No Brasil, os filmes de gênero não conseguiram se estabelecer ainda. Enquanto nos Estados Unidos isso aconteceu há mais de 50 anos, aqui, em terras tupiniquins, os realizadores estão dando os primeiros passos nessa direção. Produções de drama e comédia dominam os filmes nacionais, e as obras de aventura, ação, suspense e terror são completamente negligenciadas. No entanto, na opinião dos responsáveis por O Rastro, esse panorama tem de mudar o mais rápido possível. Numa entrevista coletiva que aconteceu logo após a cabine de imprensa, os assuntos mais discutidos foram o momento atual do cinema brasileiro e a produção de filmes diferentes daqueles que são rotineiramente realizados.

Contando com a presença dos dois atores principais, Rafael Cardoso e Leandra Leal, uma das atrizes coadjuvantes, Alice Wegmann, o diretor J. C. Feyer, os roteiristas Beatriz Manela e André Pereira e, por fim, a produtora Malu Miranda, a entrevista possibilitou uma visão mais ampla sobre os motivos que os levaram a apostar as fichas em um filme que se passa num hospital mal assombrado e é uma mistura de denúncia social, terror psicológico e filme de fantasma, o que, admitamos,  estes dois últimos termos não são termos que comumente acompanham as produções nacionais. Indo mais longe ainda, é possível dizer que raramente são ouvidos.

Elenco e membros da produção de ‘O Rastro’ participação de coletiva de imprensa em são paulo

Segundo a produtora, os roteiristas e o diretor, a maior motivação foi justamente a de romper com essa barreira que praticamente impede a existência de filmes de outros gêneros que não sejam a comédia e o drama. Afinal, se realizamos esse tipo de obra, o que impede de fazermos de outros tipos? Para os que realizadores que estavam na entrevista de hoje, a resposta é simples: “muitas coisas, mas algo precisa ser feito”. Ao longo da entrevista, eles fizeram questão de ressaltar o caráter desbravador da empreitada. Mas, para isso, precisaram de uma ajuda externa. Consultores estrangeiros foram contratados para analisar o trabalho e dar um parecer sobre o que estava sendo feito e dizer se aquilo era condizente com as melhores produções internacionais.

Preocupados também com a temática, o diretor e os roteiristas se inspiraram numa série de filmes de terror e suspense durante o processo de escrita do texto e as filmagens. A lista é longa e perpassa títulos como O Sexto Sentido, Seven – Os Sete Pecados Capitais, Zodíaco, O Iluminado e outros. Estreando em longas, Feyer se municiou das melhores influências, além de uma equipe de profissionais recheadas de nomes conhecidos, como os dos já mencionados atores principais, e o experiente diretor de fotografia Gustavo Hadba. Nas palavras do diretor: “Hadba é como vinho: fica melhor com o tempo”.

Empolgados, os realizadores que estavam na entrevista não deixaram dúvidas sobre o fato de terem se entregado de corpo e alma ao projeto. Rafael Cardoso chegou a afirmar que “se não foi a sua melhor experiência como ator, foi uma das principais”. Leal disse “que não via a hora de fazer um filme de terror, um dos seus gêneros preferidos”. Os outros, por sua vez, falaram que há muito tempo sonhavam em realizar esse tipo de projeto. Entre idas e vindas e inúmeros percalços, o filme demorou oito anos para ficar pronto. Durante esse tempo, foi mudando de forma. Inicialmente, se passava numa mansão em Minas Gerais. Na versão final, a ação acontece dentro de um hospital no Rio de Janeiro.

Além disso, o conteúdo social do longa, que aborda a precariedade do sistema de saúde brasileiro, foi ganhando cada vez mais importância com as notícias envolvendo a corrupção e eventual prisão de políticos e empresários. Se o sistema de saúde nacional é um tema em si mesmo relevante, com o cenário brasileiro atual, se tornou ainda mais importante.

Entretanto, por mais ousado e relevante que os realizadores pretendem que o filme seja, isso de nada adianta caso o público não queira embarcar na experiência. O número de pessoas que vão assistir aos filmes de terror nacionais é desanimador e não chega perto das estatísticas referentes às obras internacionais do mesmo gênero. Enquanto todos os outros falaram de um “preconceito” na recepção das produções realizadas no Brasil,  Leandra Leal preferiu ir por um caminho diferente. Para ela, “o buraco fica mais embaixo”. Na verdade, a situação atual parece ser, de fato,  uma cadeia de eventos que vai desde o financiamento até a distribuição, passando pela produção e filmagem.

Independentemente de tudo isso, o filme está aí para quem desejar ir vê-lo. Os realizadores já fizeram a parte dele. Agora, cabe ao leitor ir conferir o resultado. A estreia ocorre no dia 18/05/2017. Em breve, a crítica será publicada. Não deixem de conferir!

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