Gênesis significa início. E muitas pessoas a conhecem como o primeiro livro da Bíblia. Pois bem, podemos afirmar que Gênesis II é um novo começo de tudo. Allen Ling, criador desta fantástica obra de ficção, aborda temas que hoje são vistos como éticas, cheias de tabus e outros nomes.

Ainda discutimos o genoma, clonagem, inteligência artificial, a fome, a colonização de Marte entre tantas outras situações. Sempre com o pensamento do dia de hoje, mas jamais imaginamos como seria um mundo onde estas situações acabam sendo normais.

Nesta história o mundo é cheio de mudanças, principalmente climáticas, um Blade Runner, mas com outros tipos de tecnologias mas com a mesma discussão tão profunda.É uma HQ com uma narrativa interessante que leva o leitor a pensar, analisar e ponderar o mundo ao seu redor. Não apenas a sentar e folhear a história como um mero espectador.

Abaixo um bate papo com Allen Ling:

1. O enredo de Gênesis II acontece no futuro, mas com uma história dos dias atuais. Discussões sobre meio ambiente, genética, sociedade e outros. O que os levou a tomar todas essas discussões e transformá-las em uma única história, em vez de apenas um tema mais simples?

R. Estávamos tentando construir um universo de muitos temas e personagens em interação, a fim de ter uma maneira de construir ainda mais histórias nos quatro primeiros capítulos. Vivemos tempos complexos e frágeis, onde muitos temas estão entrelaçados.

2. Muitos artistas gostam de usar as pessoas como seus “modelos” para seus projetos. Como foi a criação do personagem, você se baseou em alguém para os corpos e principalmente para o desenvolvimento psicológico?

A. Allen Ling usou Daniel e Lisa Wu, que são celebridades na China e Hong Kong como musas para os dois personagens humanos. Elon Musk inspirou Elon Musk III, é claro, e o malvado Franklin Vogt é uma combinação de muitas das figuras genocidas e tirânicas da história do mundo passado e dos assuntos políticos atuais.

3. O processo de criação não é nada fácil. Muitas vezes, quando pensamos que está tudo bem e damos o último suspiro, quando relemos, não gostamos de nada e voltamos ao começo de tudo. Como foi esse processo criativo da Genisis?

R.Escrevemos essa história 5 páginas por vez, com um começo e um final vagos em mente. É claro que olhei para trás e percebi que havia lacunas na história que precisavam ser preenchidas. Na verdade, voltamos e fizemos a segunda versão, adicionando 5 páginas.

4. Ao criar todo esse universo, você pensou em algo como Blade Runner, ou seja, um mundo cyberpunk cheio de problemas sociais e ambientais, meio difícil de encontrar com carros voadores, mas totalmente viável como sociedade?

R. Sim, exceto por ser um Blade Runner atualizado, pois o aquecimento global, o terrorismo e os drones não existiam nesse universo.

5. Que paralelo você desenha com o universo de Gênesis e nosso presente?

R. O terrorismo, o aquecimento global, a poluição por drones e as avarias são tomadas e ampliadas 100 vezes. Atualmente, a engenharia genética já decolou, à medida que o genoma humano está se tornando menos misterioso e outros países agora se interessam pela manipulação e clonagem do DNA humano.

6. Quando falamos de marketing em quadrinhos, as pessoas pensam em grandes empresas e nomes. Como foi todo o trabalho dos independentes? Qual é a busca para fazer as pessoas acreditarem no seu trabalho?

R. É um processo terrivelmente lento e caro obter reconhecimento para os independentes. Provavelmente vai demorar mais cerca de três anos até que meus quadrinhos recebam um aviso verdadeiro dos fãs e uma base de fãs maior e mais séria. Já exibimos na San Diego Comic Con duas vezes e sempre houve uma resposta positiva.

7. Como você define Gênesis?

R. Existe o Gênesis bíblico, e este é o Gênesis II, ou a segunda invenção do mundo e da humanidade.

8. Esta entrevista também está sendo publicada para o mercado brasileiro. Os brasileiros gostam de quadrinhos, mas o mercado não está feliz em ver quem trabalha nessa área, ou seja, muitos vêem com algum preconceito, mas idolatra nomes como Mauricio de Sousa – nosso principal artista há mais de 50 anos -, Joe Bennett, Bilquis Evely, Robson Rocha, Luke Ross, entre outros. Que dicas você daria para quem deseja trabalhar no mercado de quadrinhos dos EUA?

R. Eu recomendo que eles entrem em contato e colaborem com um editor, escritor e outros independentes dos EUA, como eu. Acabei de fundar minha própria editora e estou montando uma equipe de artistas e escrevendo mais histórias que, é claro, precisam de mais artistas para desenhá-las e atualizá-las.

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