Crítica | Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo

O Início de uma Nova Fase da Turma da Mônica nos Cinemas

Qualquer tentativa de falar sobre a relevância da obra de Maurício de Sousa na cultura brasileira é chover no molhado. Os personagens da Turma da Mônica, ao longo dos seus mais de 60 anos de história, se tornaram ícones para pessoas de diferentes gerações no nosso país. Um sucesso tão grande e longevo certamente se expandiria um dia para outros tipos de mídia, dentre elas o cinema. E foi exatamente o que aconteceu, trazendo ao público os elogiados Turma da Mônica: Laços (2019) e Turma da Mônica: Lições (2021).

O novo filme produzido pela MSP, com direção de Maurício Eça, não tem uma ligação direta com os anteriores, contudo. A nova (e ousada) proposta deixa de lado as narrativas clássicas e voltadas para a infância da turminha mais conhecida do Brasil, mas se envereda pelos caminhos da Turma da Mônica Jovem, em uma nítida tentativa de atingir o público adolescente. Mas será que essa arriscada abordagem trouxe resultados positivos?

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Em Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo, Mônica e seus amigos chegam ao ensino médio (com direito a um cameo do próprio Maurício de Sousa, que parece decidido a se tornar o que Stan Lee foi para os filmes da Marvel), em uma nova escola e com novos desafios. Um deles envolve a ameaça de venda do museu do bairro do Limoeiro, o que faz com que todos se envolvam em uma tentativa de salvá-lo. Este é o estopim para que os jovens caíam em uma trama cheia de fantasia envolvendo a passagem de um cometa e uma antiga lenda urbana local: o temido Cabeça de Balde.

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Imagem: Imagem Filmes

A Turma da Mônica Jovem surgiu em 2008, como uma forma de adaptar personagens tão icônicos para um público infanto-juvenil. Suas histórias, que possuem uma influência clara dos mangás japoneses, envolvem questões relevantes para os jovens, tais como o amor, a escola, as amizades, mas muitas vezes se utilizando de elementos fantásticos e mágicos para abordá-los. Apesar de enfrentar alguma resistência inicial, a série se tornou um enorme sucesso, sofrendo atualizações regulares dos seus temas, e hoje pode ser considerada quase tão relevante quanto a sua versão clássica. 

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Não seria justo comparar este novo filme com as produções anteriores da Turma da Mônica, mas fica a dúvida se a troca realmente era necessária, uma vez que os atores estabelecidos nos filmes anteriores (o último lançado em 2021) já poderiam se encaixar bem em uma versão jovem dos seus personagens infantis. Uma escolha controversa, mas que não nos cabe aqui comparar os dois elencos. É necessário encarar essa produção como algo diferente das anteriores, sendo melhor vista como um novo início para a turma.

E talvez por ser justamente um recomeço, o filme derrapa em alguns pontos. Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo busca adotar o teor das HQs, tratando de temas válidos para os jovens, como a amizade, a perda da identidade, a atuação social para a preservação do patrimônio, tudo isso unido a uma generosa dose de fantasia. E embora seja possível perceber a dedicação e as boas intenções colocadas no roteiro e direção, também é difícil deixar de notar certa inconsistência. Há momentos em que poderia haver um melhor cuidado nesses aspectos, o que acaba retirando algo do peso que as cenas poderiam trazer, além do uso recorrente de soluções fáceis para a trama.

O elenco, no geral, entrega o trabalho esperado para atores tão jovens. É possível ver alguma falta de firmeza e segurança e hesitação em alguns momentos (algo que poderia ser minimizado com um cuidado maior da direção). Mas é possível apontar alguns destaques, como Sophia Valverde (Mônica), Xande Valois (Cebola), Theo Salomão (Cascão), Carolina Amaral (Denise), além de Mateus Solano (como o divertido professor Licurgo, uma versão menos louca do popular personagem Louco das HQs).

Crítica | Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo 2
Mateus Solano – Imagem Filmes

É verdade que outros personagens poderiam ser melhor aproveitados. Vários outros membros da turma estão presentes, alguns até com certo destaque (como a Magali de Bianca Paiva; a Milena de Carol Roberto; ou o DC de Yuma Ono), enquanto outros aparecem muito pouco ou até mesmo são difíceis de identificar ao longo do filme. Talvez ter escalado tantos personagens tenha sido um erro, uma vez que a maioria deles apenas faz um cameo, mas pelo menos podem aparecer mais no futuro.

Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo é uma aposta ousada, uma vez que foge completamente dos filmes de sucesso (que foram de inegável sucesso). Por andar por novos caminhos, alguns tropeços ocorreram, mas o resultado final ainda pode agradar ao público infanto-juvenil. Seu objetivo é iniciar uma nova fase de filmes baseados neste universo fantástico e tão enraizado no nosso imaginário. A cena pós-créditos já deixa claro um dos prováveis elementos presentes no próximo longa. Vamos torcer.

Nota do Thunder Wave
Escrito PorWallace William

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