sexta-feira, 24, setembro, 2021

Crítica | Ragnarok – 1ª Temporada

A série Ragnarok é uma produção de suspense e fantasia de origem norueguesa e dinamarquesa que estreou dia 31 de janeiro na Netflix. Criada por Adam Price e produzida pela SAM Productions, a trama tem como base a mitologia nórdica e conta a história de Magne e sua família que ao chegarem numa cidade fictícia chamada de Edda se deparam com situações misteriosas numa cidade tomada pela poluição.

Somos apresentados ao protagonista que é ema espécie de “Thor” teen mais reservado e com menos barba e é quase impossível não fazer comparações com os filmes de Thor da Marvel Studios, pior ainda se você é super fã do personagem. E se você ousou ao fazer isso, o resultado é surpreendente, pois percebemos o abismo de diferenças que circundam ambas as produções que possuem o único laço de semelhança: tem suas origens baseadas nas lendas escandinavas.

Ragnarok: 5 Motivos para assistir a série! - TriCurioso
Personificações a la Thor e Loki… até que convenceram um pouco / Reprodução Netflix

Inicialmente, vemos Magne, de volta com seu irmão caçula – ele parece o Loki-, e sua mãe para sua cidade de origem, Edda, e durante a viagem de carro, chegando a cidade, o garoto vê um idoso com dificuldade em se locomover e o ajuda. Uma senhora que testemunhou a situação, lhe toca o rosto num gesto de agradecimento por sua gentileza e a partir daqui, a vida de Magne muda e ele recebe poderes de ninguém menos que o Deus Thor. Isso tudo acontece logo nos primeiros 5 minutos de série ou menos e sem perder tempo, a produção já se encarrega de mostrar todos os personagens sem nenhuma cerimônia. Com isso, começamos a entender como será a dinâmica adotada pela série e como a trama central e a secundária se desenvolvem na obra.

Magne é um garoto introvertido e que possui poucos amigos e isso reforça ainda mais a exclusão por parte das outras pessoas e colegas da escola. A trama é bem rica em temas reflexivos e um deles é o foco secundário da série: a degradação do meio ambiente – diga-se de passagem, um tema mais que atual no mundo e no Brasil -. A produção aborda uma história legal, mas a forma como foi conduzida na base da lentidão do desenrolar dos fatos, faz com que a série deixe seu lado tedioso sobressair ao que poderia ser muito empolgante. Até os confrontos acontecem a largos passos de lentidão. Todavia, Ragnarok tem sua própria personalidade e foi uma sacada muito inteligente mesclar a devastação da natureza com o significado de Ragnarok – evento profético que representaria o fim do mundo, de acordo com a mitologia nórdica e aqui vemos o laço que liga os dois temas de forma quase que natural.

Ragnarok, série da Netflix inspirada na mitologia nórdica, tem destino  revelado
Magne é o herói, enquanto seu irmão caçula, Laurits, é o vilão/ Reprodução Netflix

Infelizmente, se juntando a lentidão da trama, as atuações também não são um ponto forte da trama. Por ser uma trama adolescente e muitos deles estão presentes, não apresenta nada de novo e o que foi apresentado não foi aprofundado. Somos apresentados ao bullying, as festinhas, aos populares e aos excluídos, quem é gay ou não, quem é virgem ou não, a mesma historinha triste de sempre e nada foi desenvolvido e, talvez, por isso, os personagens também foram abordados de forma rasa e superficial limitando o potencial talento que os atores possuem. Os jovens  David Sjøholt, Emma Bones, Theresa Eggesbø, Herman Tømmeraas e Jonas Strand Gravli não revelaram nenhum destaque em suas atuações. No entanto, seria uma falta de sensibilidade minha não perceber que através de um papel clichê, David que interpreta o herói Magne, se esforçou para entregar uma performance mais assertiva e de acordo com o personagem que lhe foi dado.

Apesar dos pontos negativos destacados anteriormente, a fotografia é linda. As paisagens são postas em evidência a todo momento e o foco da beleza está nas montanhas que entram em contraste com as águas. Quem está assistindo chega a um ponto de relaxamento que ao aproveitar a beleza das paisagens e da natureza, se esquece de que está assistindo a uma trama de fantasia que mescla mitologia, violência bem coreografada e um pouco de sangue. A trilha sonora também não fica atrás. Boa, por sinal. 

Outro ponto interessante é o início de cada episódio que traz algumas definições de figuras e momentos da mitologia nórdica para contextualizar o espectador. Os efeitos especiais são bacanas e apostar numa produção fora da vibe hollywoodiana é interessante, pois foge das tramas que sempre somos condicionados a consumir e assim descobrir outros mundo e outros universos. 

Nota do Thunder Wave
A produção tem alguns pontos negativos, porém, se você procura uma série com muitos conflitos a la Vingadores, esqueça. Essa série é de tom médio e ela não entrega mais do que poderia, mas mesmo assim entrega um bom entretenimento. Tem potencial para mais.

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