Filmes Críticas

Crítica | Vai Dar Nada

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Estreando com longas nacionais, a Paramount+ lança a comédia Vai Dar Nada, primeiro investimento do streaming rodado no Brasil.

O divertido roteiro de Guel Arraes e Jorge Furtado apresenta uma trama leve, mas muito bem amarrada focada em Kelson (Cauê Campos), um jovem ladrão de automóveis que em um dos seus trabalhos usa sua moto para escapar da polícia e acaba causando a prisão do perigoso bandido Brasilite (Heinz Limaverde). Sem saber da gravidade de suas acões, Kelson segue sua vida normalmente em busca de uma moto mais potente para continuar seus “trabalhos” e de quebra conquistar Neide (Fernanda Teixeira).

Ele acaba encontrando um bom esquema ao comprar uma nova moto de Fernando (Rafael Infante), um golpista casado com Suzi (Katiuscia Canoro). Acontece que ela é uma policial que participa dos seus esquemas e conseguiu a moto apreendida de Brasilite. Quando ele sai da prisão e quer sua moto de volta, o casal precisa se virar para despistar tanto a polícia quanto o ladrão.

Rafael Infante em Vai Dar Nada / Imagem: Paramount+

Girando em torno de assaltos e motos, a história começa simples e divertida, crescendo gradavitavemente conforme os núcleos se unem ao decorrer dos acontecimentos. A ótima escrita de Gael e Furtado, que também assume a direção, coloca todos os personagens em uma teia bem bolada que cresce os riscos e recompensas, sempre de uma maneira bem humorada.

Fernando é apaixonado por Rebeca (Jéssica Barbosa), irmã de Kelson, e quando as coisas com Suzi vão mal, ele utiliza sua lábia para tentar conquistar a moça. Por sua vez, Rebeca trabalha com a advogada Marcia (Kizi Vaz), que é apaixonada por ela e obrigada a assumir os trambiques legais de um possível relacionamento entre os dois, enquanto tenta ajudar Kelso a fugir, que agora usa também a ajuda de Suzi.

É essa trama cruzada que torna o longa envolvente durante suas duas horas de duração, impressionando com a qualidade do trabalho de diálogo, sempre bem antenado e engraçado, enquanto não deixa nenhuma ponta solta, tudo que é exposto é resolvido nos mínimos detalhes.

Cauê Campos em Vai Dar Nada / Imagem: Fabio Rebelo

Mesmo com a qualidade sendo o grande ponto, o destaque da produção é a representativade. Jorge e Gael partiram da ideia de descontruir subgênero brasileiro Favela Movie, transformando em uma comédia e quebrando a representação de que a periferia é sempre crime e violência. Por isso, a trama se torna sem vilão, com excessão de Brasilite, sendo o díficil cotidiano assumindo esse papel. É uma história onde todos os personagens são passiveis de torcida mesmo que estejam fazendo algo ilegal, mas que é justificavel pela dificuldade de suas vidas.

Veja também: Vai Dar Nada | Elenco e produção falam sobre o processo de criação do primeiro longa nacional da Paramount+

Além disso, o longa vai além da questão de sair do eixo Rio- São Paulo, ele ousa e se passa em uma cidade indecifrável, onde cada personagem mantêm seu sotaque e seus costumes, transformando a obra em uma grande representação do Brasil.

Com produção executiva de Maria Ângela de Jesus e Tereza Gonzalez do VIS (divisão de estúdios da Paramount), em parceria com Nora Goulart da Casa de Cinema de Porto Alegre, Vai Dar Nada é uma aposta de sucesso da Paramount+ e audaciosa por lançar um longa que critica o sistema, enquanto usa de protagonismo negro e uma grande representatividade em seu humor. É uma grande estreia da empresa entre os filmes brasileiros.

Vai Dar Nada estreia dia 18 de maio, com exclusividade no Paramount+.

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