sexta-feira, 18, setembro, 2020
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Desafio Sob Fogo Brasil e América Latina

Sai temporada, entra temporada e o objetivo central é exaltar a forja como arte

A série Desafio Sob Fogo surpreendeu pelo grande apelo que tem com a audiência brasileira. As duas primeiras edições foram vencidas pelos brasileiros Tom Silva (2018) e Daniel Jobim (2019). Isso motivou o History a fazer a terceira temporada com metade dos participantes brasileiros (os demais são do México, Argentina e Colômbia), intitulada Desafio Sob Fogo Brasil e América Latina, e com uma novidade: pela primeira vez uma mulher na competição, Juliana (ES/RJ). Os demais participantes do Brasil são Cléber (DF), Sandro (RS) e Milton (PR). Outro destaque é o juiz brasileiro, Ricardo (SP), que atualmente vive nos Estados Unidos.

Conversamos com os participantes Cléber Melo e a Juliana Baioco que contaram um pouco da experiencia deles durante as gravações e o que esperam desse desafio que por sinal já faz parte do título do programa. Mas que desafio é esse? Inspirado no “Forged in fire”, o “original” americano, se trata de um reality show que tem como carro-chefe a cutelaria que nada mais é do que a é a atividade que envolve a fabricação de instrumentos de corte. E se você pensou que se trata de uma prática pré-histórica, está enganado… a Juliana fez um curso acreditando que faria uma faca uma vez na vida e depois disso se apaixonou e não parou mais.

É uma surpresa e tanta descobrir que foi aceito no casting da competição. Mas os participantes só se dão conta mesmo disso, é quando bate o “friozão” na barriga como nos conta o participante Cléber Melo que largou a tecnologia para se aventurar na cutelaria. Casado há 14 anos e pai de dois filhos, de 10 e 12 anos, Cléber começou na cutelaria por hobby, em 2009. Além de um curso na Universidade de Brasília, também ganhou o prêmio de Melhor Iniciante com sua primeira faca integral no Salão Paulista de Cutelaria, em 2010. Passou a se especializar e a adquirir equipamentos. Durante oito anos deu aulas de cutelaria artesanal, há três trocou definitivamente a tecnologia pela cutelaria. Em eventos, ele faz demonstrações de forja, de facas artesanais e o mais legal é que ele promove sorteios com peças pequenas forjadas por ele para as pessoas que estão na feira/ evento.

“Participar do programa será um salto na minha carreira.” – cléber

Atualmente, tem uma oficina profissional em Brasília e vende de três a quatro peças, entre facas e canivetes, por mês. Recebe encomendas de todo o Brasil, de pedidos simples a facas personalizadas, com materiais nobres. Segundo o cuteleiro, a sua atividade principal é a cutelaria e foi através da televisão que ele teve conhecimento com o reality e que se via participando até que se tornou realidade. Quando questionado sobre qual seria a sua marca deixada na competição, Cléber respondeu que é a cutelaria como arte. Lembrando que ele oferece um curso de cutelaria e ressalta que com dedicação é possível ir longe.

“Uma faca bem feita pode atravessar gerações. Pode passar de pai para filho, neto, bisneto… O que eu espero deixar como marca é a cutelaria como arte.” – Cléber

A outra participante é a Juliana Bioco que é a primeira participante da competição. Professora de Engenharia de Petróleo na UFRJ e praticante de esportes radicais, Juliana se interessou por cutelaria ao assistir Desafio Sob Fogo. Ela se apaixonou pela série, que a motivou a fazer um curso de cutelaria no Rio Grande do Sul, em fevereiro de 2019.  Depois do curso, montou uma oficina própria no Rio de Janeiro, um espaço compartilhado de cutelaria e marcenaria. E foi além: começou a frequentar os eventos da área e a fazer contatos. Tornou-se cuteleira por hobby e vende as facas que produz também. Segundo a cuteleira, foi convidada pelo casting para participar do programa e ela se questionou se estava preparada para esse grande desafio, mas era só tentar e ela conseguiu se tornar uma das participantes ou melhor, a primeira participante mulher do programa. É interessante esse detalhe, pois muitos podem se questionar que se trata de uma atividade que exige força física e tem uma mulher executando tal atividade. São exemplos como estes que encorajam mais mulheres a se interessarem e mostram que o lugar da mulher é em qualquer lugar, onde ela quiser.

“Foi uma surpresa ter sido escolhida e uma responsabilidade muito grande ser a primeira e única mulher para participar do programa. Assim como na engenharia que é majoritariamente exercida por homens e é a minha profissão, isso me ajudou a enfrentar a vivência na competição, naturalmente. É um ser humano ali fazendo faca ou qualquer outro ofício. Mas confesso que é uma responsabilidade a mais está representando as mulheres ali, na competição.” – Juliana

A Juliana, conta que a sua bagagem adquirida da engenharia a ajudou muito como os conhecimentos em metalurgia, em aço, entender o mecanismo da faca, tratamento térmico, escala de Mohs (quantifica a dureza dos minerais, isto é, a resistência que um determinado mineral oferece ao risco, ou seja, à retirada de partículas da sua superfície), além de outros aprendizados que são como um suporte para a prática da cutelaria. Apesar disso, ela ressalta que a dinâmica é totalmente diferente. Enquanto na sala de aula o esforço é minimo, na oficina o nível de periculosidade é bem alto, o barulho e a atenção nas faíscas, nos matérias é completamente diferente da rotina acadêmica que é um pouco mais leve.

O desafio mesmo está no relógio, o tempo e a pressão são fatores que exercem grande poder nos competidores. Assim, como nos realities gastronômicos, o tempo não para e se torna uma experiencia peculiar e o nervosismo a flor da pele pode interferir no emocional e psicológico durante as provas executadas. É necessário que o candidato tenha confiança e saiba como manter o equilíbrio diante dos desafios para permanecer competindo até o final e para que tudo corra bem.

Por fim, o mais importante é ressaltar a cultura e a arte. Ambos os participantes afirmaram que cada peça é exclusiva, não existe outra igual e, talvez, seja isso que faz a competição vibrar e ser diferente dos demais realities existentes. Não se trata apenas de força, mas de concentração, criatividade, cuidado e a habilidade camaleônica grita nessa competição, afinal, se adaptar e executar todas as etapas com o tic-tac do relógio no seu ouvido, não é para muitos. O programa mostra que cada competidor tem um único oponente e esse oponente é o próprio competidor e isso evidencia o quão forte uma pessoa pode ser e o quão corajosa é para se desafiar desta forma. É a dedicação, a força de vontade e a paixão, como disse a Juliana, que faz o desafio ser prazeroso e a vitória ser conquistada. A terceira temporada chega colocando pressão e com um elenco de peso no History, no próximo dia 13 de agosto.

Oito participantes. Quatro brasileiros e apenas um grande vencedor. Quem levará o título de melhor ferreiro da América Latina? Prepare-se para a nova temporada dessa competição que vai pegar fogo. ​

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