Saturday, 19, September, 2020
Start Movies Reviews Criticism | Fantastic Four

Criticism | Fantastic Four

Depois de muitas dúvidas, desconfiança e uma série de problemas, sai o novo Fantastic Four, novamente pelas mãos da Fox. Para tentar apagar da memória o esquecível primeiro filme seguido do patético segundo, a empresa chamou Josh Trank, uma promessa do cinema, para imprimir uma nova visão sobre o icônico grupo. Um elenco jovem, de grande apelo pop, foi colocado para ser a cara da nova equipe, reafirmando a ideia de atrair novos públicos e revitalizar a franquia, colocando-a nos trilhos para substituir a franquia X, próxima do fim, e provar a Marvel Studios que podem fazer filmes dos seus personagens tão bons quanto.

Mas não deu certo. De novo. A Fox prova novamente que os bons filmes da franquia X são uma exceção nas suas tentativas de levar heróis ao cinema.

Não é que o filme seja ruim. Ele é estranho. Bagunçado. São evidentes os problemas destacados pela imprensa e que rodaram a internet durante a produção, que teve trocas de profissionais e o elenco sendo convocado para filmar novas cenas com o prazo limite prestes a estourar, uma demonstração de que o próprio estúdio ou não confiava no produto, ou simplesmente não havia gostado do que viu. Não obstante, pairava no ar uma forte impressão desde o início de que os engravatados estavam com um pé atrás, visto o relativamente baixo orçamento, 120 milhões de dólares, que não dá conta da escala que a produção pretende (ou pretendia).

Todas essas questões se refletem no longa, que é errático. Não se consegue definir se é ficção cientifica, drama, terror, aventura… Não haveria problema se ele possuísse todas essas características em um desenvolvimento continuo, sólido. Mas o maior problema do filme é que ele alterna esses momentos e tudo parece ser um tanto jogado, como um quebra-cabeça cujas peças não se encaixam. E o que torna tudo mais frustrante: são boas peças.

O elenco é bom, consistente. O diretor, jovem, ousado e promissor. A história baseia-se em um arco celebrado das HQ’s, a origem do Quarteto do universo Ultimate. Para quem não sabe, foi o esforço bem-sucedido da Marvel de rejuvenescer e atualizar a equipe nos quadrinhos para apresenta-la a um público mais jovem. Com todos esses bons indicadores, como o filme pôde dar errado? Parafraseando Capitão Nascimento, põe na conta da Fox.

O roteiro pode ser dividida em três partes, e a dificuldade de essas 3 partes interagirem é o que faz o longa falhar. Na primeira, nós temos o desenvolvimento dos personagens, que é muito bom. A obra não tem pressa e detalha na medida certa a personalidade e a maneira como os protagonistas interagem. A trama nos mostra a brilhante e precoce mente de Reed Richards (Miles Teller), um jovem nova-iorquino que descobre a chave para teleportar matéria através do espaço. O que ele também descobre é que ele não era o único que estava atrás disso. Franklin Storm (o ótimo Reg E. Cathey), diretor da fundação Baxter, o recruta para trabalhar com sua filha adotiva, Susan (Kate Mara), seu filho Johnny (Michael B. Jordan) e o socialmente arisco Victor von Doom (Toby Kebbell) para encontrar a chave para teleportar e trazer de volta uma equipe de exploração de uma recém-descoberta dimensão paralela.

Quarteto Fantastico 2015
Quarteto Fantástico | Imagem: Fox

Nesse primeiro ato do filme, vemos as relações desenvolvidas entre os personagens, inicialmente uma disputa de egos, transformar-se em uma relação de confiança conforme o projeto avança. Para superar a dificuldade de um ambiente estressante e desafiador, Reed se escora na sua amizade com Bem Grimm (Jamie Bell), o único do grupo que não é um gênio cientifico, mas que representa a âncora de Reed com a realidade.

Então temos o segundo ato, o acidente e após. Ao contrário do que se poderia imaginar, o filme mantém a sua ousadia aqui. A transformação pela qual os quatro passam não é imediata e superficial, dando aos personagens os poderes para lutar contra o mal. Não. Ela é progressiva, gradual, traumática e, principalmente, dolorosa. O filme ganha contornos de suspense, e a dificuldade de lidar com a transformação mina toda a relação de confiança que eles construíram a tanto custo, e a trama parece oferecer novas possibilidades. Quase esquecemos que estamos assistindo uma produção de super-herói, porque, até aqui, ele simplesmente não o é. É mais ousado, curioso e nos faz pensar para onde vai a trama. Mas o tempo está acabando, e as preocupações, aparecendo.

Doctor-Doom-Quarteto-Fantastico-2015
Doctor Doom | Imagem: Fox

Então vem o terceiro momento. E, nos últimos 20 minutos de filme, ele decide ser de super-herói. Com uma única e rasa cena de ação, que despreza solenemente todas as relações humanas que haviam sido construídas até aqui, o roteiro de repente, não mais que de repente, acaba. E a impressão geral que fica é aquela cara de “sim, e daí?” E não é sequer uma grande cena de ação.

O orçamento limitado fica muito claro nos efeitos digitais questionáveis, aparentes na movimentação bastante artificial dos heróis enquanto usam seus poderes. E o fato de o filme mudar e terminar subitamente também deixa nevralgicamente explícito que o mesmo tem um problema mais gritante do que todos os outros juntos: a Fox.

Os produtores simplesmente não tiveram coragem de sustentar uma produção ousada, que poderia apresentar uma visão inovadora sobre um grupo clássico de super-heróis que, na pior das hipóteses, seria um experimento interessante sobre filmes de HQ’s nesses tempos de pasteurização da Marvel and the A.D. Mas a Fox não tem interesse em experimentos ou inovação. Ela quer vender bonequinhos, canecas, e todo tipo de tralha em cima de uma obra que deveria ter sido feito para um público infanto-juvenil (de novo). Só isso explica a bagunça da edição.

Quarteto Fantástico
Quarteto Fantástico | Imagem: Fox

Para um fã roxo do grupo como eu, fica uma sensação estranha. Haviam poucas expectativas quando o filme foi lançado. Aí então, começa a construir algumas e instiga a pensar em como ele pode se encerrar. E o final amassa novamente toda esperança de ver um grande longa e você se pega pensando “o que aconteceu aqui?” Dizem que a Fox está pensando em uma continuação. Não seria ruim. A trama, na sua parte boa, tem muito potencial. Mas esse potencial só pode ser aproveitado se a ousadia das primeiras partes for mantida, e a groselha da terceira for jogada na mesma lixeira que os dois primeiros filmes. Mas nós sabemos que isso não vai acontecer, porque os covardes produtores não seguiriam com um experimento desses. Os bonecos precisam ser vendidos.

Fica a esperança de que, se o filme fracassar, o grupo pode voltar para as mãos da Marvel. Tomara. Personagens icônicos merecem filmes a altura.

Thunder Wave note
A produção consegue manter o ritmo, acabando abruptamente e deixando de lado um grande potencial.
Written byRaphael Topo

LEAVE AN ANSWER

Please enter your comment!
Please enter your name here

Follow our social networks

7,011Fansenjoy
3,084Followersfollow
4,361Followersfollow

Brooklyn Nine-Nine | Series will air episode on police brutality on 8th ...

0
Brooklyn Nine-Nine will air a story about police brutality in season 8. After supposedly getting rid of at least four episodes ...

The Walking Dead | Scene of intimate moment causes disgust in ...

0
Scene of intimate moment between Negan and Alpha caused negative reactions in fans of The Walking Dead. Look.
en_USEN
pt_BRPT_BR en_USEN
Thunder Wave-Filmes, Séries, Quadrinhos, Livros e Games Thunder Wave