quinta-feira, 18, agosto, 2022

Crítica | Pânico 5

Uma Ressurreição Cheia de Autorreferências e Metalínguagem

O primeiro filme da franquia Pânico foi chegou aos cinemas no ano de 1996. Estrelado por Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquete, e dirigido pelo lendário Wes Craven (de A Hora do Pesadelo), Pânico deu um novo fôlego ao gênero do terror slasher em sua época, combinando-o com doses de humor e um inteligente jogo metalinguístico ao colocar em perspectiva os clichês do gênero, tornando-se um enorme sucesso mundial. Como é comum na indústria do cinema, seu enorme sucesso deu origem a uma franquia (com continuações de 1997, 2000 e 2011, e agora esta de 2022). Como é comum também em franquias, a recepção às continuações não foram tão calorosas quanto ao original. Embora o segundo ainda tenha sido recebido com algum entusiasmo, o terceiro já mostrava algum cansaço do público (e da crítica) com a fórmula, enquanto a tentativa de retomar a franquia em 2011 teve um desempenho também aquém das expectativas dos produtores. Agora, em 2022, uma época em que parece que o mundo do entretenimento se volta constantemente para os anos 90 e início de 2000, surge uma nova tentativa de revitalizar a franquia (dessa vez, sem Wes Craven). Será que ela teve sucesso?

Estamos novamente na cidade de Woodsboro, palco dos massacres perpetrados pelos assassinos que usaram a lendária máscara do Ghostface. E novamente essa máscara está sendo utilizada por um assassino que passa a perseguir um grupo de jovens. Estamos em terreno familiar para os fãs da franquia, algo que se torna ainda mais enfatizado pela presença de personagens clássicos da franquia, como Dewey Riley (agora aposentado como policial de Woodsboro), Gale Weathers (ainda a jornalista e escritora que teria atingido o sucesso com seu livro sobre os acontecimentos na pequena cidade) e claro, Sidney Prescott (que parece finalmente ter superado seu passado), aqui servindo de apoio para os novos protagonistas. Para reforçar ainda mais essa relação com o passado, todos os novos adolescentes tem alguma ligação, mesmo que tênues, com os crimes ocorridos nos filmes anteriores da franquia (algo que não chega a ser inverossímil, afinal, Woodsboro é uma cidade pequena…).

Crítica | Pânico 5 1
Pânico 5/ Reprodução

Talvez alguém possa achar que o filme é apenas uma repetição de uma fórmula já repetida à exaustão, mas é exatamente sobre isso que Pânico sempre foi: utilizar-se dessa fórmula típica do terror/suspense e colocá-la sob perspectiva, o que sempre acaba por gerar igualmente momentos de tensão e humor. Ou seja, é justamente o que os fãs da série Pânico gostam. Mas diferente dos outros filmes da franquia (com exceção dos dois primeiros), aqui há algum entusiasmo e cuidado ao trabalhar novamente esse conceito, gerando resultados muito melhores do que o terceiro e quarto filmes. Mas mais do que isso, toda ideia não é apenas retrabalhada, mas também atualizada de forma bastante competente, fazendo com que Pânico dialogue não apenas com os elementos típicos de filmes de terror, mas com o cinema atual (incluindo até o gênero conhecido como “pós-terror” nesse jogo), com a própria franquia e seus fãs (com alguns diálogos que parecem saídos diretamente de fóruns da internet). É praticamente impossível não identificar alguma das situações expostas no longa (e não se divertir com elas).

Nesse momento, em que os blockbusters parecem olhar cada vez mais para o passado recente (graças à nostalgia e às memórias afetivas daquela que é a geração economicamente ativa predominante atualmente), é difícil não fazer associações com outros lançamentos e se perguntar se esta não é uma tendência que se solidificará. Afinal, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa abraçou o seu passado para satisfazer seus fãs, enquanto Matrix: Resurrections o colocou em perspectiva para desconstruir algumas das principais ideias da franquia e recriá-la de em um novo contexto. Mas no caso de Pânico, essa é uma questão que ainda permite dúvidas, uma vez que essa tônica sempre existiu em seus filmes, eles sempre trouxeram a discussão sobre os clichês do terror. O que a última obra faz é principalmente atualizar essa perspectiva, além de ampliá-la um pouco para abarcar os fãs e a sua prórpia franquia, mas não é nada que fuja realmente dessa abordagem que existiu desde o primeiro lançamento de 1996.

Crítica | Pânico 5 2
Pânico 5/ Reprodução

Tecnicamente, o filme é competente em sua proposta, sabendo equilibrar bem humor e tensão (embora o lado humorístico e ácido esteja mais presente agora). Não é nada revolucionário, mas não é para ser também. É para ser um novo filme da franquia Pânico e o longa cumpre esse quesito com louvor, sendo com certeza melhor do que o terceiro e quarto filmes, e provavelmente supera o segundo também. O primeiro permanece imbatível, talvez apenas por ser o início de tudo, uma vez que, em uma análise fria, o último filme não fica tão atrás dele assim também. As atuações são competentes, o elenco jovem é convincente (com destaques para a carismática dupla de protagonistas Melissa Barrera e Jenna Ortega), os veteranos estão totalmente à vontade de volta aos seus papéis. E de resto, tudo o que se espera está lá. Sustos, tensão, mortes extremamente violentas e referências aos clichês dos filmes do gênero. Como Pânico sempre fez. E talvez os seus fãs não estejam pedindo nada além disso.

Nota do Thunder Wave
Pânico retorna trazendo todos os elementos que marcaram a franquia e promete agradar os fãs.
Escrito PorWilliam Wallce

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