um futuro brilhante da franquia que tem muito potencial para ser uma das tramas mais divertidas e rentáveis da DC. The Suicide Squad é um recomeço não só para a franquia, mas para todos os fãs.

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