Thursday, 24, September, 2020
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Review: Assassin's Creed

Mais um filme atingindo pela maldição que rodeia as adaptações de jogos

Nesta semana, estreia nos cinemas brasileiros mais uma adaptação dos videogames. Dessa vez, o jogo escolhido foi assassins Creed. Protagonizado e produzido por Michael Fassbender, o filme foi durante anos a menina dos olhos do ator. No entanto, apesar de ser visível a sua paixão na maneira com que se entrega ao papel, a obra não consegue escapar da aparente maldição que rodeia as adaptações de jogos eletrônicos para o cinema. Pois, assim como quase todos os filmes que buscaram material nos videogames, assassins Creed é muito ruim.

O protagonista da história é Carl Lynch (Michael Fassbender). Executado na prisão após ter sido sentenciado à morte, ele é ressuscitado uma semana depois pela doutora Sofia (Marion Cotillard). Trabalhando para Rikkin (Jeremy Irons), o seu pai, numa empresa chamada Abstergo, ela está interessada em encontrar uma cura para a violência. Para isso, é preciso achar um artefato antigo chamado de A Maça do Éden. Segundo a tradição, esse artefato detém um poder sobre os instintos mais primitivos do homem. Uma vez que a sua última aparição foi em 1492, quanto estava sob o poder de um homem chamado Aguilar, membro do Credo dos Assassinos, Sofia usa um dispositivo que é capaz de criar projeções a partir das memórias contidas na genética de uma pessoa. Como Aguilar é um dos seus ancestrais, Carl é a única pessoa que pode usar esse dispositivo e encontrar o artefato.

Adaptado por Michael Lesslie, Adam Cooper and Bill Collage, o roteiro de assassins Creed é um desastre completo. Além de contar uma história estapafúrdia que até mesmo a suspensão de descrença mais profunda não é capaz de fazer o espectador acreditar no que está vendo, o ponto de partida do longa é tão absurdo que o público ficará se fazendo a seguinte pergunta ao longo de toda a projeção: “por que uma mulher que tem o poder de ressuscitar uma pessoa está interessada em descobrir uma cura para a violência?!” Afinal, há alguma descoberta científica mais importante que a da ressurreição? É impossível comprar a ideia de que Sofia está preocupada com a violência no mundo depois ter feito uma descoberta dessa magnitude.

Assassin's Creed

Construindo falas assustadoramente ruins (os momentos em que Rikkin coloca a filha ao lado de grandes cientistas e Sofia cita para o pai uma frase de Robert Oppenheimer são particularmente horrorosos), os roteiristas também erram em investir a todo momento em diálogos expositivos para explicar as “motivações” dos personagens e o funcionamento de alguns dispositivos tecnológicos. O uso recorrente desse recurso só serve para deixar explícito a total falta de criatividade visual dos roteiristas e realizadores na hora de passar informações vitais da história do filme para o espectador. Ademais, além de cansar com o passar do tempo, o uso abundante desses diálogos é um desrespeito com o público, já que fica claro que os responsáveis pelo filme não confiam na nossa capacidade de fazer associações e interpretar  imagens.

No entanto, é mesmo a pobreza vista na construção dos personagens que coloca tudo a perder. À medida que Rikkin and Sofia são unidimensionais e unicamente definidos por seus objetivos pessoais (no final, há uma mudança na opinião de Sofia que é totalmente inverossímil dentro da trama e foi colocada apenas como um gancho para possíveis sequências), Carl é um homicida completamente antipático (nem o carisma de Fassbender o torna simpático) que age e faz as coisas que pedem para ele fazer sem nenhuma motivação ou objetivo no horizonte. Além de o espectador ter dificuldade em se relacionar com o protagonista desde o início, a nebulosidade em volta dos elementos que o movem no desenrolar da história torna a experiência de acompanhá-lo em algo inócuo e nada recompensador.

Assassin's Creed

Tecnicamente, a obra é tão pobre quanto o roteiro. Trazido por Fassbender para a função de diretor, Justin Kurzel (o diretor de Macbeth) e sua equipe realizam uma série de escolhas que, além de serem equivocadas, são totalmente injustificáveis. Investindo em câmeras lentas que servem apenas para causar efeito e em inúmeras tomadas aéreas inúteis, Kurzel and Adam Arkapaw, o diretor de fotografia, pintam as cenas que se passam no passado com um amarelo que flerta constantemente com a tonalidade sépia e cuja única justificativa, além da obviedade de usar essa cor para narrar eventos passados, é refletir o calor das paisagens desérticas de Andaluzia. Não há nenhuma relação entre as cores e os tons usados com o mundo interior dos personagens. Além disso, o 3D é aplicado pelo dois de maneira errada, uma vez que em nenhum momento eles exploram a profundidade de campo (nem na esperada cena do salto o recurso é usado corretamente!)

Também apresentado problemas na montagem (Christopher Tellefsen, o montador, recorre a uma montagem alternada entre eventos do passado e presente que compromete o ritmo da história e deixa a trama arrastada em alguns momentos – nesse sentido, o segundo ato é extremamente problemático), o longa sofre sobremaneira com o excesso de efeitos especiais (as já mencionadas tomadas aéreas são criadas totalmente por computador), que deixam claro para o espectador que foram realizados digitalmente (nos dias de hoje, é um absurdo apresentar efeitos tão precários como os vistos neste filme!). O único aspecto técnico que merece ser destacado é a trilha sonora, que, transitando entre diferentes gêneros, consegue embalar o espectador e até mesmo fazer com ele que se envolva momentaneamente com a história em determinadas cenas.

Com um dos clímax mais anticlimáticos dos últimos anos e atuações pouco inspiradas (Fassbender é o que se sai melhor), assassins Creed era a esperança dos fãs de games e dos cinéfilos ao redor do mundo de que, enfim, fosse feito um filme à altura do jogo no qual foi baseado. No entanto, como é possível sentir no começo da obra e confirmar ao término dela, não foi dessa vez que os games foram adaptados com justiça. Infelizmente, assassins Creed figurará ao lado de atrocidades como Street Fighter, Mortal Kombat, the series resident Evil e tantos outros.

Texto escrito por Miguel Forlin.

Thunder Wave note
Apesar da visível paixão na interpretação de Michael Fassbender, a obra não consegue escapar da aparente maldição que rodeia as adaptações de jogos eletrônicos para o cinema.

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