sexta-feira, 1, julho, 2022

Crítica | The Promised Neverland

A adaptação cinematográfica de The Promised Neverland só não é melhor, não pelo que ele apresenta, mas pelo que deixa de apresentar e que, neste caso específico, acaba por fazer falta para quem se interressa em conhecer a história a fundo.

The Promised Neverland (a tradução apropriada seria “A Prometida Terra do Nunca”, mas optou-se por não traduzir o nome para o português na exibição nacional), do diretor Yûichirô Hirakawa, é uma adaptação do mangá de autoria de Kaiu Shirai e Posuka Demizu, que também foi adaptado para anime (disponível no Brasil).

Obra de sucesso no Japão, principalmente por sua trama bastante intrigante e com uma duração bastante longa (de 2016 a 2020, algo pouco impressionante no mundo dos mangás, mas que definitivamente traz muito material para ser adaptado em filme), algo que poderia ser um problema para uma versão cinematográfica de cerca de duas horas. Mas do que estamos falando, exatamente?

A obra é centrada em um estranho (e enorme) orfanato, onde muitas crianças de diversas origens étnicas são criadas com uma vida bastante feliz e confortável, mas estranhamente, praticamente sem contato com o mundo exterior, mesmo que à distância (todo o perímetro do orfanato é cercado por um enorme muro).

Quando uma delas é adotada, ela nunca escreve de volta para seus amigos, apesar de essa ser uma promessa que seja feita de forma recorrente. Adicionalmente, a vida no orfanato oferece a tais crianças uma educação bastante exigente, cheia de testes físicos, mentais e intelectuais, quase como se houvesse um esforço para que elas atingissem o ápice de suas capacidades.

Tudo muda quando Emma e Norman, dois dos orfãos mais velhos, presenciam algo que revela um segredo sombrio sobre a relação entre o orfanato e o mundo exterior. A dupla se junta a Rey, um órfão que é um prodígio pela sua genialidade, e os três se dedicam a tentar fugir do destino que os aguarda, mas sempre temendo serem descobertos pela vigilância ostensiva de Mama Isabella e da Irmã Krone.

O filme é excelente em praticamente todos os aspectos técnicos. As locações e cenários são mais do que apropriados e trazem perfeitamente bem a dicotomia do sonho idílico que as crianças vivem no orfanato e o pesadelo que as aguarda fora dele. O CGI e demais efeitos especiais são usados em poucos momentos, mas sempre com extrema competência, trazendo uma sensação inegável de estranhamento (no bom sentido, uma vez que era nitidamente este o objetivo).

O elenco talvez precise de um pouco mais de ressalvas, mas nada que seja supreendente quando lembramos que estamos falando de um grupo principalmente infantil (contudo, os protagonistas Minami Hamabe e Rihito Itagaki realmente se destacam entre os demais). Quando falamos do elenco adulto a situação muda completamente, e Keiko Kitagawa e a comediante Noemi Watanabe entregam um trabalho excelente, principalmente com suas personalidades totalmente opostas.

Um aspecto que talvez passe despercebido para o público japonês, mas que é facilmente notado (ainda que não necessariamente criticado) é a questão da diversidade, uma vez que os personagens são etnicamente diversos na obra original, mas provavelmente não seria fácil reproduzir essa diversidade em um filme produzido totalmente no Japão (e isso é completamente compreensível, mas que pode incomodar alguém).

Talvez o maior ponto de controvérsia esteja na tentativa de condensar uma trama muito ampla e com muitos desdobramentos em um filme de 2 horas. Fica nítido em vários momentos que haveria muito mais a ser dito ou explicado sobre determinados aspectos do roteiro, mas que não ocorreu pela falta de tempo hábil, algo que certamente não ocorre no anime ou no mangá.

São escolhas que os responsáveis pelo roteiro da adaptação obviamente precisaram fazer, mas não são algo cuja falta não seja sentida. E isso acaba sendo uma pena, pois é interessante como o filme consegue oscilar de uma fábula infantil com elementos de terror para momentos de drama e carregados de emoção.

O filme só não é melhor, não pelo que ele apresenta, mas pelo que deixa de apresentar e que, neste caso específico, acaba por fazer falta para quem se interressa em conhecer a história a fundo. Mas ainda é uma experiência bastante interessante de se assistir e que ao menos instiga a procurar o mangá ou o anime para se inteirar melhor de tudo.

Por: William Wallace

Nota do Thunder Wave
A adaptação cinematográfica de The Promised Neverland só não é melhor, não pelo que ele apresenta, mas pelo que deixa de apresentar e que, neste caso específico, acaba por fazer falta para quem se interressa em conhecer a história a fundo.
Escrito PorWilliam Wallace

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