quarta-feira, 5, maio, 2021
InícioCríticaCrítica | O Protocolo de Auschwitz

Crítica | O Protocolo de Auschwitz

É assustador o fato de existir relatos que negam o Holocausto Judeu durante a Segunda Guerra Mundial

De acordo com o dicionário online Dicio, a palavra HOLOCAUSTO é um substantivo masculino e significa o assassinato, genocídio que, iniciado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, vitimou judeus e outras minorias, realizado nos campos de concentração construídos pelos alemães. Após 70 anos desde o fim da famigerada Segunda Guerra Mundial, somos lembrados das barbaridades cometidas e o quão doloroso é essa parte da história mundial.

Crítica: 'O Protocolo de Auschwitz' é filme genérico com final poderoso
A morte nem sempre está de capa preta e sim de farda / Reprodução

Embora, existam muitas obras que abordem esse período da história, especialmente, a Alemanha Nazista sob o comando de Adolf Hitler, produzir uma nova trama – baseada em fatos reais – é um desafio e tanto. Agora Peter Bebjak aceitou o desafio, O Protocolo de Auschwitz foi a aposta da Eslovênia como Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2021. Mas será que se destaca ou é mais do mesmo?

A trama dirigida por Bebjak, é baseada no livro What Dante Did Not See (O que Dante Não Viu, em tradução literal), de Afréd Wtzler. Somos apresentados a história de dois prisioneiros judeus eslovacos, Rudolf Vrba, interpretado por Peter Ondrejicka, e Wetzler, personagem de Noel Czuczor, que fogem de Auschwitz e arriscam a própria vida para contar os atos desumanos que aconteciam na realidade nazista.

É de extrema importância salientar que a Alemanha Nazista só conseguiu assassinar, torturar tanta gente inocente porque grande parte do que faziam não era de conhecimento global – havia rumores, mas quem via e sentia de fato, nem sempre voltava para contar. Apesar da Cruz Vermelha ter visitado os campos de concentração, os nazistas encenavam e escondiam a verdade. Por isso, a fuga de Vrba e Wetzler é fundamental para salvar milhares de vidas, mas o que O Protocolo de Auschwitz procura retratar, é a caminhada que os dois eslovacos percorreram para fugir do campo de concentração.

Sentimos verdade no que vemos em tela, isso porque o fato de não usar qualquer filtro ou trilha para intensificar as cenas demonstra uma construção que não romantiza nem embeleza o que já doloroso de ver. Vemos muitos corpos nus em cima de outros jogados em galpões como se fossem pilhas de roupas sujas, ou judeus enterrados vivos, apenas com a cabeça de fora para, então, para serem espancados com um porrete e pisoteados por um cavalo – sem suspense, trilha e filtro nenhum e com outros judeus presenciando previamente o que lhes aconteceriam depois. Sendo assim, deduzimos que Bebjak tem o objetivo de mostrar a crueldade do fato em si, sem nenhum truque de indução externa que é um componente famoso da indústria cinematográfica.

Outro ponto de atenção, talvez, até de destaque. Preste atenção em como os soldados nazistas são retratados. Veja que eles não são personificados como se estivessem com sede de sangue. É questão de discernimento. Eles fazem parte desse mecanismo, eles dançam conforme a música toca. Enquanto vemos um soldado chicotear um prisioneiro, a cena salta para um outro esmagando o crânio de um dos presos enterrados. Perceba que a violência executada é algo que quem pratica é indiferente a dor e ao sofrimento causado a vítima, ou seja, para o torturador tanto faz se o que ele esta fazendo é certo ou não. É uma das sequências mais aterrorizantes que somos apresentados.

O Protocolo de Auschwitz | Crítica do Filme | CinemAqui
A luta pela sobrevivência de quem resistiu aos terríveis e dolorosos acontecimentos na Alemanha Nazista / Reprodução

O ponto positivo da obra fica por conta dos protagonistas que souberam como trabalhar a emoção a ser transmitida em cena. E com a ajuda da direção de câmera, o longa obteve sucesso, pois durante a fuga de Vrba e Wetzler, a câmera faz praticamente tudo que os dois eslovacos fazem. Inicialmente, não entendemos e achamos que foi filmado errado, mas não. Ela treme, fica na vertical e lentamente vai retomando o seu estado horizontal. Isso é para dar a noção de estresse, de ansiedade, angústia por não saberem se vai dar certo. A câmera treme e até vira na vertical, simbolizando o stress que eles estão passando por escaparem de Auschwitz.

Com uma fotografia de tonalidade fria, gelada e de cores escuras e sem vida, o longa mostra o quão perverso o ser humano pode ser. E realmente, não havia motivo nenhum para ter uma outra paleta de cores, já que o momento é sombrio. O longa O Protocolo de Auschwitz, sem dúvida alguma, nos apresenta uma nova visão do terrível Holocausto. Vemos muita coragem e força e percebemos que não temos tantas produções que representem a Eslováquia e ver essa história contada dentro de algo que já é extensamente conhecido põe em evidencia aspectos dos anos 40 que nunca foram vistos.

Logo, a dolorida história que Vrba e Wetzler passaram e a negligente das relações internacionais ganharam espaço em um longa que precisa de um estômago forte para ver. É impossível não sentir aquela dor, perceber como muitas vidas poderiam ter sido poupadas se alguém com poder, tivesse se preocupado e feito algo. Mas, o mais surpreendente são os créditos. É como se fosse uma espécie de pós-crédito, quando são introduzidas falas de políticos e líderes mundiais que praticamente reproduzem o que era dito naquela época de Auschwitz ou que negam o Holocausto e prestem atenção nos trechos de Bolsonaro falando de homossexuais e ONGs. E nesse momento percebemos que a violência é um ciclo vicioso que está em constante prática na sociedade, seja durante a Segunda Guerra Mundial ou hoje. Não tem como romantizar ou negar algo que aconteceu diante de relatos fortemente dolorosos.

O Protocolo de Auschwitz encontra-se disponível nas principais plataformas de streaming para aluguel e compra nas versões dublada ou legendada.

Nota do Thunder Wave
É uma produção que se destaca por contar de forma real e com verdade os terríveis acontecimentos nos campos de concentração. As atuações dos protagonistas, a direção de câmera e a "cena pós-crédito" são os diferenciais da trama. Merece estar na corrida ao Oscar 2021.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui

Siga nossas redes sociais

6,918FãsCurtir
3,084SeguidoresSeguir
4,315SeguidoresSeguir

Crítica | Reapresentando A Costa do Mosquito (1986)

0
A Costa do Mosquito é um excelente drama, mas que poderá espantar alguns fãs de Harrison Ford devido ao seu papel como um pai obsessivo.

The Walking Dead | Cena de momento íntimo causa nojo nos...

0
Cena de momento íntimo entre Negan e Alpha causou reações negativas nos fãs de The Walking Dead. Veja.
Crítica | O Protocolo de Auschwitz 7

Um adeus a Merlin

pt_BRPT_BR
Thunder Wave-Filmes, Séries, Quadrinhos, Livros e Games Thunder Wave