Saturday, 16, October, 2021

Review | Cinderella (2021)

Longa tem o objetivo de ser ousado, mas falha em sua execução e deixa a desejar em quase tudo

Estamos na onda da repaginação! A história da Cinderela você já conhece de cor e salteado, afinal, são inúmeras adaptações tanto em animações quanto com live-actions foram realizadas da versão mais clássica do conto de a Cinderella e nesse celeiro de adaptações temos versões numa pegada mais erótica, pop, musical, nacional e até uma com Hilary Duff, em A Nova Cinderela, onde o item perdido pela mocinha sofredora não foi o sapato de cristal, e sim, um celular flip. O mais recente lançamento da Amazon, Cinderella, escrito e dirigido por Kay Cannon, chamou atenção por seu elenco de peso e promessa de uma personagem empoderada como protagonista da história que tem como pano de fundo um musical de comédia romântica. Porém, o objetivo de recontar o longa de uma forma bem ousada,  falhou na execução e entrega um filme debochado e cansado. Aqui tudo é limitado e fraco.

Como protagonista do novo longa, a produção da Columbia Pictures conta com a ex-integrante do Fifth Harmony, Camila Cabello in the role of Ella, o que foi um dos motivos que fizeram os olhos do mundo inteiro se voltarem para a produção, além disso a artista está em ascensão em sua carreira solo e, por isso, um pouco de curiosidade também como se sairia atuando num longa de aparente prestígio. O longa conta mais uma vez, com a mesma base, a história da jovem Ella que é tratada como empregada pela madrasta, Vivian, lived by Idina Menzel, e suas filhas, até que a chance de mudar sua vida surge com uma ida ao baile do príncipe Robert, interpreted by Nicholas Galitzine, com a ajuda da Fairy Godmother — que, aqui, ganha o nome de Fab G and desafia convenções da binariedade de gêneros com a atuação de Billy Porter. Outros elementos também se fazem presentes, como os ratinhos que não são tão relevantes assim. Mas o objetivo de Ella, não é arrumar um marido e se casar, ela quer ganhar o mundo sendo uma estilista de vestidos.

David's 'Cinderella' (2021) review: A Fairy Tale That Hollywood Didn't Need  to Modernize​​​​​​​: blankies
O Fado Madrinho desafia convenções da binariedade de gêneros com a atuação de Billy Porter / Reproduction

O longa é narrado por Billy Porter e entendemos que todos fazem parte de uma vida parada que anseia por mudanças. E já somos surpreendidos por uma entrada interessante do mashup in Rhythm Nation in Janete Jackson and You Gotta Be in Des’ree. E com essa cena, imaginamos que será uma produção para ninguém por defeito… ERRADO! A base dos personagens é típica e não foge do de sempre e ao nos depararmos com a premissa de Cannon que é desconstruir o conto, seu roteiro busca explorar profundidade também na realeza, ao trazer figuras que se opõem às suas rotinas privilegiadas em relação à história original que pouco sabemos. Aqui a intenção da cineasta é por a mulher num local de destaque numa hierarquia ocupada por homens. O casamento, a carreira frustrada, fazem parte de um modelo estabelecido e temos através de Ella, a rainha Beatrice (Minnie Driver) e a princesa Gwen (Tallulah Greive) o questionamento e a busca por uma voz numa sociedade machista e sexista.

Vemos que a protagonista não deseja ter sua vida pautada por um casamento e presa numa vida de serviçal, o príncipe Robert não se contenta em ser apenas o encarregado de continuar a linhagem de seu pai, sendo o próximo a assumir o trono de Rei e ter de se casar às pressas para essa consumação. E percebemos que no desenrolar da adaptação, traços de comédia são incluídos e vemos duas figuras com vidas totalmente diferentes recebendo uma ajuda do destino. Não é preciso dizer que dentre muitas possibilidades, Robert se encanta com Ella e ela com ele… deu MATCH! Mas como nem tudo é um conto de fadas, a garota não está interessada em desistir de seu sonho de ser alguém para se tornar apenas esposa de um príncipe babaca – embora ele queiram mais para si, ele se mostra um babaca, chato e idiota. O ator e o personagem se completam: são enfadonhos. E muito além do vestido bonito, sapato de cristal e mágica momentânea que lhe proporciona um casamento real, pois após esse ‘grande acontecimento’, ela se veria  presa a um mero papel de coadjuvante na própria vida, Ella almeja fazer o seu nome na moda e não ser conhecida como aquela que se casou e fez o príncipe feliz. A adaptação reimaginada por Cannon, quer se ver livre de rótulos e apresenta uma protagonista empoderada e usa um musical para movimentar a trama… que se mostrou uma estratégia mal desenvolvida. 

Camila Cabello Sings, Chases After Her Dreams in Cinderella Trailer |  PEOPLE.com
Camila Cabello até se sai bem, mas só o seu talento não basta / Reprodução

Quando fomos surpreendidos de que a nova adaptação seria em formato musical, houve uma empolgação sem fim e juntando a isso, músicas pop seriam remodeladas para casar com a proposta do longa atualizando para uma carinha mais contemporânea  a produção. Mas de musical não tem nada… é mal executado. As músicas não entram e nem saem de forma coesa, a sensação que temos é que as canções foram introduzidas nas cenas que cabiam e ficou assim… cagado e a edição aqui nem cabe argumentar, pois fizeram um trabalho meia boca. E o resultado dessa equação é um filme cansativo que não consegue transitar de uma cena para outra sem uma quebra evidente dando o ar de deboche, sátira ou fora da caixa. Além disso, um dos momentos mais esperados é a aparição de Billy Porter e seu Fado Madrinho que caminhou na mesma trilha frustrada e gozada. 

Aqui coisas que poderiam ter salvado não funcionam bem, como os figurinos e a magia. Não tem aquele toque magnífico que outras obras de mesmo estilo possuem. A trilha sonora está razoável e vemos o talento de Cabello, mas nada que a valorize de fato. Se o objetivo era trazer um ar moderno para o longa, aprofundando um pouco mais sobre a vida do príncipe e trazendo um ar de empoderamento feminino através das personagens femininas, o longa falhou.  O longa quer caminhar para isso, mas não se aprofunda em nada que colocou no primeiro ato. A ideia é interessante, mas a execução foi mal sucedida. Tirando a história que todos sabem, o mundo criado para Ella mal foi aprofundado e coisas foram jogadas no início e não foram reaproveitadas no final como a cena em que Ella visualiza e encara quem quer ser na faixa Million to One que é super interessante em se ver, mas não foi repetida e nem sequer lembrada.

Thunder Wave note
O longa é fraco, mal executado, com atores medianos - com exceção de Billy Porter e Idina Menzel, que foram mal aproveitados por sinal. Faltou capricho no que quiseram inovar, e deixaram a desejar no que quiseram aprofundar. O talento de Camila Cabello não é possível de carregar a produção. E o musical? Aqui não funciona. A edição trabalhou, mas não saiu do lugar e o resultado é um filme fraco e que entrega menos do que o que prometeu.

Related articles

Comments

LEAVE AN ANSWER

Please enter your comment!
Please enter your name here

Instagram

booming

Most viewed of the week

Follow Our Networks

It has exclusive content over there
6,914Fansenjoy
2,960Followersfollow
4,239Followersfollow

Recent

fresh content

Thunder Fic's

all about script
en_USEN
Thunder Wave-Filmes, Séries, Quadrinhos, Livros e Games Thunder Wave