terça-feira, 24, novembro, 2020
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Crítica | O Rei Leão (live action)

Um dos melhores e maiores filmes da história do cinema, ganhou sua versão “de carne e osso” e está em cartaz nos cinemas desde o último dia 18 de julho. Versão “de carne e osso” é apenas no modo de dizer, afinal, toda a ideia do “live action” do filme, fora construída num 3D realístico a ponto de transparecer que, de fato, foi uma produção com animais de verdade.

O Rei Leão trouxe aos estúdios Disney um prestígio e um vigor em meados de 1994, quando a animação original ganhou às telonas. Estudiosos de cinema garantem que o longa animado salvou a Disney de uma possível falência, uma vez que todas as atenções estavam voltadas para O Caldeirão Furado, que custou cerca de US$ 44 milhões, arrecadando em torno de US$ 21 milhões, ou seja, menos da metade do esperado.

Outras animações vieram posteriormente, mas foi com O Rei Leão que a Disney pode respirar tranquilamente. A animação custou aproximadamente uns US$ 45 milhões, com receita de quase US$ 988 milhões. Dinheiro à parte, a trama bem simples com traços coloridos e cartunescos, ganhou o coração dos fãs e de todas as famílias. O Rei Leão tornou-se uma febre: animais de estimação com os nomes dos personagens do filme, diversos produtos licenciados e até festas de aniversário temáticas — sem falar nas fitas VHS de cor verde que a Disney lançou para home video. O Rei Leão era um verdadeiro sucesso.

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As antigas fitas VHS da Disney, eram de cor verde | Internet

25 anos depois, o mesmo estúdio, agora estabilizado financeiramente e modernizado, anuncia que o longa animado que fez parte da infância e do emocional de inúmeras crianças, hoje adultos e quiçá pais, ganharia uma versão em live action, fazendo parte do grupo de filmes clássicos com revisitação/nova roupagem. Bem, é inegável que algumas animações, sejam elas no formato de longa-metragem ou seriado, acabam despertando a curiosidade de alguns espectadores em imaginar como seriam tais personagens e cenas no formato real, com atores reais, “de carne e osso”.

Até que muita expectativa, notícias, anúncios e lançamentos de trailers depois, o filme estreou. Na certeza de que muitos já assistiram, afinal, o longa bateu a marca de mais de 4 milhões de espectadores, será um tanto quanto impossível registrar algumas informações sem soltar um ou mais spoilers — até porque, acredito que não seria tão spoiler assim, falar sobre O Rei Leão, que segue os moldes quase que 100% fidedigno à animação original de 1994.

Eis os aspectos

Esse é o primeiro aspecto que vale destaque: a fidelidade em seguir o roteiro original. Aliás, as cenas exibidas no live action, são completamente fiéis ao longa animado. Começando pela cena de abertura, onde a canção Ciclo sem fim é entoada. Se comparar com a cena da animação, em nada será diferente. Trata-se de uma homenagem que serve como apresentação e ambientação ao que acompanharemos no decorrer dos próximos minutos.

Eu diria 98% fiel à animação. Partindo desse princípio, as mudanças ocorreram quando os destaques foram acrescidos às leoas: enquanto Mufasa vivo, sob a liderança de Sarabi. Deu a entender que elas faziam parte de uma frente de batalha, como se fossem guerreiras. Após a morte do rei devido toda a trama arquitetada por Scar, o vilão assume o trono, fazendo com que as leoas tenham a liderança de Nala, mesmo sabendo que Sarabi ainda é a rainha por direito.

Isso se deve, quero muito acreditar nisso, ao fato de que as mulheres tem assumido cada vez mais, lugares de destaque em diversos setores da sociedade. O protagonismo feminino deu luz a questões de entendimento básico e simples: mulheres também podem. A presença de Beyoncé no elenco dando voz à leoa que será a futura rainha das Terras do Reino, reforça o destaque dentro do aspecto citado — Beyoncé é feminista e ativista pelos direitos das mulheres ao redor do mundo.

Sobre Scar, um dos melhores vilões da Disney

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Scar | Disney Studios

Outro destaque importante a ser citado, é o “novo” Scar. Temos um leão frio, calculista, literalmente “do mal”, sombrio, escuro, sem coração e escrúpulos. Sua voz fria e cortante mescladas ao olhar, com o auxílio da trilha sonora de suspense, causam medo no espectador. Isso se deve ao fato das crianças de 1994 já serem adultas e poder lidar com as vilanias e maldades do leão. As cenas em que ele aparece, traz uma atmosfera densa, tensa e de pavor — algumas crianças na sessão, choraram com as cenas em que ele aparecia.

Fizeram falta, alguns bordões como “Estou cercado de idiotas” ou “O tio do macaco“, mas é completamente entendível não ter tido frases marcantes como essas, devido a nova roupagem do personagem. Não combinaria com ele certos “alívios cômicos” devido sua vilania. Mas tudo está lá: o cinismo, o sarcasmo, as ironias e principalmente, as maldades do personagem. Se o objetivo era impor medo, ele foi alcançado com sucesso.

Um ‘Ctrl C+Ctrl V’?

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Comparação entre a animação clássica e o novo live action | Twitter @Imaginago

As cenas adaptadas para a versão “de carne e osso”, foi de suma importância para fazer jus aos acontecimentos. É impossível refazer a cena dos animais subirem uns nos outros, cantarem e dançarem de acordo com a canção no número musical O que eu quero mais é ser rei, por exemplo. São novos tempos, outras tecnologias existem, bem como a maneira de produção de filmes em 3D. Copiar e colar o filme em sua totalidade, mesmo que em 3D realístico, não teria a mesma graça que assistir o filme. Esse é o “barato” dessa nova leva de live actions da Disney: é a reprodução 100% fiel ou não, mediante ao contexto necessário de alterações, mas com a inserção da realidade em que a trama é ambientada.

As canções

É impossível falar de O Rei Leão sem citar suas canções, afinal, o filme é um musical. Não como um musical tradicional, mas dentro dos moldes que a Disney gosta de produzir suas animações. Sem delongas, a versão dublada das canções não funciona. É estranho, sem brilho, sem aquela mesma força que as músicas tinham — é entendível ter as novas roupagens dentro do objetivo proposto, como fora dito anteriormente, entretanto, firulas e melismas gigantes não combinaram com o objetivo das canções, que eram apenas preencher o número musical e entreter.

Citada anteriormente, a canção O que eu quero mais é ser rei é divertidíssima e uma das melhores de todo o longa, diga-se de passagem. A versão 2019 da música continua perfeita se não fosse por um detalhe: o intérprete. João Vitor Mafra, a voz falada e cantada do Simba filhote, deixou a canção diferente, levando-a para um lado que não precisava, com melismas em excesso e tons agudos onde não deveria ter. O mesmo acontece com o dublador de Zazu (Marcelo “Salsicha” Caodaglio). Foi bem diferente, de maneira não positiva, apreciar a canção.

Ouvir a trilha sonora de um filme sem as cenas, tem um peso. Já assistir a canção ser interpretada pelos atores, o peso é outro. No contexto do filme, as canções da trilha sonora do live action, funciona, mas desagrada. Uma versão diferente é apresentada e é entendível, afinal, é um remake/reboot e faz sentido regravar as canções. Mas poderia ser melhor aproveitada. Melhor seria Ciclo sem fim remasterizada do que regravada e Hakuna Matata, na voz do Simba adulto (Ícaro Silva), sem toda aquela performance.

Versão brasileira…

As dublagens incomodam um tanto, mas no decorrer do filme, acostuma-se. Um sotaque exacerbado pode atrapalhar o produto final, nada que uma aula de prosódia não resolvesse. E aqui, três destaques, um negativo e dois positivo. O negativo vai para o dublador do Pumba (Glauco Marques), que deixou a voz do personagem lisa — na animação, o javali tem uma voz grossa, imponente e “rasgada”; áspera, gritante. A tentativa foi até válida de dar uma nova cara, ou melhor, voz para Pumba, com a tentativa de resgatar um pouco do que a animação de 1994 nos apresentou, mas não convenceu.

A fusão dos trabalhos de Glauco e de Ivan Parente, a voz de Timão, dá liga. E é incrível como os dois funcionam e as cenas em que os personagens aparecem, o espectador é levado a pensar como um javali e um suricato. A linha de raciocínio é incrível, o que leva a especular se tudo estava no roteiro ou se houve improviso da dupla. É para Parente que vai o primeiro destaque positivo. Sua voz se assemelha, tanto cantada quanto falada, ao Timão da animação original. O coração palpita pela referência.

O outro destaque positivo vai para a cantora Iza, que fora convidada pela Disney para dublar Nala. Quando ela fora anunciada, a preocupação em dar a voz a leoa foi pertinente, pois como cantora não decepcionaria, afinal, é seu ofício. Sua voz falada saiu suave e imposta de maneira correta, com total sincronia com os movimentos da boca da personagem.

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A cantora Iza | Disney

Brilhante! Já sua participação cantada em Nesta noite o amor chegou, não agradou. O que era pra ser um número musical suave, com crescimento nos momento certos da canção, a voz de Iza sobressaiu um tanto quanto além do esperado.

Pontos negativos

Os únicos pontos negativos que precisam ser abordados, é o fato do longa ter ganhado meia hora a mais do que a versão animada sem aproveitamento algum. Não houve flashbacks importantes para a trama, cenas que poderiam justificar e acrescentar o entendimento mediante a animação original. Não houve um real motivo para o dito acréscimo. Ficou o dito pelo não feito.

Outro ponto a ser mencionado, é o fato de críticas e influenciadores digitais, blogueiros, espectadores e até mesmo, da crítica especializada, sobre o fato dos animais não possuírem expressões faciais mediante às cenas apresentadas, deixando-os como que sem sentimentos, meramente ilustrativos. Discordo. Animais possuem sim, sentimentos, e tudo está localizado nos olhos, haja vista que são irracionais e incapazes de falar. O diretor do longa, Jon Favreau, fez questão de ter todo um trabalho focado nos olhos dos animais para transmitir ao público, seus sentimentos, “pensamentos” e até instintos.

Enfim, vale?

Por fim, O Rei Leão agradou. Tudo é muito bonito e emocionante. É impossível não comparar as duas produções (os filmes de 1994 e 2019) e também, assistir um antes ou depois do outro. O trabalho foi bem feito, o recado foi transmitido e a essência de tudo o que foi vivido em 1994, está nas telonas em um 3D realista, com direito a trilha sonora original e novas canções adicionadas — com exceção da fita VHS verde, que fica no imaginário sentimental e afetivo de cada criança adulta. Vale o ingresso e vale o hype, só não vale assistir dublado nem em 2D.

Nota do Thunder Wave
Entre mais acertos do que erros, propriamente ditos, o live action de O Rei Leão, da Disney, cumpre o seu papel e entretém o novo público e presenteia às crianças adultas, um filme incrível lotado de referências e essência da animação original de 1994. É emocionante, divertido, tocante. Toda a essência está preservada, agora em 3D realístico.

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