“Era uma vez, uma época em que filmes com super-heróis eram coisa rara e ninguém tinha smartphone”. 

Se você falar a frase acima para quem veio ao mundo depois do ano 2000, é capaz dessa jovem alma acreditar que a referida época ficava ali, em algum canto entre o período cretáceo e o surgimento dos Beatles.

Do mesmo modo que se você pudesse voltar no tempo, para os anos 90, e dissesse que no futuro a bibliografia inteira do Stephen King caberia em um dispositivo chamado Kindle, diriam que você deveria ser o roteirista dos Jetsons.

Contudo, é incrível o salto tecnológico que damos dos anos 90 (época em que as ruas eram dominadas por vídeo-locadoras) para o momento presente (época em que a Netflix e outros programas de streaming alteraram o modo como consumimos entretenimento).

A cultura Geek no tempo em que Kurt Cobain reinava absoluto

Sabe aquelas bandas de rock que realmente faziam uma revolução no modo de vestir e agir dos adolescentes? A última delas lançou o primeiro álbum em 1992 e teve uma queda meteórica em 1994, tudo isso quando a MTV estava no ápice.

Pois é verdade, no final do século XX, a banda Nirvana fez barulho em uma era em que o videoclipe ganhou uma enorme relevância como produto cultural. Nessa época o termo “Geek” praticamente não era associado aos consumidores de cultura pop.

Entretanto, ainda se utilizava muito (e de forma pejorativa) o termo Nerd para qualquer um que tinha inteligência acima da média, tinha comportamento introspectivo e nutria interesse obsessivo por tecnologia e cultura pop.

Falando em tecnologia, o telefone celular até já existia, mas era pouco prático e muito diferente do que hoje estamos habituados. Era normal as pessoas saberem o que era um telefone celular apenas quando viam, raramente, em uma cena rápida de filme ou novela.

Nunca que alguém um dia iria imaginar que aquele trambolho enorme e desconfortável se transformaria em algo prático, intuitivo e que faz muito mais do que apenas telefonar.

Se na década de 90 as pessoas ficavam impressionadas com a praticidade dos aparelhos de som “3 em 1”, que conseguiam reunir em um único aparelho a tarefa de tocar LPs, fita K7 e rádio, imagina a reação ao descobrirem que no futuro aparelhos que cabem no bolso fariam tudo isso e mais um pouco.

Em termos cinematográficos e televisivos, os Geeks (que nem sabiam o que era um Geek) tinham um farto material de séries de ficção científica e fantasia para curtir. Arquivo X e Twin Peaks faturaram vários prêmios e ainda são referências para as séries atuais.

Foi a época também que as poderosas editoras – a Marvel e a DC – sentiram o peso da invasão nipônica dos mangás, bem como viram no próprio quintal de casa a norte-americana Image abocanhar uma fatia considerável de leitores.

Falando em super-heróis, os anos 90 não foram generosos com eles também em termos cinematográficos. O Batman, dirigido por Tim Burton, reinou sozinho durante toda a década como o único filme relevante dentro desse estilo.

Mas e como os geeks e nerds em geral faziam para produzir conteúdo e trocar ideias sobre assuntos dos seus interesses? Simples. Eles apelavam para os jurássicos fanzines, que eram feitos geralmente de forma artesanal e distribuídos via correio ou até mesmo de mão em mão.

Cultura Geek na era das redes sociais

A internet como a conhecemos hoje surgiu em 1995, mas foi no início dos anos 2000 que ela foi se tornando onipresente em nosso cotidiano.

Hoje a internet deu para os Geeks as redes sociais que, para o bem e para o mal, são “a mesa de bar do século XXI”.

As redes sociais proporcionaram um acúmulo de informação e também a possibilidade de todo mundo, a qualquer instante, produzir conteúdo e até lucrar com isso.

Ferramentas intuitivas não faltam para isso e, inclusive, serviços de web hosting disponibilizam maneiras rápidas e fáceis de como criar um site

Se na década de 90 vimos a última geração que obtinha informação por meio da TV, do jornal e das revistas, hoje vemos a geração que se informa por meio dos Youtubers.

Além disso, qualquer um pode ser um Youtuber. Os softwares de edição de vídeo, como o Premiere e o Movavi mostram que você não precisa ser nenhum Steven Spielberg para criar os seus próprios vídeos.

Falando em filmes Geek, lembra que os anos 90 foram um período de vacas magras para os super-heróis? Pois então, a indústria mainstream do cinema encontrou nesses personagens de roupas coloridas a fonte de poder e riqueza.

No entanto, é óbvio que há franquias recentes, como Harry Potter e a divertida Velozes e Furiosos, mas é importante lembrar também daquela que ainda seduz tantos os geeks da era do VHS quanto os da era do Streaming: Star Wars.

Conclusão

Os geeks na década de 90 nem eram chamados de geek. Além disso, sem o acesso à informação que existe hoje, tinham que efetuar verdadeiras jornadas para encontrarem obras raras do seu interesse. Ao contrário dos geeks da era pós-modem ADSL, que possuem ao seu lado o Google trazendo tudo de bandeja.

Portanto, não é exagero quando um Geek de 40 anos olha a tecnologia ao seu redor e diz: os geeks de hoje são felizes e não sabem. 

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