sexta-feira, 29, maio, 2020
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Crítica | O Silêncio da Cidade Branca

O longa tem uma história interessante, mas não surpreende

Se você é amante de suspense e de filmes que são adaptações de livros nessa pegada, vai curtir O Silêncio da Cidade Branca. O longa chegou a pouco tempo na Netflix e é uma produção espanhola que vem causando entre os cinéfilos. O thriller até busca surpreender com o filme de serial killer e, no primeiro momento, brinca com referências à Jogos Mortais, O Silêncio dos Inocentes, ao apresentar seu psicopata de forma misteriosa e a espalhar os mistérios a conta gotas para construir o suspense, que funciona bem e instiga nosso envolvimento

O longa é uma adaptação do best-seller de Eva García Sáenz e conta a história do serial killer conhecido como O Assassino do Sono, que tem amedrontado a população de Álva, província que compõe a região do País Basco, na Espanha, há 20 anos. Ele se tornou famoso por cometer crimes macabros contra pessoas, em forma de duplas, sempre formadas por um menino e uma menina. Seu padrão é intrigante: as primeiras vítimas tinham cinco anos de idade; a segunda dupla foi morta aos dez, enquanto a última tinha quinze anos. Os corpos eram encontrados sempre na mesma posição, nus e com um girassol cobrindo as partes íntimas. 

No entanto, quando um homem, chamado Tasio, que se tornou ainda mais conhecido nos anos seguintes por se tornar escritor e ganhar diversos seguidores nas redes sociais por conta de textos em um perfil escrito por fãs, é condenado e responsabilizado pelas mortes, a população se tranquiliza. Porém, Tasio está prestes a sair da prisão, novos assassinatos começam a acontecer, repetindo o mesmo padrão do Assassino do Sono. Suspeitando de um imitador, a polícia parte numa busca desenfreada para prender esse assassino cruel e para isso, Unaí Ayala (Javier Rey) precisa acelerar a resolução do caso e evitar mais mortes, enquanto luta com seus monstros internos.

O longa tem sérios problemas. Porém, tem pontos positivos. A base desse longa, é um livro de quase 500 páginas o que é compreensível entender o motivo pela confusão feita no roteiro, já que deve ter muitas informações e não é uma tarefa fácil escolher o que vai entrar e o que não vai entrar na adaptação. A trama é transformada em um “tour” apressado e acaba perdendo a possibilidade de ser desenvolvido com mais cuidado.

Num primeiro momento, começa bem. Tem uma vibe a la CSI, pois vemos os investigadores empenhados em investigar e solucionar os crimes. Os investigadores parecem se dar bem e tudo está indo legal quando o longa decide entregar de bandeja a identidade do real assassino e seus motivos para cometer os crimes e o suspense fica apenas por conta do passado do próprio assassino.

A quantidade de subtramas mal desenvolvidas e os personagens com histórias rasas fazem da história mais confusas e cansativas. Um ponto bom, é o trabalho de direção de Daniel Calparsoro (Cem Anos de Perdão) que tem experiencia na produção de filmes desse tipo e entrega bons enquadramentos. Mas peca nas cenas de ação que são repetitivas, mal cortadas e sem criatividade. Não é interessante ver um policial correndo atrás de um bandido por diversas vezes só que em ambientes diferentes.

O que surpreende mesmo é a direção de fotografia que ressalta os belos cenários de Vitória, no país do Basco. Além disso, todo o universo criado em torno dos crimes que se faz do uso da religião para explicar os acontecimentos é muito bem feito. Os copos nus, dispostos em ambientes públicos, remetem a Adão e Eva. O vilão, astuto, inteligente, com múltiplos conhecimentos, executa seus crimes sem derramar uma gota de sangue e até aí, surpreende. Mas erra feio em tomar decisões idiotas. Em determinado momento da trama, ela dá um nó e se perde por explicar demais e o uso de flashbacks empobrecem muito a história fazendo com que esse vai e volta, passado e presente, entregue um desfecho incoerente. Muita informação que não se conecta e que não faz sentido. No geral, a trama tem uma história interessante, porém, faltou ponderar de certa forma os acontecimentos na construção do longa.

Nota do Thunder Wave
A intenção é boa e poderia ter sido melhor executado, caso a prioridade do longa não fosse as tramas periféricas desenvolvidas de forma incompleta. Apesar disso, tem uma bela fotografia e uma atmosfera religiosa muito interessante para explicar os crimes.

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