quarta-feira, 5, maio, 2021
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Crítica | O Último a Rir

Com diálogos filosóficos, o longa se mostra tão atual quanto qualquer outro do gênero

O longa dirigido por Alain Tanner, O Último a Rir/ Charles mort ou vif tem em sua essência a liberdade como forma de viver a vida. A trama nos apresenta o personagem cinquentão Charles Dé, empresário de terceira geração numa fábrica de relógios em Genebra. Porém, vemos que ele não está feliz com a vida que leva. Pierre, seu filho já tomou posse do cargo do pai e sempre o critica. Devido aos desgostos, Charles decide dar um rumo para apropria vida… ele some sem avisar ninguém e vai em busca de uma vida mais livre, como se buscasse algo para preencher o vazio existencial.

Crítica | O Último a Rir 1
Adeline, Paul e Charles vivem uma vida descontraída / Reprodução

Vemos que no decorrer da trama, Charles conhece Paul e Adeline, um casal que mora nos subúrbios, longe das amarras de uma vida capitalista, e passa a viver com eles. Logo depois, ele chama a filha Marianne para visita-los, pois ela é diferente do irmão, ela tem uma mente mais aberta e enxerga as coisas de uma outra forma, além de fazer parte de um movimento revolucionário. No entanto, a tensão se forma quando Pierre não consegue lidar com algumas questões burocráticas, alguns documentos que precisam ser assinados por seu pai que sumiu e, por isso, Pierre decide procurar o pai.

O longa tem um ritmo interessante, conta com boas atuações e se mostra bem atual. Veja bem, se você pegar a época de produção/ realização do longa, perceberá que O Último a Rir está em concordância com os revolucionários da década de 60 e nesse momento, era um objetivo da contracultura ir contra aos padrões ditados pela sociedade capitalista e, talvez, tenha sido esse o motivo que fez com que Charles quisesse se distanciar da vida na fábrica não se importando em ganhar mais dinheiro e com sua posição de destaque.

Um outro ponto de atenção é a organização de Paul e Adeline que moram juntos, porém, não são um casal, não tem nenhuma intimidade. É uma forma de mostrar que os padrões tradicionais do casamento não eram seguidos por todos e um filme dessa época mostrar isso, é incrível. Sendo assim, passamos a entender que por essa mente mais aberta, que não se importa com os padrões e busca por outras mudanças, aproxima Charles muito mais da filha Marianne do que do filho ganancioso.

É um filme ‘antigo’, portanto, está em preto e branco dando ao longa um ar mais vintage e é marcado por muitos monólogos, diálogos filosóficos e muitas citações, que validam ainda mais a decisão de Charles viver uma vida alternativo ao lado de Paul e Adeline. Já a trilha sonora é bem combinada com os sentimentos de desconforto do personagem e quando mais intensa, mais é a sensação de aflição. Percebemos também que a câmera treme em algumas cenas que se equilibra numa mescla entre planos longos e planos curtos. O final é surpreendente e meio inesperado.

Algo muito interessante é que a produção aborda a crise existencial que podemos ver em outro filme de Tanner, Dans la Ville Blanche/ Na cidade branca, no qual o personagem principal também busca por uma liberdade que lhe foi privada. O longa faz parte do festival “Volta ao Mundo” que foi criado pelo Petra Belas Artes À La Carte para destacar a cinematografia dos mais diversos países ao redor do mundo.

E, para inaugurar a novidade, o streaming marca também a sua primeira parceria internacional exclusiva, com a Suíça, para a realização do festival com oito filmes produzidos no país. Realizada em parceria com a Swiss Film Foundation, “Volta ao Mundo: Suíça”, acontece entre os dias 6 e 19 de maio e reúne filmes raros e inéditos nos cinemas brasileiros, entre eles “Spagat” de Christian Johannes Koch.

Nota do Thunder Wave
É muito legal ver filmes que trazem um contexto social que instiga a desconstrução da sociedade e faz com que a reflexão sobre questões como crise existencial, busca por liberdade, entre outras questões que fazem conexão com o atual momento no qual estamos vivendo. É um ótimo entretenimento.

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