Antes de mais nada: essa série do Pantera Negra faz parte do relançamento editorial da Marvel, que foi anunciado em meados do ano passado, chamado All-New, All-Diferent Marvel – que acontece oito meses depois da Secret Wars. É a nova fase dos quadrinhos da Marvel, que vai re-apresentar seus personagens, mas não é necessariamente um rebirth. Se trata apenas de uma reformulação no Universo Marvel, mudando equipe técnica e trazendo uma nova fase. A ideia é trazer algo novo e significante pros herois que conhecemos (que é o exemplo dos Guardiões da Galáxia, com Kitty Pride sendo a Senhora das Estrelas; a Thor; Sam Wilson como Capitão América etc).

Neste primeiro volume, somos apresentados a uma Wakanda em caos. Wakanda é nação africana que possui uma sociedade tecnologicamente avançada, além de ser dona de um grande depósito de um recurso natural extremamente raro, chamado Vibranium – que, pra quem não sabe, é o metal mais resistente do Universo Marvel, sendo usado na maior parte do uniforme do Pantera Negra e no escudo do Capitão América.

Por causa do caos em Wakanda, o novo rei, T’Challa, que estava sumido há algum tempo, volta para governar a nação. Até porque, sua irmã, Shuri, que governava enquanto rainha e Pantera Negra, acabou morrendo ao defender Wakanda do exército de Thanos. Então, não tem jeito, T’Challa precisa assumir o trono de rei e o uniforme de Pantera Negra.

O roteiro de Ta-Nehisi Coates é simples e ao mesmo tempo elaborado. Além dos acertos. Mas, vamos por partes.

A parte simples são os aspectos básicos ao escrever um povo em caos e guerra. Tem o povo atacando o heroi, que é T’Challa, tem a rebelde que não aceita uma execução, aparentemente, injusta, tem uma chefe política que mesmo vendo as consequências de suas medidas, não tem outra escolha senão fazê-las, e tem o amor proibido. Esses sãos os pontos que, basicamente, toda história sobre revolução tem. Conto isso como pontos positivos porque é natural. É natural ter alguém que não aceita as decisões do governo, é natural ter uma pessoa protegendo a outra por interesses amorosos além de políticos, é natural que o povo se volte contra um heroi que parece que não está resolvendo os problemas. Isso é verossimilhante. Mas não é exatamente um acerto. O acerto de Coates não é escolher colocar esses elementos na trama, e sim trabalhá-los bem e conseguir caracterizá-los conforme a necessidade (e o tom) da história.

Pantera Negra parte 1

A parte elaborada é a primeira impressão dos antagonistas, que parece ter uma motivação diferente do que esperamos. Dá a sensação de ser mais uma questão psicológica e idealista do que uma questão política e econômica (ou até mesmo pessoal). Isso é bom porque foge do óbvio, que seria o interesse no metal Vibranium, ou escravizar a nação (que, por sinal, nunca fora dominada). Um outro ponto importante é os antagonistas colocando o povo em fúria. Parece batido e previsível. Mas, se for parar pra pensar, os antagonistas da HQ não colocam a fúria no povo, e, sim, o faz ver o caos que Wakanda se tornou. Então não é simplesmente colocar a fúria no povo de Wakanda, como se isso surgisse do nada. Tem toda uma circunstância e um pano de fundo, uma justificativa plausível.

Pantera Negra parte 2

Outro ponto positivo, mas dessa vez no geral, é a escalação do roterista Ta-Nehisi Coates e do desenhista Brian Stelfreeze. Ambos são negros e estão escrevendo e desenhando uma história sobre negros. Isso é um ponto que eu não poderia deixar de observar e parabenizar. Não que brancos não possam escrever uma história sobre negros. Não que seja proibido. Mas pessoas negras para comandar essa HQ é essencial porque elas têm uma aproximação muito maior com os personagens do que qualquer pessoa branca. É questão de saber trabalhar com a representatividade negra. E ninguém melhor do que negros para fazer isso. Foi algo que amei, de verdade.

Por enquanto, não tenho muito a dizer, porque é um volume de introdução, e não dá pra ver direito, ainda, os progressos e regressos de personagens e roteiro. O desenho do Stelfreeze é ótimo, explorando com maestria a beleza negra, e as cores de Laura Martin são satisfatórias para uma história que possui misticidade e fantasia.

Pantera Negra é uma HQ que só pelo primeiro volume traz a sensação de relevância. Tanto na questão de representatividade, quanto na questão de escrever a história de um dos heróis que está ganhando cada vez mais espaço, provando que é necessário no Universo Marvel. Vale à pena, acompanhem!

 

Resumo
Nota do Thunder Wave

1 COMENTÁRIO

  1. Vale a pena assistir? Sim! O gráfico do filme é de cair o queixo, as cenas de ação são muito eletrizantes, os rituais simbolizando as tradições tribais africanas nos transportam para uma realidade totalmente diferente da nossa. As atuações dos atores estão sensacionais, eles incorporaram os papéis de forma magistral, mas entre tantas estrelas, há um nome que roubou corações: Michael B. Jordan (muito talentoso, eu compartilho seu novo projeto, Fahrenheit 451, aqui: https://br.hbomax.tv/movie/TTL711416/Fahrenheit-451 os detalhes), na pele de Killmonger, um vilão impossível de odiar, realmente muito cruel sem traços caricatos e exagerados. A forma como a tecnologia foi perfeitamente agregada à cultura africana foi simplesmente incrível. Os efeitos visuais e a agregação do moderno com o antigo foi, sem dúvida, fantástico. Um dos melhores e mais criativos filmes que já li no cinema.

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