sábado, 19, setembro, 2020
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Entrevista | Carola Parmejano

Atriz vem para o Brasil no seu primeiro filme nacional “Solteira quase surtando”

Desde pequena, seu sonho era de ser atriz e tratou de colocar seu sonho em prática. Formou-se se em Artes Cênicas e Cinema no renomado Teatro Escola Macunaíma, em São Paulo. Com inúmeras escolas de arte e experiências profissionais no seu currículo, a jovem já passou pelo Canadá, Milão e EUA. Agora, retorna ao Brasil para lançar seu primeiro filme brasileiro, Solteira Quase Surtando, onde interpreta Tati, uma solteira convicta que adora curtir a vida. Em entrevista ao Thunder Wave, Carola Parmejano fala sobre seu trabalho, sua trajetória e muito mais.

TW: O que te levou a querer ser atriz desde tão nova? Quem te motivou? Em quem você se inspirou?

CP: Do coração? Ninguém, nunca teve uma motivação porque outra pessoa ou artista estava fazendo, sempre tive a vontade de fazer as pessoas rirem, chorarem, ficarem esperando um momento… aí foi assim – montei um “teatrinho” no Natal com meus primos na escada de um prédio, e nos apresentamos para a família. Daí veio essa vontade, esse prazer.. De os verem rirem.. e/ou esperarem o “Final Feliz” da história.

TW: A sua família foi contra a sua decisão de ser atriz. Qual caminho eles esperavam que você seguisse?

CP: Foi sim. Super contra. Meus pais sabem que eu sou muito criativa, e queriam que eu fizesse Marketing, Publicidade, Venda de produtos, Propaganda de imagem, mais nada de ser atriz e sempre perguntam “Quando você vai encontrar um trabalho de verdade”.

TW: Você acredita que essa falta de incentivo, de acreditar na sua escolha te fortaleceu de alguma forma? Te fez falta? Mesmo sabendo que não tinha o apoio esperado pela família, era algo que você queria mostrar pra eles que valia a pena?

CP: Olha eu tenho certeza que se eles acreditassem um pouquinho mais na minha escolha, não seria tão difícil. Vem daí o ditado “Trabalhando em grupo você vai mais além, do que trabalhando sozinha” – Fez falta, um carinho, um conselho, uma motivação. ”Calma, isso vai passar, o próximo teste você vai conseguir” do que “Não já falei que essa carreira não é pra você ? – Agora chega, neh?”. Sempre quis mostrar pra mim mesma o poder da minha escolha.. não para eles, nem pra ninguém. E hoje, quero mostrar pro mundo que o ser humano SIM deve acreditar nos próprios sonhos.

TW: Como é retornar ao Brasil, atuando no seu primeiro longa após muitos trabalhos no exterior?

CP: MARAVILHOSO!!!! Estava na minha lista de metas, e realizei. Foi lindo, gratificante, cheio de vida. O Brasil tem a cultura muito marcada lá fora, e temos uma arte incomparável, quero continuar trabalhando nesse país maravilhoso.

TW: Como foi a construção da sua personagem para o longa “Solteira Quase Surtando”?

CP: fácil. Já passei por esse momento de frustração como a Tati, poxa encontrar o homem certo – Não e fácil neh?!? Então .. foi só relembrar alguns momentos. RS

TW: Quais gêneros chamam mais a sua atenção?

CP: Comédia, Ficção Científica, Ação e Drama. Acho que são os mais difíceis de fazer e de convencer o público de uma boa história. Fazer uma pessoa rir não é fácil.. e entrar dentro dos sentimentos de um telespectador para fazer ele chorar com um ator também não. Histórias de ação, gosto pelo jogo entre o atletismo de “lutar” com atuação do ator, e as histórias de ficção científica sempre cria ou tira minhas dúvidas sobre o mundo em si.

TW: O que podemos esperar desse longa?

CP: Uma comédia muito linda. Verdadeira, explicita, conta a história de muitas mulheres por aí.. Engraçadíssima. Sei que tem várias mulheres que vão se relacionar com a Bia, a atriz Nina Nercessian e o Leandro Lima fizeram eu rir demais. E vou te contar que também tem uma boa maioria que vai abrir os olhos depois de ver a vida da Gabi, a atriz Letícia Birkheuer soube fazer direitinho o papel de “Mulher de casa”, hahah tem que assistir.

TW: Como foi a sua inserção na atuação? Quais foram os desafios que você teve que enfrentar para se tornar a profissional que é hoje depois de tantos acontecimentos e situações que você precisou superar?

CP: No começo é muito difícil. Porque um artista não tem referências da sua vida real, quando vivemos, juntamos momentos, sentimentos, situações que podemos – em um personagem dado, resgatar para criar-lo. Acho que minha vida não serviu só para me madurar, fortalecer…mas tenho momentos fortes, dolorosos, interessantes que uso na construção dos meus personagens. Já fiz inúmeras escolas, estudei técnicas como Meisner, Grotowski, Method, Stella Adler, MeyerHold, Stanislavsky… e ter o seu próprio baú de informações ajuda não só entender cada técnica e usar a seu favor, como também suas próprias verdadeiras emoções. Tudo vale a pena.

TW: O bullying que você sofreu te fez ter uma outra visão de si própria? Te fez querer ser outra pessoa em busca da aceitação? Você se sente feliz hoje com a sua atual aparência?

CP: Sim… teve momentos que eu realmente me achava feia, realmente pensava que eu jamais poderia ser uma menina bonita, uma garota normal… são apelidos ofensivos, que às vezes te convence de tal chamado. Também… eu queria ser magra, entrar no padrão “bonita” e isso me levou a mudança. Hoje sou super feliz, não só com a beleza de fora, mais também com a saúde e as escolha que eu fiz, acho que por mais que batemos o pé dizendo que a beleza vem de dentro, temos que cuidar e se amar tanto pelo físico como pela saúde de dentro. Hoje me acho e sou a “Mulher mais Linda do Mundo.”

TW: Como você costuma se preparar para cada projeto?

CP:Primeiro entender a visão do diretor. Conversar, ver as referências dele, onde ele se inspirou, o que o fez levar a criar aquele personagem, porque ela fala assim, se move assim, pensa assim… porque se veste assim, porque o diretor gosta desse jeito. (ou o escritor) Depois, estudar cada referencia, montar dias propostas, uma coladissima nas ideias dele, e outra nas minhas ideias… apresentar as duas e, entender a técnica do outro ator para podermos trabalhar e ensaiar juntos. Uso muito a técnica do Método, vivo o personagem meses, semanas, dias, horas antes de poder atua-lo. Para tudo sair bem autêntico.

TW: Em algum momento você se questionou se era o que você queria?

CP: Nenhum momento. E olha que eu já fui muitas coisas… Professora, babá, lojista, agente de turismo, guia turístico, hostess de restaurante, garçonete, gerente de eventos, tradutora, secretária, maquiadora, assistente de salão de beleza… uffff… mais nada como Atuar. Para atuação eu levanto sem o alarme do relógio!

TW: Qual personagem você gostou mais de fazer?

CP: Tem dois. Bruna – No Beyond de Life, Uma drogada, moradora de rua, que morre por amor ao seu companheiro. E a “Mãe” na peça Picnic. Difíceis personagens, diferentes uma da outra e comoventes.

TW: Tem algum sentimento que te fez seguir em frente?

CP: Poder. Sentimento de poder fazer tudo o que eu quero, garra, amor, confiança, acho que todos eles juntos.

TW: Você se considera empoderada? Exemplo de superação?

CP: Muito! Um exemplo grandíssimo pra mim é ter a confiança e a certeza do que você quer ser ou quer fazer na vida – já é um aspecto bem empoderador. Conheço muitas pessoas que vivem por onde o vento as levam..Ter está certeza e acordar todos os dias com uma meta, não e pra todos. E muito menos e fácil de ter.

TW: Qual o projeto em que você participou que te marcou mais?

CP: “Beyond The Life” Um curta Metragem onde passei 4 meses estudando o personagem, 1 semana tendo contatos e aproximando de pessoas que usam drogas na Flórida, filmamos em 4 dias, foram menos de 500$ dólares o budget do filme, e foi aceito em Cannes de 2015.
Estar naquela Tapete Vermelho foi uma emoção única.

TW: Você já se imaginou por trás das câmeras como Patty Jenkins (diretora de Wonder Woman) ou Anna Muylaert (Que horas ela volta?)

CP: Não só imaginei como visualizo – Todos os dias. Patty é maravilhosa, ela mesma é a Mulher Maravilha, a história de vida dela é inspiradora. Nossa Mulher Maravilha brasileira Anna fez trabalhos maravilhosos que levo pra vida, “Bicho de sete cabeças”, “É proibido Fumar”… ela também está nas minhas metas. Quero muito trabalhar com ela.

TW: Em relação à arte e cultura no Brasil, você espera contribuir com mais participação em produções nacionais?

CP: Sim, O Brasil tem profissionais maravilhosos, lugares lindos, uma cultura única, e tanto novelas, séries, peça de teatro.. tenho muita vontade de fazer tudo isso.

TW: De fora, qual a sua percepção acerca do momento em que o Brasil se encontra?

CP: Não gosto de falar sobre política, mais se termos que passar por momentos difíceis em qualquer aspectos, que levamos isso como uma lição de vida, e aprendizado. Que estes
momentos sirvam para entrar para nossa história, para fazermos ser mais fortes e mais unidos.

TW: Na sua percepção as mulheres têm desempenhado papeis de mais destaques ou ainda continuam servindo de escada para os personagens masculinos?

CP: Sim, estou sentindo que no mundo da arte, o papel esta igual. Nem nos mulheres e nem eles Homens estão de escadas – Estamos na mesma altura. E um está ajudando ao outro a subir.

TW: Tem algum diretor ou diretora em que se espelha?

CP: Vários! Um dos mais maravilhosos e a Ava DuVernay, ela fez um trabalho lindo com o “When they see us” e o Ang Lee, com o filme “Broke Black Mountain”.

TW: Você acredita que a indústria valoriza a beleza em detrimento ao talento da mulher?

CP: Acho que a indústria é um reflexo da cultura que vivemos em sociedade. Por muitos anos a mulher foi um ser secundário. Colocando a mulher nesse lugar o que sobrou foi explorar sua sensualidade, sua beleza e SOMENTE isso. Os tempo felizmente estão mudando. A mulher conquistou o direito ao voto, ocupa grandes cargos em empresas, empreende e batalha todo dia para ser vista como um ser pensante. Mas a ditadura da mulher ainda ter que ser perfeita, pele impecável, corpo em forma ainda continua, pois uma cultura não se muda da noite pro dia. Cabe a nós mulheres mostrarmos que não precisamos estar impecáveis para sermos interessantes, mas cabe aos homens dar espaço para nos sentirmos interessantes mesmo sem os artifícios de quando estamos produzidas.

TW: Movimentos que incentivem as mulheres a serem mais empoderadas é interessante nos dias de hoje? Você acredita que tenha mudado a cabeça das grandes produtoras?

CP: Esses movimentos são precisos, necessários, urgentes, sem eles a mulher não se expõe. É difícil dizer e comentar, é um assunto muito delicado. Às vezes a mulher tem medo, pena.. ou até vergonha de falar, e com esses movimentos tudo isso muda… nos apoiamos, nos fortalecemos. É muito interessante e muito necessário também. Acredito sim, o poder do número, quantidades, fazem a diferença.

TW: Entre uma personagem mocinha, uma heroína ou vilã, qual lhe chamaria mais atenção?

CP: Imagina uma vilã, que vira uma mocinha e se torna uma heroína – Essa sim me chama atenção! Acho que eu tenho esse poder. Mais uma Heroína – Sem dúvida nenhuma.

TW: O que você espera para o futuro? Quais projetos você quer participar?

CP: Um futuro cheio de trabalhos e projetos. Não posso negar que uma novela das 20h, uma dramaturgia atuada com Anthony Hopkins, um filme de ação pra salvar o Universo da Marvel, um documentário na África, um programa de Gastronomia pelo mundo a fora, e por que não um programa para motivar aqueles que tenham sonhos, desejos sem condições nenhuma de poder realizar-los!

TW: O que você diria para pessoas que assim como você sempre quiseram atuar e o que você falaria para os familiares dessas pessoas caso eles sejam contra?

CP: Vá em frente. Não Pare. Deixe-os. Deixe fazer o que querem, apoie, ajude e acima de tudo – ESCUTE! Preste atenção com o coração, porque com ou sem ajuda de vocês, se o desejo ladra alto o suficiente essas pessoas vão ir em frente e vão realizar-los.

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