quinta-feira, 15, abril, 2021
InícioSériesCríticasCrítica | The Killing – 3ª temporada

Crítica | The Killing – 3ª temporada

A série deixa todas do gênero comendo poeira pelo show de atuações e pelas surpresas pregadas pela narrativa

Essa terceira temporada é como um novo começo para Linden e Holder. Com o caso de Rosie Larsen solucionado no final da segunda temporada, vemos que a detetive Sarah Linden (Mireille Enos) foi do céu ao inferno diversas vezes e em alguns momentos sendo resgatada pelo parceiro, Stephen Holder (Joel Kinnaman), que também foi resgatado do poço por ela. Consequentemente, Linden decide sair da policia em busca de uma vida mais calma e Holder, ao contrário, agora tem um propósito na vida e segue em frente em sua carreira de forma mais honesta.

Crítica | The Killing – 3ª temporada 1
Linden retorna para a policia após um período sabático/ reprodução

Após a série sofrer um cancelamento pela AMC no final da segunda temporada, a série retornou com a terceira temporada. Houve uma negociação entre a Fox e a Netflix, e um novo caso surgiu, porém, não se trata de uma história com ponta solta e independente. Na passagem de tempo, vemos que passou-se um ano e Holder e Linden vivem vidas diferentes das que conhecemos anteriormente. Holder tem um novo parceiro que já é experiente, o detetive Carl Reddick (Gregg Henry) e Linden trabalha no porto, tem um namorado, uma casa meio bucólica em uma ilha e uma alegria que pouco tem a ver com ela.

Leia também Crítica | The Killing – 1ª temporada

Aqui a receita não muda muito. Percebemos que alguns aspectos das temporadas anteriores se fazem presente nessa temporada. O roteiro traz de volta um fantasma que assombra Linden e esse mesmo fantasma faz parte desse novo de assassinato de jovens prostitutas que Holder, acidentalmente ou não, faz a conexão com o modus operandi do assassinato que foi o responsável pela ida de Linden ao sanatório referenciado nas temporadas anteriores.

Deixando a vida tranquila para trás que se forçou a viver, Linden retorna para a sua verdadeira vida. Ela é uma policial e não deixará de ser. Ela é obstinada, dedicada e obsessiva. Essas são as suas características. Esse um ano que ela esteve morando na ilha, não passou de uma fuga, uma forma de se ver na normalidade imposta pela sociedade. No entanto, sua personalidade forte e a dúvida sobre possibilidade do assassino atual ser o mesmo que ela perseguiu alguns anos antes foi o que a fez voltar, atuando ao lado de Holder e trabalhando sob a chefia de James Skinner (Elias Koteas), seu ex-parceiro de trabalho da época em que ela investigou o assassinato que a deixou desequilibrada. Aliás, ela teve um “affair” com Skinner.

The Killing (3ª Temporada) - 2013 | Filmow
Peter Sarsgaard é Ray Seward, um prisioneiro que vê a vida por um fio no corredor da morte / Reprodução

Esse “come back” ao passado visto em algumas cenas nas temporadas anteriores é um ponto positivo. A ideia é genial e traz coesão à produção. Nada de um assassinato novo e aleatório. Existe, na cabeça de Linden uma evidente ligação, mas uma conexão que ela não consegue constituir, especialmente porque a sua antiga investigação chegou à uma resolução e o assassino foi preso e se encontra, agora, no corredor da morte, há 30 dias de ser morto. E nessa trama paralela, um mês antes de Ray Seward, interpretado BRILHANTEMENTE por Peter Sarsgaard, é a pérola da temporada. Linden e Holder estão muito bem em cena, mas Ray Seward é quem rouba os holofotes. Agora, na corrida contra o tempo, Linden e Holder tentam evitar a sentença de Seward e encontrar o verdadeiro assassino, porém, a possibilidade quase que mínima de um caso estar ligado ao outro dificulta as coisas.

Leia também Crítica | The Killing – 2ª temporada

Em paralelo a investigação e o corredor da morte, somos apresentados a vida real das ruas. Uma realidade assustadora, cruel, fria, rodeada pelo desprezo e pela pobreza. Vemos meninos e meninas se prostituindo por dinheiro para sobreviver. Jovens que por algum motivo fugiram de seus lares e que encontram apoio entre elas e nas poucas pessoas que tentam ajudá-las. Nessa temporada, a chuva sai de cena, isso faz com que a atmosfera mais pesada seja difícil de engolir.

Crítica | The Killing – 3ª temporada 2
Meninos e meninas que se prostituem para sobreviver / Reprodução

Essa temporada traz a essência da primeira temporada. Não foi apenas Peter Sarsgaard que brilhou nessa produção. A jovem atriz Bex Taylor-Klaus, fazendo o comovente papel da jovem prostituta masculinizada Bullet, que tenta se aproximar de sua paixão Lyric (Julia Sarah Stone) ao mesmo tempo que se mostra forte e inteligente, criando um laço de amizade forte, porém, hesitante com Holder. E vemos algo se repetir na obra, o núcleo em três focos. A fotografia com tons de cinza, carga emocional muito intensa, alguns personagens lutando para sobreviver, para sair das ruas, contra a insegurança e contra a loucura, além da própria luta pela sobrevivência.

E em meio a esse caos, vemos Enos e Kinnaman com atuações de dar inveja e formando uma excelente dupla de detetives que pouco vemos por aí. Temos a certeza de que são personagens falhos, que pouco se expressam ou demonstram sentimentos, mas que nós sabemos que, por detrás da casca grossa de cada um, existe um mar de emoções escondidas. Peter Sarsgaard também está maravilhoso como o prisioneiro Seward que caminha para a morte. Mas esse personagem é intrigante, ele mexe com quem assiste e faz com que a gente sinta dor, embora ele seja um assassino, um homem agressivo e temos noção disso nas cenas em que ele se mostra insano… uma prova disso é a morte por enforcamento que ele pede no lugar da injeção letal. Além de outros momentos mais terríveis e vemos a sua queda livre, devagar e dolorosa que causa angustia não apenas a ele e aso que estão ao seu redor, mas ao espectador também.

The Killing, Sarah Linden e as mulheres complicadas da TV | Valkirias
Linden e Holder trabalhar de forma árdua para solucionar o caso do Flautista/ Reprodução

Apesar de voltar com folego, The Killing escorrega em alguns pontos. O storytelling é meio complexo, problemático, com fatos desconexos e trazendo algumas tramas que não cabiam como mostrar demais às vidas dos carcereiros do corredor da morte que, por diversos momentos, parecem estar lá unicamente para servir de enchimento de linguiça. Porém, a partir da segunda metade da temporada é que vemos uma coerência mais equilibradas. Mas os momentos no corredor da morte, exige paciência e compreensão mesmo com o trabalho impecável de Sarsgaard.

O ponto positivo da trama é a resolução da trama de forma orgânica e se resolve nessa temporada. A temporada tem um ritmo muito bom, aqui não vemos a passagem de tempo de um episódio por dia, e sim saltos temporais que ajudam a fluidez da narrativa e fazem com que o espectador não morra de ansiedade antes do caso ser resolvido. Ressalto que a descoberta do assassino é surpreendente, pois ninguém acreditaria que tal personagem fosse capaz de fazer algo assim. Infelizmente, uma personagem carismática teve um fim que, talvez, por um segundo qualquer poderia ter sido diferente, mas não foi. Ela terminou da mesma forma que a série começou, num porta-malas de um carro.

Nota do Thunder Wave
A série retorna com o tom da primeira temporada. Agora mais focada em não criar tantas barrigas que não acrescentam nada e com um tom mais fúnebre, melancólico, devastadoramente assustador e emocionalmente intensa. Um show de atuações e o episódio "Six Minutes" é a prova da excelência dessa temporada. Vale com total certeza o entretenimento.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui

Siga nossas redes sociais

6,918FãsCurtir
3,084SeguidoresSeguir
4,323SeguidoresSeguir

Análise | CorelDRAW Graphics Suite 2021

0
O Corel 2021 da suíte de design gráfico profissional chega ao mercado pronta para atender às demandas do trabalho remoto, com especial foco em flexibilidade, mobilidade, produtividade e colaboração.

The Walking Dead | Cena de momento íntimo causa nojo nos...

0
Cena de momento íntimo entre Negan e Alpha causou reações negativas nos fãs de The Walking Dead. Veja.
Crítica | The Killing – 3ª temporada 9

Um adeus a Merlin

pt_BRPT_BR
Thunder Wave-Filmes, Séries, Quadrinhos, Livros e Games Thunder Wave