Crítica | O Sequestro do Voo 375

35 anos depois do sequestro do voo da Vasp, Marcus Baldini dirige a história de O Sequestro do Voo 375, que revive os acontecimentos desse dia e faz justiça às ações do comandante Murilo, uma das peças-chave para que um incidente maior não acontecesse.

Após anos de ditadura militar, o governo Sarney não ia nada bem, com índices de desemprego e inflação que levava a população a uma vida de dificuldades, Nonato (Jorge Paz) em uma atitude desesperada, planeja matar o presidente em um atentado suicida ao jogar um avião no Palácio da Alvorada. Um plano ousado se for visto com os olhos da atualidade, mas totalmente possível em 88, quando a maioria dos aeroportos não tinham um sistema de segurança que impossibilitava ou dificultava essas ações. Partindo de duas narrativas, acompanhamos a volta do comandante Murilo (Danilo Grangheia) às suas funções de piloto após um tempo afastado e a de Nonato que se despede de sua mãe que mora em outra cidade com sua filha. Duas histórias que, mesmo diferentes, irão se cruzar após a decolagem, impactando no destino de todas as pessoas daquela aeronave.

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Imagem: Divulgação

Além de relembrar o sequestro, o filme mostra como uma pessoa pode chegar ao nível de desespero para tomar uma decisão dessas e também como as ações que a procedem tem um grande peso na resolução. A calma com que Murilo lidou com os acontecimentos enquanto pilotava o avião, o despreparo do centro de controle que incitou ainda mais os ressentimentos de Nonato e a empatia que, mesmo em uma situação extrema e impensável ajudou para que não houvessem mais casualidades. O tratamento do comandante do Cindacta (Centro de Brasília) que do ápice da sua arrogância e machismo fez com que a situação escalasse, enquanto Luzia (Roberta Gualda) mostra que mesmo sem um tratamento adequado, sabendo ouvir e se conectando com o outro, é possível amenizar a situação.

As diversas implicações do momento político do país também são abordadas em um plano de fundo, onde militares ainda se sentem no controle de todas as situações e precisam ser atendidos de qualquer maneira, assim como a implicação pública de um evento dessa magnitude por culpa do presidente e o seu reflexo em sua imagem. Mesmo sendo um filme focado nos acontecimentos de dentro da aeronave, são os momentos de fora da cabine do piloto que dão todo o plano de fundo e motivações para que a dupla principal consiga desenvolver e abordar com clareza os seus personagens.

As imagens parecem ter saído direto da TV de 1988, com uma qualidade que no começo pode causar um certo estranhamento, mas que é totalmente condizente com a época, com alguns trechos de programas e reportagens gravados na época sendo passados. Os detalhes no cenário chega nos mínimos detalhes, da capa do jornal aos programas que passam rapidamente em alguma tela da televisão. A semelhança na caracterização dos atores principais é impressionante ao ver a imagem dos dois lado a lado. Um dos problemas é com os efeitos especiais usados principalmente para retratar a visão de fora do avião, que beiram ao caricato e quebram a constância que a narrativa está construíndo.

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Imagem: Distribuição

Baseado no evento real, O Sequestro do Voo 375 retrata a linha principal de acontecimentos com grande coerência, usando recursos ficcionais para manter a narrativa atrativa para o público. O trabalho de pesquisa da produção foi exemplar, entrevistando os passageiros presentes no voo para retratá-los com a maior veracidade possível e trazendo o reconhecimento que Murilo nunca recebeu em vida, apesar de ter recebido a medalha da Ordem do Mérito Aeronáutico, o piloto nunca recebeu nenhuma palavra ou reconhecimento do então presidente Sarney.

O Sequestro do Voo 375 é uma excelente produção que retoma um acontecimento esquecido por muitos brasileiros. Relembrá-lo permite revisitar outras tragédias que poderiam ter sido evitadas caso alguma medida fosse tomada nesses momentos, a existência de máquinas de raio-x em todos os aeroportos, a instalação de cockpits à prova de balas e uma revista mais completa poderia ter evitado, por exemplo, os ataques de 11 de setembro – que é possível ter sido estudado para a elaboração do grupo terrorista.

Com produção do Estúdio Escarlate, coprodução da Star Original Productions e distribuição pela Star Distribution, O Sequestro do Voo 375 estreia nos cinemas em 07 de dezembro.

Nota do Thunder Wave
35 anos após o sequestro do voo da Vasp, O Sequestro do Voo 375 chega aos cinemas relembrando um episódio importante da história brasileira e mostrando todo o potencial do cinema nacional.

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