Baseada nos quadrinhos homônimos escrito por Brian K. Vaughan e ilustrada por Cliff Chiang, Paper Girls é nova aposta original da Prime Video.

A trama um grupo de meninas, Erin (Riley Lai Nelet), Mac (Sofia Rosinsky), Tifanny (Camryn Jones) e K.J (Fina Strazza), que trabalham entregando jornal em 1988. Na manhã pós Halloween elas vivem um evento que irá mudar totalmente suas vidas: O céu começa a brilhar com luzes roxas como se o mundo estivesse acabando. Assustadas, elas correm em direção a casa de Erin, mas quando chegam lá encontram tudo diferente e uma mulher morando sozinha. De repente, Erin percebe que a mulher é ela mesma, mas adulta no futuro, em 2019. Sem saber o que está acontecendo, elas precisam desvendar esse mistério para poder voltar ao passado enquanto salvam o mundo do futuro.

O showrunner Christopher C. Rogers faz um trabalho interessante de adaptação, que promete agradar os fãs do quadrinho. Entretanto, a série não se passa na década de 80/90, como o início das HQ’s, rapidamente os acontecimentos são levados para o futuro. Em uma época onde produções que resgatam a nostalgia dessa época, parece uma escolha estranha, mas, segundo o próprio Rogers, o motivo é nobre, é evitar glorificar os anos 80 porque foi uma época difícil para muita gente, como a comunidade LGBTQI+.

Veja também: Resenha | Paper Girls – Brian K. Vaughan

Assim como na obra original, a série investe em representatividade, principalmente entre suas protagonistas. No auge de seus 12 anos, idade onde começam a entender seu lugar no mundo, as meninas formam um grupo eclético, com uma afrodescente, uma asiática, uma judia e uma “garota problema” que precisou se tornar forte por conta das dificéis condições de vida que teve. É interessante que, à sua maneira, elas são à frente do seu tempo mesmo antes de viajarem para o futuro, já que dominaram uma área de trabalho que era predominantemente masculina. A narrativa apresenta bem isso, mostrando o risco que correm e as medidas de segurança que precisam tomar para não serem abusadas em seu horário de serviço.

Crítica | Paper Girls- 1ª Temporada 1
Paper Girls/ Imagem: Amazon Prime Video

Apresentando uma trama simples, mas com várias camadas interessantes, Paper Girls usa a ficção para mostrar o crescimento e dilemas de quatro garotas totalmente diferentes, que são obrigadas a se unir por um bem maior. Colocando cada adolescente para conhecer seu “futuro eu”, a produção se torna um grande ensinamento psicológico, colocando em contraste direto os sonhos de infância com a realidade que o mundo te força a tornar e levanta a questão de quando as decisão começam a cobrar um preço caro a cada erro.

O elenco representa muito bem esses dilemas, dando vida aos personagens bem formatados no roteiro. O núcleo infantil faz um trabalho incrível de atuação, chegando a ofuscar as versões adultas em vários momentos. Elas carregam todos os acontecimentos mais dramáticos da trama com maestria, se destacando pela qualidade de atuação. Já o núcleo de apoio, que conta com “mocinhos” e “vilões” e algumas versões adultas que mudam conforme a história anda, não deixa nada a desejar, dando o apoio necessário para as cenas e entregando um belo serviço.



Paper Girls é uma série que agradará a todos os públicos, por abordar de forma inteligente como cada personagem é no passado e o que eles se tornarão no futuro, sem cair nas armadilhas cômicas e cheias de clichês com obras que seguem o mesmo tema.

Os 8 episódios da 1ª temporada de Paper Girls estreiam em 29 de julho no Amazon Prime Video.

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