sábado, 19, junho, 2021
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Crítica | Verão de 85

É um romance gay que tem a capacidade de tocar e transformar com tanta delicadeza que se torna uma jóia de Ozon

Com estreia marcada para o dia 03 de junho, Verão de 85 começa com o seu protagonista Alexis, interpretado por Félix Lefebvre, que nos apresenta sua excêntrica obsessão, a morte. Os pensamento do garoto de 16 anos, é orbitado por essa temática até conhecer David (Benjamin Voisin) e naufragar no complexo mar da primeira paixão adolescente. A trama é baseada em “Dance on My Grave” (1982), livro de Aidan Chambers. Aqui o longa ressuscita com a sua belíssima fotografia e sua trilha sonora esbelta a atmosfera oitentista da época. François Ozon mostra um bom trabalho nesse romance gay.

Verão de 85 (Summer of 85) - Filmes Gays
Alexis e David fazem um pacto que envolve a morte / Reprodução

A “morte” é como se fosse a linha foco da narrativa, porém, o longa trabalha de uma forma que não fica muito pesado e bizarro. A produção juntamente com a direção teve um cuidado, mantiveram uma delicadeza ao abordar esse tema na trama. Aqui percebemos o fator “morte” como algo simbólico como se fosse a passagem da fase juvenil para a fase adulta. E essa transição é marcada por algo que não se repetirá mais, a descoberta do primeiro amor e é algo que nos muda completamente e para sempre. É o desabrochar para experiências futuras.

O encontro inicial entre Alexis e David acontece de forma quase que clássica. Mas mal sabemos as reviravoltas pretendidas por Ozon na trama. De certa forma, logo no começo, temos uma breve narração de Alexis, numa pegada fúnebre, citando cadáveres e etc. Podemos entender esse preludio como um alerta sutil para os acontecimentos futuros da história que será nossa companheira no decorrer do longa. Porém, entenda que não se trata de saber o que vai acontecer, mas como reagimos após os acontecimentos. Logo de cara percebemos que David não vê Alexis como um futuro amigo ou colega e sim como uma presa a ser caçada e seu esforço é visível… primeiro, amizade, depois, sexo e a missão se conclui quando ele descarta Alexis e parte para outra.

Por que perder tempo? Somos todos mortais. – David diz para Alexis

Na trama, somos apresentados a dois eixo diferentes, mas semelhantes. Aqui presenciamos que um orbitam em torno do outro até que algo acontece e sem querer ver, enxergar, eles acabam se afastando culminando num desagradável e terrível acidente. Percebemos um terceiro núcleo que faz com que o clima fique meio dark e isso gira em torno da personagem de Lefebvre, que se mostra tímida, mas encantadora e o seu contraponto fica por conta de um Voisin sedutor, livre e complexo. Na verdade, a sua relação familiar é conflitante e faz com que o garoto busque nas relações amorosas e passageiras, uma forma de curar uma ferida que não cicatriza. Dessa forma, vemos um pássaro livre e ferido e que causa destruição por onde passa.

O personagem Alexis demonstra uma vontade de mudar, mas se sente obrigada a permanecer dentro do quadrado ao que parece ter sido predestinado. Mas vemos que é em David que ele encontra um caminho de mudanças que ele não ousou a descobrir antes de seu primeiro amor. No convívio de uma família tradicional, ele vê em David um misto de liberdade e ousadia que eles acabam experimentando um no outro em poucas semanas. Apesar disso, David encontra na mãe uma figura mais flexível e menos questionadora.

Veja cenas do filme 'Verão de 85' - 13/11/2020 - Ilustrada - Fotografia -  Folha de S.Paulo
Alexix com Kate, personagem de Philippine Velge / Reprodução

A fase da adolescência já é um período bizarro pelo qual todos nós, reles mortais passamos e nem sempre é um mar de rosas, tranquilo… normal. Conseguimos capturar que a relação entre eles vem se construindo numa perda que não se curou totalmente e com isso vemos no personagem David, o famoso boy lixo que age como um babaca sem coração. Alexis farto da situação, saí de cena. Pelo menos era o que ele achava até ele se vê no olho do furacão não só das emoções, mas da justiça.

Porém, há algo bem interessante nos personagens: a intensidade das emoções que transmitem em cena. A mãe enraivecida e cega de David, Madame Gorman, papel de Valeria Bruni Tedeschi, que atua muito bem quando se mostra afetuosa ou quando age com desprezo. David, quando se mostra um garanhão de primeira ou um babaca que não dá mínima para os sentimentos de Alexis que se mostra incapaz de mudar os acontecimento da trama e que sofre na mão de David a pior das traições. E o frescor da situação fica por conta de Kate, vivida por Philippine Velge, que ajuda na resolução do caso inicial e que poderia ser melhor aproveitada.

Nota do Thunder Wave
A trilha sonora é incrível, as atuações são fantásticas, a fotografia está belíssima e consegue capturar lindas paisagens, a direção consegue junto com o roteiro manter o ritmo quente e aconchegante da trama mesmo nos momentos complexos. É um ótimo entretenimento para os apaixonados que busca por transformação.

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