terça-feira, 24, novembro, 2020
Início Filmes Críticas Crítica: Deadpool

Crítica: Deadpool

Segundas chances em Hollywood são raríssimas. Diretores e atores de pretensas franquias e grandes fracassos que o digam. Normalmente, quem está à frente de uma produção ou projeto que não agrada ao público, seja no comando de um set ou emprestando seu nome e rosto para a divulgação, é quem leva a culpa pelo insucesso e, por isso, banido da futura nova tentativa de fazer certo. Com Ryan Reynolds, foi um pouquinho diferente (ok, esqueça aqui o ocorrido com Lanterna Verde): após ter realizado uma ponta (não dá para chamar mais do que isso) em X-Men Origens: Wolverine (2009), filme que, embora não tenha sido um retumbante fracasso, desceu rasgando a garganta dos fãs dos mutantes da Marvel, Reynolds foi chamado de volta aos estúdios da Fox para interpretar, novamente, Wade Wilson, o mercenário que, naquela ocasião fatídica, deveria ter marcado a estreia do personagem Deadpool nas telonas.

Completamente descaracterizado, o personagem, cuja uma das alcunhas é “Degenerado Regenerado”, foi considerado um dos responsáveis pelo desgosto dos fãs xiitas diante do longa de Gavin Hood. Também fã e leitor, Reynolds reconheceu a bola fora, uniu-se ao coro dos seus pares nerds e iniciou uma campanha para voltar a interpretar Wade Wilson no filme solo do Mercenário Tagarela, já anunciado um ano após a passagem de Origens pelas telas. O apelo deu certo e, após idas e vindas, finalmente a adaptação de Deadpool (EUA, Canadá, 2016) chega aos cinemas (com Reynolds no papel) e, desta vez, como se deve.

A impressão que se tem ao assistir ao filme é que não só o intérprete queria acertar, como o próprio estúdio estava a fim de entregar a melhor adaptação possível para um personagem da Marvel. O desejo não poderia ser outro, visto a má fama que o estúdio tem de entregar filmes fracos protagonizados pelos heróis da Casa das Ideias, impressão que ficou mais evidente após a famosa editora de HQs criar o seu próprio estúdio cinematográfico e elevar o nível das adaptações, ao ponto de criar todo um universo nos cinemas. Além disso, a Fox vinha do pífio desempenho de Quarteto Fantástico (2015), reboot malfadado para o longa da família de super-heróis. O resultado disso tudo é uma produção fiel ao espírito do personagem criado por Rob Liefeld e Fabian Nicieza, no qual Ryan Reynolds e a própria Fox parecem lavar a alma.

Crítica: Deadpool 1

Se as coisas acontecem quando, de fato, devem acontecer, pode-se dizer que Deadpool não poderia ter sido lançado num momento mais apropriado. O humor ácido e constante característico do protagonista cai como uma luva num momento no qual o futuro do gênero “filmes de super-heróis” parece ter atingido o seu ápice e, mesmo que lentamente, parece caminhar para um momento de decaída, algo normal e inerente a todo e qualquer movimento e gênero surgidos ao longo de 121 anos de história do cinema.

O filme, desta vez dirigido por Tim Miller (em sua estreia na direção de longas), descontrói o estilo “filme de origem”, ao inserir o espectador numa ação vertiginosa logo nos primeiros minutos, para só depois (a lembrete do próprio personagem), apresentar a origem do protagonista: diagnosticado com câncer terminal, Wade Wilson (Reynolds) se vê obrigado a recorrer a um projeto secreto do governo norte-americano, que promete eliminar a doença e, de quebrar, atribuir-lhe poderes. Mal sabia Wilson que seu destino seria traçado por Francis (Ed Skrein, de Carga Explosiva: O Legado), médico que passou por experiência semelhante a Wade e que, por conta disso, desenvolveu insensibilidade física e emocional, além de super-força. Resultado de inúmeras torturas e experimentos, Wilson tem o seu corpo degenerado, mas, em contrapartida, desenvolve um altíssimo fator de cura que o livra do câncer e atribui-lhe grandes habilidades. Após um incêndio no local de experimentos, Francis escapa e Wade, tendo sobrevivido ao incidente e sob a alcunha Deadpool, decide partir em busca de vingança, em especial ao descobrir que sua namorada, Vanessa (a brasileira Morena Baccarin, de A Espiã Que Sabia de Menos), corre perigo sob o alvo de seu inimigo.

Crítica: Deadpool 2

A história simples é o ponto de partida para uma série quase ininterrupta de violência, piadas e humor que entrega um ritmo acelerado e dinâmico ao longa e não poupa ninguém. No entanto, para que a produção seja devidamente apreciada, é exigido do espectador familiaridade com as adaptações dos quadrinhos, com o “talento” da Fox para destruir franquias e, em particular, com as histórias do X-Men, uma vez que Deadpool faz parte do universo do grupo liderado pelo Professor Xavier. Acredite: saber mais do que isso é capaz de estragar a agradável experiência de assistir ao filme na telona, o que evidencia aqui que a produção entrega muito mais do que foi divulgado na belíssima campanha de publicidade, que veio aguçando a curiosidade dos cinéfilos, leitores ou não de HQs, desde o ano passado. Bem-sucedida, a produção garante um futuro para o seu personagem nas telonas e redime a Fox que, se tiver aprendido a lição com o Mercenário Tagarela, tem tudo para entregar boas adaptações para os heróis da Marvel, desde que não puxe o freio de mão e respeite aqueles que mais entendem do riscado: os leitores.

Ah, e não saia do cinema até o fim dos créditos! Vale muito a pena conferir tudo até o fim.

Deadpool estreia nesta quinta-feira, dia 11 de fevereiro.

Veja a ficha técnica e elenco completo de Deadpool

Nota do Thunder Wave
Deadpool finalmente entrega o personagem que todos queriam ver no cinema.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui

Siga nossas redes sociais

6,974FãsCurtir
3,084SeguidoresSeguir
4,355SeguidoresSeguir

Gameplay de Cyberpunk 2077 para Xbox Series X/S é revelado

0
A CD PROJEKT RED lançou hoje o vídeo de gameplay rodando Cyberpunk 2077 no Xbox One X e no Xbox Series X.

The Walking Dead | Cena de momento íntimo causa nojo nos...

0
Cena de momento íntimo entre Negan e Alpha causou reações negativas nos fãs de The Walking Dead. Veja.
Crítica: Deadpool 8

Um adeus a Merlin

pt_BRPT_BR
Thunder Wave-Filmes, Séries, Quadrinhos, Livros e Games Thunder Wave