quarta-feira, 8, julho, 2020
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Crítica | Space Force

Se a nova série fosse um foguete... decolaria aos trancos e barrancos, mas chegaria a Lua

A nova trama lançada pela Netflix na última sexta-feira de maio, (29), a série Space Force, acompanha o general Mark Naird (Steve Carell), encarregado de liderar a mais nova divisão das Forças Armadas dos Estados Unidos: a Força Espacial. Numa base remota no Colorado, ele, o Dr. Mallory (John Malkovich) e uma equipe de cientistas e astronautas inexperientes recebem a missão urgente de pisar (de novo) na Lua e dominar o espaço.

Mas antes de chegar com os pés na Lua, vamos recapitular umas coisinhas. A Força Espacial, é um projeto criado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como um braço do serviço militar que tem como objetivo garantir a soberania além da Terra. Sim, a ideia é surreal e ficção ou não, o time por trás da série The Office não brinca em serviço e já fez a sua contribuição para a streaming dessa empreitada um tanto maluca.

O recente projeto de Carell com o criador Greg Daniels, cuja parceria já rendeu a citada The Office, não surpreende e só gerou expectativas. A ideia é legal, porém mal desenvolvida. O elenco principal, encabeçado também por Don Lake, Ben Schwartz, Tawby Newsome e Jimmy O. Yang, até rende boas risadas e boas cenas, mas a presença das tramas secundárias, só atrapalham o fluxo da série.

A série é um “tour” pelo cotidiano dos astronautas e dos cientistas que tem como missão pisar na Lua novamente. A relação entre os personagens Naird e Mallory é algo bem desenvolvido e que no decorrer da trama é construída de forma natural e divertida e que, de certo modo, sustenta boa parte da temporada. Outra parceria interessante é a amizade entre a piloto Angela (Newsome) e o cientista (Yang) que ganha grande destaque no final da trama.

O cotidiano é cheio de “desventuras”. Já no inicio podemos ver a empreitada do chimpanauta incumbido de consertar o satélite Epsilon 6 (o investimento bilionário de Trump) e acaba sendo raptado pelos chineses. A visita intima entre Naird e sua esposa é uma verdadeira missão impossível que rende um momento interessante no oitavo capitulo. Abre espaço para se discutir a vida de um casal separados pela prisão e outras possibilidades de relações não heterossexuais. Outro ponto belíssimo da série é a performance de ‘Kokomo’, dos The Beach Boys. É fato que houve preocupação da produção em nos entregar cenários muito bem feitos e ricos em detalhes e um figurino excepcional.

Apesar de todos esses aspectos, a produção não se sustenta apenas nisso. Embora Naird esteja se esforçando para criar a filha adolescente que diga-se de passagem, não sofreu nenhum desenvolvimento na história, permanecendo no estereotipo parado de adolescente rebelde, tentando sustentar um casamento com a personagem de Lisa Kudrow, que está presa e em nenhum dos episódios é explicado o motivo de sua ausência. E mesmo estando a frente de um projeto complicadíssimo, o personagem de Carell precisa mais do que um sorriso e um discurso cativante para impressionar o público.

Por fim, as maluquices do governo norte-americano, os jogos políticos e a colonização lunar sejam palco para o pitoresco Space Force, é necessária uma trama mais coerente e que de fato entregue uma boa produção. Não basta um elenco brilhante, uma equipe bem preparada e efeitos incríveis, se o roteiro não consegue amarrar e entregar uma série a altura de todos esses aspectos citados anteriormente.  Assim, como The Office, que precisou de mais de uma temporada para mostrar o seu potencial, com a série espacial não será diferente. Será que a Netflix dará essa segunda chance?

Nota do Thunder Wave
Space Force tem potencial e se for para decolar que seja para o alto e avante e não aos trancos e barrancos.

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