sexta-feira, 25, setembro, 2020
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Crítica | O Irlandês

Coragem. É necessário ter coragem e acreditar na sua própria intuição.

A nova aposta da Netflix em lançar O Irlandês (The Irishman) mostra o quão persistente a empresa é. Se você duvidou do potencial do serviço de streaming, está totalmente enganado. O novo longa de Martin Scorsese está sendo indicado em cinco categorias dentre as quais de melhor filme e melhor diretor. É uma grande aposta e um grande filme. Mais do que isso, é uma narrativa construída à base de histórias reais e que questionam questões como lealdade, amizade, a vida e como ela é vivida e as conseqüências de nossos atos.

O longa é contado a partir de relatos de Frank Sheeran, um veterano da segunda guerra
mundial, agora caminhoneiro se torna um assassino de aluguel. Personagem muito
importante, ele participou e foi o braço direito dos últimos mafiosos mais conhecidos da
década de 50, 60 e 70 nos Estados Unidos. A história aborda o inicio da jornada dele
nesse novo mundo e o seu fim melancólico. Por ser uma abordagem bem profunda que
mostra os acontecimentos na vida do personagem e também dos demais que são tão
importantes quantos Sheeran é ideal que seja assistido sem pausas.

A narrativa gira em torno de três personagens: Frank Sheeran, interpretado por Robert
De Niro, Jimmy Hoffa interpretado por Al Pacino e Russell Bufalino, interpretado por
Joe Pesci. Acompanhamos a transformação de Jimmy Hoffa, que foi um sindicalista
norte americano e tem uma relação muito direta com Russell, um mafioso que
viveu na Filadélfia durante muito tempo e tem descendência italiana.

A interpretação desses três atores é quase que impecável. Temos Al Pacino em um de
seus melhores personagens desde O Poderoso Chefão. O personagem é o oposto de
Frank. É carismático e tem um bom discurso. É o reflexo fino de um homem estourado
e talvez esse jeito seja algo meio destrutivo pra ele próprio. É difícil não se deixar levar
por ele. Já De Niro nos entrega um velho amargurado que sente arrependimento por
cada “serviço” que fez. No seu olhar é possível enxergar essa melancolia misturada com
ressentimento de toda decisão tomada. Suas expressões conversam emocionalmente com o público. É possível ver o crescimento e a sútil evolução do personagem de De
Niro. É fiel, analítico, calmo, organizado e elegante. Já Pesci, faz tempo que ele
estava longe das telonas mas ainda assim tem uma grande performance. Estamos
acostumados a ver um Joe mais explosivo em seus papeis, porém, em O Irlandês, temos
um personagem calmo, que age por trás dos bastidores e usa a persuasão, o diálogo e
o seu poder dentro dessa organização a seu favor. Frases simples que podem ser
interpretadas de três formas: a boca diz uma coisa, os olhos dizem outra e a postura
corporal transmite outra coisa. Vemos que o cansaço e a rigidez começam a se fazer
presente no personagem no decorrer do filme e é ele quem dita o ritmo da narrativa.
Frank recebe os conflitos mas é Russell que resolve se acelera ou se acalma o longa.

Joe Pesci e Robert De Niro em O Irlandês | Imagem: Netflix
Joe Pesci e Robert De Niro em O Irlandês | Imagem: Netflix

Com três horas e vinte e nove minutos de duração, você deve ter se
perguntado qual o motivo de um filme tão longo assim. Vale ressaltar que o longa
remete a outra época do cinema que contava histórias com calma e tranqüilidade e isso
faz com que possamos entender a trama a partir de cada minuto contado. Precisamos
entender e sentir o peso de cada virada, de cada cena e isso acontece quando assistimos
as longas cenas. Algo muito interessante é que Scorsese tenta mostrar os três
personagens, ao mesmo tempo em que um se sobressai aos demais, existe o estudo e a
construção de cada um. Estamos de camarote vendo a ascensão e o decaimento de cada
personagem com suas lutas internas.

Os custos da produção desse filme estão em torno de 160 milhões de dólares, onde uma
grande parcela foi usada para recursos de computação gráfica para rejuvenescer os
personagens, já que a história se desenrola durante quatro décadas e é muito interessante
o fato de não ter atores mais jovens interpretando as versões mais novas de Frank, Hoffa
e Russell, que sendo assim é possível ver o mesmo ator fazendo a evolução de seu
personagem.

A fotografia de Rodrigo Prieto é esplêndida e traz uma característica que
Scorsese traz em seus filmes, com exceção de A Invenção de Hugo Cabret, os quais se
parecem documentários e isso faz com que a gente se aproxime dos personagens e dos
casos verídicos, logo em seguida trazendo uma imagem de cinema, tratada, que mescla essa estética capaz de trabalhar o velho com o novo. É possível ainda entrar no texto
que nos faz ter curiosidade sobre a vida que a máfia leva.

Frank Sheeran interpretado por Robert De Niro em O Irlandês | Imagem: Netflix
Frank Sheeran interpretado por Robert De Niro em O Irlandês | Imagem: Netflix

Por fim, qual o prêmio de cada atitude tomada? Sair não é uma escolha, pois a recompensa é um atrativo e a cada parcela de minutos um conflito surge e é resolvido dando espaço para outros surgirem… é um ciclo vicioso. É cruel e violento mas o que é ressaltado mesmo é a dor psicológica que a máfia pode causar numa família, numa pessoa ou até mesmo nas amizades que existem nesse meio sujo. Direção e roteiro bem meticulosos entregaram um filme com um toque fenomenal de angústia e melancolia, que, através da fotografia e trilha sonora, é perceptível ao passo que o longa se desenvolve.

Nota do Thunder Wave
É sem dúvidas o melhor trabalho de Scorsese que teve a capacidade de mostrar os quão poderosos os gângsters eram, porém ,seres humanos fracassados.

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