sábado, 19, junho, 2021
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Crítica | Sweet Tooth

É a mais nova fantasia da Netflix e está imperdível!

A ficção imita a realidade? Será? A nova sensação da Netflix nos apresenta Sweet Tooth, uma trama que gira em torno do menino híbrido Gus (Christian Convery) que, após viver 10 anos isolado com seu pai Richard (Will Forte) numa área florestal de Yellowstone enquanto o mundo acabava ao seu redor devido a um vírus que se alastrou e causou uma pandemia como a que vivemos hoje, ele sai de lá ao lado do sisudo ex-jogador de futebol americano Tommy Jepperd ou “Big Man” (Nonso Anozie) em uma jornada para achar sua mãe, além da busca por respostas, tanto aquelas relacionadas ao surgimento do vírus H5G9, causador da doença Flagelo, juntamente ao aparecimento dos bebês híbridos – metade animal, metade humano -,e nós embarcamos nessa aventura emocionante, fofa, porém, sombria.

Inicialmente, a dupla formada por Gus e “Big Man” tem aquela vibe buddy cop. Como assim? As produções buddy cop são tramas de ação e/ou comédia policial cujo foco é uma dupla disfuncional que precisa trabalhar junto e vencer as diferenças por um bem maior. E sempre no final da trama a relação que evoluiu continua e aqui em Sweet Tooth Gus e Big Man tem essa química. De uma lado, Gus, um garoto que enxerga tudo com inocência e encantamento a cada passo além da redoma que estava acostumado sendo uma descoberta e um assombro, mas algo lindo nesse personagem é a sua postura otimista que faz parte do seu processo de amadurecimento.

Sweet Tooth – Primeira Temporada | Crítica - NerdBunker
Gus e Big Man/Tommy/Jepperd desenvolvem um lindo laço de amizade / Reprodução

“Se conseguimos ver além do medo, descobrimos o que realmente importa… E aprendemos que, às vezes, aquilo que nos separa, também pode nos unir, porque nós formamos a nossa família. Cada um de nós: juntos!” – Narrador (JAMES BROLIN DE CASTLE)

Do outro lado, temos Big Man/ Tommy/ Jepperd/Jep como o grandão ranzinza que carrega o peso da culpa por atos passados e que aos poucos tomamos conhecimento. Mas no fundo ele tem um bom coração e fará de tudo para proteger Gus. No decorrer da produção, vemos que a cumplicidade, o companheirismo e a lealdade foi desenvolvida aos poucos numa narrativa que flui e envolve, além de emocionar, é claro. Inicialmente, não sabemos o motivo de Big Man ser tão carrancudo e se deixar afeiçoar por Gus, mas tomamos conhecimento que ele era jogador de futebol americano, era casado e pai de uma criança, porque a sua esposa, em meio à loucura da pandemia, deu à luz a um bebê híbrido. Quando soube que seu filho era uma criança hibrida, Big Man ficou transtornado, mas em seguida ele voltou para ver o filho. Infelizmente, mãe e filho sumiram. Logo, entendemos a afeição ao Gus, na verdade, Big Man tenta protegê-lo como se fosse o seu verdadeiro filho, apesar de todas as travessuras e teimosias do garoto-cervo.

Outra amizade formada foi com a jovem Bear/Becky/Rebecca Walker (Stefania LaVie Owen), líder de um “exército” que protege os híbridos dos humanos de todo e qualquer mal. A personagem acaba saindo do grupo que liderava devido a uma briga com os demais subordinados a ela. Aqui, esse “exercito” não funcionou bem, não tem uma liga, é meio destoante da vibe que a trama carrega. Ela tem um passado complicado e triste também e na trama vemos que ela ocupa uma posição de irã mais velha. Ela é forte, decidida, mas é uma garota perseguida por medo de perder tudo novamente e isso faz com que ela se afaste de alguns personagens. Outro evento fora da curva narrativa é o casal que, no segundo episódio, ajudou os nossos forasteiros. De fato, eles serviram de ponte para acolhê-los, mas a amizade construída com o filho do casal foi tão real, que deixou na expectativa de a mesma ser retomada, mas acredito que não a veremos tão breve.

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Bear e seu exército vestido de animais para proteger os híbridos / Reprodução

Quando Gus e Big Man se unem a Bear, a adolescente revoltada e ex-líder do exército de jovens vestidos de animais, a trama fica mais divertida já que a garota odeia adultos e quer proteger Gus de todo jeito, sempre desconfiando de Big Man, mas logo ela percebe que nem sempre tudo é branco ou preto, existe espaço para o cinza – pense nisso?! O trio que tem na sua base algumas brigas e desentendimentos, cria a essência, a alma de Sweet Tooth que, aliás, é o apelido de Big Man para Gus, por ele ser uma formiguinha, guloso por doces, funcionando muito bem juntos quanto separados já que a temporada oferece boas subtramas que aconteceram antes, mas que são reveladas em cenas e episódios específicos e um ponto mais que positivo é o uso de flashbacks que não pesam na narrativa.

“De fato, há momentos na vida em que o Tempo é gentil conosco: quando nos dá um segundo a mais, um minuto a mais, um momento a mais com aqueles que amamos.” – Narrador (James Brolin de Castle)

O roteiro de Jim Mickle consegue envolver e isso mostra que ele soube trabalhar entre o mal e o bem sem romantizar e sem excessos ou apelação. Percebemos que tudo ao redor de Gus é permeado de paz, ternura e amor, pois ele é um garoto especial e será tarefa dele salvar o mundo. Além disso, tomamos conhecimento de que ele não foi gerado de forma comum. Seu nome GUS – é uma abreviação da sigla G.U.S. 1., que possui significa Genetic Unit Series 1 (tradução livre, Unidade Genética Série 1). E a trama não entrega isso logo de cara o que foi muito bom, pois quando Gus descobre, vê-lo triste e com raiva por ter sido enganado, sentindo-se desamparado, sem pai, sem mãe, faz com que o arco do personagem seja mais interessante, afinal, ninguém é calmo o tempo todo, certo?!

Pode parecer bizarro essa semelhança, mas vemos que na série é feito experimentos com os híbridos e quando eles são capturados, eles são encaminhados para serem dissecados e tal, pois acreditam que os bebês híbridos são os causadores da desordem pandêmica. E essa questão deles terem sidos usados como cobaias para experimentos cruéis, nos lembram aos judeus na época do nazismo em que muitos eram submetidos a vários experimentos. Outro detalhe interessante é que por meio de um dos flashbacks, vemos um laboratório com ovos de galinha e se você assistiu a série documental A Corrida das Vacinas (2021), do Globoplay, observou que a pesquisadora Natália Pasternak explica que a vacina contra a Covid-19, que está sendo feita pelo Instituto Butantan, em São Paulo (SP), será feita a partir de ovos de galinha. Legal, né?! Ficção e realidade andam de mãos dadas. E nos resta o questionamento: será mesmo que eles têm alguma parcela de culpa? Onde está a origem do vírus e dos bebês? Temos uma suspeita no final da série, mas só uma sequencia poderá confirmar.

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Muitos bebês nasceram assim, mas Gus foi um o primeiro bebê híbrido de proveta / Reprodução

“Não faça uma pergunta se não quer saber a resposta!” – JEPPERD, Tommy.

A bela fotografia dos cenários e das paisagens da Nova Zelândia (Oceania), país escolhido para a rodagem das cenas é ressaltada aqui pela vivacidade das cores sempre numa pegada alegre. O trabalho de Robert Downey Jr. nosso eterno O Homem de Ferro, como o produtor executivo está incrível. Além dele, a sua companheira de vida e dos bastidores, Susan Downey, concomitantemente à equipe de roteiristas. Toda a equipe de direção e roteiro trabalharam muito bem. Conseguimos sentir a mensagem final de esperança e de amor que foi parte intrínseca em todos os momentos, é claro que isso aconteceu devido ao tom mais alegre e fantástico escolhido para a adaptação, pois a obra original homônima, criada por Jeff Lemire (Homem Animal), em 2009, pela Vertigo, uma subdivisão da DC Comics, tem uma pegada mais dark e violenta.

No quesito vilões… dava para ser melhor. Aqui somos apresentados aos Os Últimos Homens que caçam os híbridos sob o comando do General Steven Abbot (Neil Sandilands). O personagem, sempre de roupas escuras, óculos vermelhos chamativos e uma barba grande, parece assustador, mas suas falas não exalam medo. Isso faz com que ele seja mais uma caricatura do que de fato, um bom vilão. Sua “crueldade” estava apenas no que fazia como o sequestro das criaturas fofas para dissecação até encontrar uma possível cura da doença e exterminação. Mas faltou tempero nesse careca barbudo, mal desenvolvido. Mas podemos entender que os seres híbridos tiveram um destaque, ao terem sido representados como os excluídos e, talvez, por isso, a maldade aqui não ficou tão explicita. Também até mesmo para não ficar sombria, pois se trata de uma fantasia.

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O vilão está fraquinho, poderia ter um arco melhor / Reprodução

Os secundários são mostrados no decorrer da narrativa que, no final, se conectam por conta da captura das crianças hibridas como o Dr. Aditya “Adi” Singh (Adeel Akhtar), ao lado de sua esposa, Rani Singh (Aliza Vellani), e mostra que ele abandonou a sua profissão de médico depois que o Flagelo foi disseminado e atacou a sua mulher. Desde então, ele só pensa em cuidar de Rani, mas acaba sendo surpreendido pelo vilão, o General, que deseja uma única cura da doença, por meio de uma vacina, pois uma nova onda de contaminação é iminente (coincidência ou não, o Brasil está no mesmo caminho). Ele agora está entre a cruz e a espada, pois será que ele conseguirá produzir a substância? Será que ele seria capaz de resistir em não matar os híbridos? Será que a ética dele foi corrompida? O General desconhece é um homem de gelo, embora não seja tão assustador, ele desconhece a moral e a ética. é inexistente. Outra personagem interessante, Aimee que, após ter ficado confinada longos meses para se proteger do H5G9, descobre o verdadeiro propósito da sua vida: A Reserva – local para abrigar os híbridos.

Terminando e não menos importante foi o surgimento da “mãe” de Gus, Birdie (Amy Seimetz), estando no Alasca. Desde o começo vemos uma busca desenfreada por ela e somos induzidos a pensar que ela está morta, quando não está. Ela atendeu ao walkie-talkie de Bear, servindo de gancho nos minutos finais, o famoso cliffhanger, para uma possível e obrigatória segunda temporada. Além de tudo isso, a série entrega uma trilha sonora incrível que passa por Ludwig van Beethoven a Blondie numa caracterização que apresenta uma história em road movies, na qual os protagonistas sempre estão em movimento em um território físico, ao mesmo tempo em que a narrativa também tem o seu seguimento. Vale a pena conferir Sweet Tooth.

Nota do Thunder Wave
É linda na sua fotografia, nos efeitos, na trilha sonora, na escolha do elenco e principalmente na mensagem que se propõe a entregar. É na ternura das crianças que vemos o otimismo, a positividade e a esperança de um mundo melhor. Com alguns escorregões que podem e devem ser concertados, a série encanta, emociona e entretém. Vale muito a pena!

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