domingo, 24, janeiro, 2021
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Dr. Sleep – Vampiros energéticos e fantasmas do passado

Em tempos onde os livros de Stephen King estão ganhando reboots no cinema, o diretor Mike Flanagan assume a tarefa de adaptar Dr. Sleep, traduzido como Dr. Sono, no Brasil, para o cinema.
A inegável expectativa do público para uma continuação do aclamado “O Iluminado” pode não ser a melhor forma de observar este filme, e Mike faz um ótimo trabalho em contar a história de Dr. Sleep sem precisar que o público tenha visto “O Iluminado”, embora, com toda certeza, isso acrescente informações em algumas partes do filme.

O protagonista, Dan Torrance (Ewan McGregor) é o Danny de “O Iluminado”, agora adulto, e o tema sobre o “shining”, a “iluminação” é perfeitamente aceitável como uma evolução da mente humana, capaz de moldar a realidade e alterar a física ao redor, ao custo de ser verdadeiramente atraente aos sentidos dos espíritos dos mortos e de seres que precisam sugar a energia dos vivos para se manterem aqui.

“Prenda seus demónios em caixas, mas saiba que um dia eles voltam para te assombrar”. Essa é uma frase que tem total ligação com um dos focos da trama, e como tenho por objetivo não narrar a história do filme, mas abordar os simbolismos, digamos que todos nós mantemos nossos traumas e medos presos dentro das nossas mentes, apenas aguardando um momento ou gatilho para despertar.

Dr. Sleep – Vampiros energéticos e fantasmas do passado 1
“A religião não faz as pessoas serem boas, mas sim suas ações”. Dan inicia uma espécie de jornada do herói, mas não de forma forçada. Seu problema com álcool é justificado como uma forma de silenciar as vozes em sua mente, resultadas da “iluminação”, assim como a garota Abra Stone (Kyliegh Curran) tenta parecer sempre “normal” para os seus pais, com medo de ser dada como louca.

Dr. Sleep é sobre “Vampiros Energéticos”, sobre pessoas e forças, dentro e fora da nossa mente, em um “mundo voraz”, o tempo todo faminto, buscando comer o brilho daqueles que se destacam.

“As pessoas não tem mais vapor, não sei se são os celulares, a dieta ou o Netflix”. Essa frase dita por Crow Daddy (Zahn McClarnon), embora feita em total deboche, tem um significado muito grande para analisarmos o contexto do filme. O “steam”, também conhecido como “vapor” é a energia espiritual de uma pessoa, que lhe permite ser “iluminado”. Crow Daddy conversa com o expectador explicando que em nosso cotidiano não há alimento para o espírito, apenas futilidade que polui o nosso vapor.

Rose The Hat (Rebecca Ferguson) é um personagem cativante e verdadeiramente humano. Muitas vezes pensamos que um vilão precisa de uma grande motivação para cometer atos cruéis, mas desde o começo da trama percebemos que é apenas a ganância e a vontade de viver que motivam a crueldade de Rose durante o filme. Um aspecto extremamente humano, para um ser humano que tem como meta viver sugando a força de outras pessoas que são “iluminadas”.

Com isto entendemos que Dr. Sleep é sobre pessoas que tem um dom espiritual, a “iluminação”, lutando para não serem dadas como loucas, em um mundo onde cada vez menos nossa mente tem voz, e ao mesmo tempo, tendo de lidar com ataques energéticos e pessoas perversas que, mesmo após a morte, não vão deixar de lado essa sede por tirar dos outros as suas conquistas e méritos.

Dann é a prova disso, mudando sua opinião sobre como Abra deveria lidar com a iluminação dela, tendo sua redenção, trazendo conforto para pessoas a beira da morte, e aceitando seus fantasmas, que o aterrorizavam na infância, entendendo que é necessário lutar e verdadeiramente curar os nossos traumas, pois isso é o que verdadeiramente nos mata.

Se você espera um filme de terror, pode ter certeza que sua experiência será muito melhor do que a expectativa, e com certeza é um filme ideal para introduzir pessoas que não gostam de filmes que tem como premissa aterrorizar o expectador.

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