sexta-feira, 15, outubro, 2021

Crítica | Sob as Escadas de Paris

Longa francês estreia no dia 14 de outubro nos cinemas

O drama francês Sob as Escadas de Paris (Sous Les Étoiles de Paris), do diretor e roteirista Claus Drexel e estrelado por Catherine Frot (de sucessos como “Marguerite”, “O Reencontro” e “Quem me Ama, me Segue!”), será lançado no dia 14 de outubro exclusivamente nos cinemas brasileiros. Com distribuição da A2 Filmes, além de Catherine Frot, o filme traz as belas ruas da cidade de Paris como plano de fundo de uma emocionante história estrelada pelo ator mirim francês Mahamadou Yaffa (da série “Je Te Promets”), além de Jean-Henri Compère (“O Novíssimo Testamento”), Dominique Frot (“Mulheres Diabólicas”), Farida Rahouadj (“Por Amor ou Por Dinheiro?”) e grande elenco. É um longa que encanta, mas que cai no clichê do branco herói que poderia ser evitado.

Em Sob as Escadas de Paris somos conduzidos por um passeio pela capital francesa desconhecida por turistas. É a Paris dos marginais e excluídos que vivem escondidos nos subsolos ou nas barracas improvisadas nas ruas e aqui, os protagonistas vivem nesse submundo. A atriz Catherine Frot vive Christine, uma mendiga solitária e o ator mirim Mahamadou Yaffa é Suli, o filho de uma imigrante refugiada que foi presa e será deportada para a Áustria. Aqui as atuações são muito bem executadas e em alguns momentos tocam bem profundo.

Foto de Mahamadou Yaffa - Sob as escadas de Paris : Foto Catherine Frot,  Mahamadou Yaffa - AdoroCinema
Catherine Frot vive Christine, uma mendiga solitária e o ator mirim Mahamadou Yaffa é Suli, um pequeno imigrante que se perde de sua mãe / Reprodução

A produção entrega aquilo que promete. A sensação e a mensagem de solidariedade que se faz presente em detrimento do egoísmo é muito bonita, pois aqui e em qualquer outro lugar do mundo, quem não tem o suficiente ou quase nada para sobreviver não irá dividir com outro que esteja na mesma condição. Nesse caso, é a personagem Christine que rejeita fielmente a presença do garoto que como num conto de fadas surge na porta de seu esconderijo e por uma infelicidade, ela acaba perdendo seu único teto e assim como o pequeno Suli, passa a vagar pelas ruas parisienses. No entanto, ao se dar conta de que o menino não conseguirá sobreviver sozinho, Christine resolve ajudá-lo. Um instinto materno (re)surgir nela e em alguns flashbacks, vemos que ela também é mãe. Apesar de o filme não se aprofundar no que os distanciou, a cena da venda do amuleto evidencia o desejo de esquecê-lo.

Podemos perceber que o diretor alemão Claus Dexel, em seu segundo longa ficcional para o cinema, se dedicou em entregar um trabalho competente e favorecer os close-ups com o fundo mais desfocado, destacando os protagonistas, que são valorizados na trama. Porém, algumas cenas ganham um destaque maior devido às emoções do garoto que busca por sua mãe, como o momento em que ele vê uma mulher de vermelho que ele confunde com sua mãe e uma outra cena em que três mulheres atravessam a tela todas de preto. Mas a cena mais marcante é o reencontro do garoto com a mãe e a forma como Christine contempla tudo detrás da parede de vidro e a ausência de som acentua ainda mais a sensibilidade que o momento carrega.

Foto de Mahamadou Yaffa - Sob as escadas de Paris : Foto Catherine Frot,  Mahamadou Yaffa - AdoroCinema
Catherine Frot vive Christine, uma mendiga solitária e o ator mirim Mahamadou Yaffa é Suli, um pequeno imigrante que se perde de sua mãe / Reprodução

Por falar em silêncio, é algo que se faz presente no longa, pois inicialmente, Christine não fala muito e deduzimos que é pelo fato dela ter se isolado do restante do mundo e então passa a se expressar mais quando o garoto aparece. Além disso, Suli não fala francês, então a única palavra que ouvimos de sua boca é “Mama” e depois um “merci”. A comunicação aqui se dá a partir de olhares e gestos e em um momento específico, percebemos que Christine se mostra disposta, pela primeira vez, a cuidar do garoto e vemos isso na cena em que ela o protege do frio.

Embora Sob as Escadas de Paris não tenha o objetivo de se pautar pela causa da imigração, preconceito e etc, o longa mostra como os imigrantes sofrem preconceito na França. Logo nas cenas iniciais, um guarda maltrata o garoto, mas num outro momento quando Suli encontra um grupo de compatriotas de Burquina Faso, ele se sente aceito, acolhido, mesmo não os conhecendo. E nesse ponto é interessante ressaltar que ele não denuncia as ofensas e violências por parte dos parisienses, pois a sacada da direção foi justamente mostrar os refugiados habitando as margens da cidade que por si só, são imagens duras de se ver. No entanto, o fato de colocar uma pessoa branca tentando ajudar um garoto negro e imigrante a reencontrar a sua mãe cai num cliche que estamos comumente habituados a ver como o longa Rosa e Momo (2020). Mesmo assim, não decepciona, mas poderia ter ousado mais.

Nota do Thunder Wave
Sob as Escadas de Paris é um filme que cumpre sua missão e não desaponta. O título em sua versão original é mais poético e conversa de forma poética com a triste situação mostrada no longa. Por ser um longa que se apoia em grande parte no silêncio, é um filme que conversa com a nossa alma e a cena final é uma das melhores sequências do longa. Vale muito o entretenimento.

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