Sim, caímos. Mea-culpa: o Thunder foi vítima de fake news e se deixou levar pelas aparências dos termos “É OFICIAL!”, “CONFIRMADO!”, onde nada estava cem por cento claro sobre o ator Robert Pattinson ser ou não ser o novo Batman. Bem, inúmeros portais de notícias divulgaram a boa nova. Perfis oficiais (oficiais mesmo, aqueles com selinho de verificação) compartilharam dando boas-vindas ao ator por sua nova empreitada. “Batman” ficou em primeiro lugar nos Trending Topics (assuntos mais comentados, de acordo com o Twitter) mundiais. Uau, quanta comoção.

O fato é que nada disso estava correto. A assessoria de Pattinson não havia se pronunciado; a DC (a casa do Batman) também não havia dito nada — mas todos os portais haviam usado a DC como detentora da grande novidade. Mea-culpa: o Thunder caiu no conto do vigário. No atual momento em que o Brasil encontra-se, completamente desacreditado dos fatos e a imprensa, que foi considerada um dos maiores poderes da sociedade, ostenta a bandeira de desvalorização, as famosas fake news chegaram e tomaram o espaço das “true news” sem pedir licença. Chegaram chegando, com o pé na porta. Não pode!

O papel do jornalista é apurar, ler, se informar, ouvir fontes (pessoas) e antes mesmo de publicar notas, textos, imagens ou seja lá o que for, quando se diz respeito a notícias, é preciso ter certeza se tudo aquilo, se todo aquele trabalho é de cunho verídico. Entenda: tudo se deu a partir do portal americano Variety, que confirmou a negociação (não a aceitação) do ator com os estúdios Warner Bros. Pictures/DC a fim de ser a cara do novo Bruce Wayne. Eu disse negociação.

Só que outro portal, provavelmente concorrente e com o interesse em visualizações e ter o tão desejado furo jornalístico, “respondeu” o site anterior, dizendo que o ator Nicholas Hoult estava no páreo e minutos depois, atualizou a página afirmando que o mesmo, havia aceitado a empreitada. Como diz o bom e velho internetês, “algo errado não está certo”.

Os portais de entretenimento brasileiros entenderam da maneira que quiseram, causaram alvoroço entre os fãs do heróis — e consumidores de conteúdo/entretenimento e publicaram, dando cem por cento de certeza, de que Robert substituiu Ben Affleck no papel. Enquanto isso, a imprensa americana estava pegando fogo e aos tapas para ver quem tinha razão na história toda.

Okay, e quem tinha razão? Os atores (Pattinson e Hoult), lógico, que foram citados, usados como massa de manobra e sem querer, fizeram com que nós, brasileiros e meros mortais, acreditássemos que eles eram os novos Bruce Wayne. Mea-culpa: o Thunder caiu nas redes e nas graças das fake news. Mas em nossa defesa, tudo foi “apurado”: direto da fonte? Não. Foi apurado como mandava o figurino? Não também. E nem temos esse contato direto e imediato com as respectivas assessorias das empresas e atores citados anteriormente, mas por intermédio das notícias já publicadas, perfis em redes sociais e outras mídias, achamos que estava tudo okay e mesmo assim, usamos nossas redes para “entrar na onda”.

Mea-culpa.
As fake news são nocivas, destroem o mais belo do jornalismo, que é o ato de noticiar com veracidade, e faz com que tudo de errado seja certo e nós, consumidores de notícias, lidamos com isso numa boa, como se nada disso fosse ruim. Ler é importante. Interpretar o texto, primordial. E a lição foi aprendida: nada de ser um maria-vai-com-as-outras. Não pretendemos cometer o mesmo erro outra vez, mesmo que errar, seja uma característica humana — e o Thunder é feito de humanos.
Não mais mea-culpa.
E até o momento, Robert Pattinson não é o Batman.

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