Review: The Three Black Crowns- Kendare Blake

0
4955

 

Três irmãs com diferentes poderes que precisam matar as outras para assumir o trono. Essa é a chamativa premissa básica de Três Coroas Negras, que a princípio parecia um começo muito promissor para uma saga que mistura elementos muitos bem cotados hoje em dia: a guerra pelo trono e poderes sobrenaturais.

E talvez seja essa mistura que a saga mostre, mas não nesse primeiro volume. Kendare Blake entrega uma trama muito juvenil nesse livro, onde o dia da batalha apenas rodeia os acontecimentos e o verdadeiro foco é o cotidiano das jovens rainhas. O objetivo principal deveria ser o dia da batalha entre as três rainhas, onde só uma sairá viva e irá assumir o trono, entretanto não é exatamente isso que é apresentado.

O primeiro problema da obra está na apresentação dos personagens. Com a narrativa dividida entre as rainhas do reino, cada capítulo focando em uma delas, os costumes e os diferentes reinos existentes são jogados na trama para ter alguns detalhes liberados ao longo da leitura, o que resulta em uma pequena confusão no leitor, que acaba demorando pra pegar o ritmo da história.

Katharine é a primeira rainha apresentada, com o poder de envenenamento. A mais novas das irmãs- que são consideradas irmãs apenas por terem nascido no mesmo dia e assim escolhidas para os cargos, como diz a tradição-, ela tem a difícil missão de se provar forte quando na verdade é uma das envenenadoras mais fracas de seu reino.

Already Mirabella é uma rainha Elemental, que parece ser a mais forte das três. Entretanto, a bela e forte rainha é a única que não deseja lutar e é também a única a sonhar e se lembrar do tempo em que era unida com as irmãs e da ligação que o trio tinha.

Por fim, temos Arsinoe, a rainha naturalista que na realidade não possuí poderes – fato que todos tentam mascarar. Essa deveria ser a personagem mais interessante, sendo carismática e tendo um dilema bem colocado, porém divide tanto o foco com sua criadora Jules, que acaba sendo jogada pra segundo plano e em alguns momentos causando um conflito de informações que pode confundir o leitor que não estiver totalmente atento aos acontecimentos.

Basicamente, a obra peca ao focar no assunto errado. Tendo uma grande batalha eminente, três protagonistas femininas e uma grande chance de entregar um livro de empoderamento, a trama acaba se resumindo em conflitos internos e –muito- romance. O leitor quer ver briga, sangue e talvez uma reviravolta interessante, mas acaba tendo apenas beijos, intrigas por conta de namoricos e política que envolve conquistas dos pretendente.

Há também alguns erros de revisão que danificam o entendimento geral- tive que voltar várias vezes para perceber isso. Trocas de nomes acontecem com alguma frequência, principalmente em relação à Arsinoe e Jules, que atrapalham bastante o entendimento de um conflito apresentado. Algumas outras trocas, como um cabelo louro virando ruivo no próximo parágrafo também acontecem, mas essas sendo mais irrelevantes.

Vale ressaltar que Três Coroas Negras parece ser apenas um início ruim para uma boa saga. Fica claro que a narrativa se prolonga muito nas explicações e tenta mostrar o lado sentimental das pobres amigas que precisam se matar, mas há alguns acontecimentos perto do desfecho que dão uma engrenada na trama e prometem finalmente entregar o que o leitor queria ver nos próximos volumes.

LEAVE AN ANSWER

Please enter your comment!
Please enter your name here