Crítica | O Tablado e Maria Clara Machado

Documentário segue na segunda semana em cartaz em São Paulo

Eu sempre senti uma sensação muito gostosa ao ver peças de teatro e ao estar nesse ambiente, eu percebo o quanto a arte da interpretação é uma atividade difícil. Na verdade, é um dom, pois fazer pessoas rirem, chorarem, se emocionarem de forma genuína é algo impressionante. Infelizmente, com a quantidade de blockbusters sendo lançados quase diariamente, as pessoas esquecem do teatro. Talvez, por isso, para resgatar não só a história, mas a sensação de epifania de estar num teatro que o documentário de Creuza Gravina foi exibido em mais de quinze festivais e lançado no Rio de Janeiro em 2022. Apesar de um conteúdo rico em entrevistas e registros, o formato adotado não valoriza o produto entregue.

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A produção aborda a importância do teatro ao retratá-lo não só como formador de artistas, equipes de produção, críticos, diretores, produtores, mas o fato de contar e relacionar a sua idealizadora, Maria Clara Machado que fez de seu sonho, o seu maior legado. A obra é estruturada no modelo tradicional de um documentário. Aqui, as entrevistas de atores, diretores, familiares de Maria Clara falam sobre a criadora do Tablado com muito saudosismo. Lembram do jeito afetuoso, da doçura, criatividade, além de sua postura firme. 

Com uma montagem que resgata não só as lembranças sobre Maria Clara, mas também de suas obras, das performances em palco, vemos muitos atores lendo vários de seus textos – são os momentos de maior grandeza -, os figurinos e cenários que para o acervo do teatro tem o mesmo valor de um quadro exposto no Louvre. É lindo e nostálgico e até para quem nunca foi ao Tablado, é uma sensação de pertencimento, pois você entende o que os entrevistados estão falando e o brilho nos olhos de cada um… é surreal.

Por mesclar imagens, gravações, entrevistas com diversas pessoas e em diversos ambientes, a linha temporal é diversa também e é por meio desse vai e vem de memórias que tomamos conhecimento da origem do Tablado, aos ideais, à didática, à visão, aos valores e à condução orgânica do teatro  que não visava lucro monetário, mas a expansão de mentes criativas. Fazia-se muito com o mínimo e bem feito. Um dos detalhes que mais me conquistou foi que os entrevistados não eram só atores ou só diretores, mas ajudavam nos cenários, na caracterização, na limpeza do espaço, eram profissionais multitarefas.

Quem foi Maria Clara Machado?

Nascida em Belo Horizonte, em 1921, Maria Clara mudou-se para o Rio de Janeiro aos quatro anos, indo morar em Ipanema. Ela foi uma importante escritora e dramaturga, autora de famosas peças infantis e fundadora do Tablado, escola de teatro do Rio de Janeiro. 

Maria Clara escreveu quase 30 peças infantis, livros para crianças e 3 peças para adultos (“As interferências”, “Os Embrulhos” e “Miss Brasil”). Sua primeira grande peça, “O boi e o burro a caminho de Belém”, de 1953, era um auto de Natal que rendeu ótimas críticas. A peça foi originalmente escrita para teatro de bonecos, mas, no fim, acabou sendo montada com atores. Contudo foi em 1955 que surgiu o maior sucesso do Tablado e o texto mais montado de Maria Clara Machado: “Pluft, o fantasminha”. Essa peça, que conta com humor, poesia e diversas situações, é considerada pela própria autora como sua obra mais completa.

Depois do sucesso de “Pluft, o fantasminha”, Maria Clara Machado escreveu mais de 25 peças, entre as quais “O cavalinho azul”, “A bruxinha que era boa” e “A menina e o vento”. Sua última peça foi escrita em 2000, “Jonas e a baleia”, na qual Maria Clara reconta esse episódio bíblico em parceria com Cacá Mourthé. Faleceu aos oitenta anos no Rio de Janeiro.

Com quase 01 hora e 20 minutos de duração, a mensagem transmitida pelo documentário é bem clara… o sonho, o projeto idealizado e criado por Maria Clara era mais que um teatro, o Tablado foi uma escola, não formou artistas, pariu atores, diretores, escritores, figurinistas, pois quem chegava lá se deparava com um leque de funções e que todos acabavam incorporando.

Nota do Thunder Wave
Vale muito a pena assistir ao documentário que resgata a importancia do Teatro O Tablado e de sua idealizadora, Maria Clara Machado.

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