segunda-feira, 3, agosto, 2020
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Entrevista | Hoplon

Jogos! Durante décadas a indústria de games lutou por seu espaço. Principalmente para ser vista como algo sério. Quem nunca teve que escutar que jogos eram coisa de gente que não tem o que fazer, que jogar nunca leva a lugar nenhum, entre outras coisas?

Pois bem. Isto tem mudado e muito nos últimos anos, com games que chegam a custar milhões em seu desenvolvimento e a ganhar bilhões em vendas, muitas vezes em seu lançamento, ultrapassando os ganhos das empresas cinematográficas e o PIB (Produto Interno Bruto) de vários países.

Isto torna muitas empresas famosas da noite para o dia, e entre elas, as nacionais. Confira abaixo uma entrevista com a Hoplon, onde seu CEO, Rodrigo Campos, fez uma análise sobre o mercado de games, educação, etc.

1. O que é a Hoplon?

A Hoplon é uma produtora e publicadora brasileira de jogos especializada em games multiplayer/free-to-play desde sua fundação, em 2000. Com sede em Florianópolis, conta atualmente com 80 funcionários e publica seus jogos no mundo inteiro. Seu produto atual, Heavy Metal Machines, está disponível em mais de 70 países com legendas em nove idiomas.

2. Como a empresa tem se destacado no mercado de games?

A principal característica da Hoplon é a produção de games com jogabilidade e temáticas originais que proporcionam aos jogadores experiências realmente inovadoras, como Heavy Metal Machines, que é o único MOBA de batalha de carros free-to-play do mercado. Além disso, a Hoplon vem investindo em torneios online com servidores em diferentes continentes, inscrições gratuitas e abertas ao público e com premiação em dinheiro.

3. O game Heavy Metal Machines é um jogo competitivo com campeonatos com grandes premiações. Como vocês tem conseguido se destacar dentro de um estilo “battle royale”, onde o público possui preferência por games como CS:GO, Fortnite, entre outros.

O Heavy Metal Machines é um jogo do tipo MOBA (Multiplayer Online Battle Arena), não tem modo battle royales, e diante de concorrentes de altíssima qualidade e dominância de mercado, nossa estratégia foi a de oferecer aos jogadores uma experiência, de fato, nova. Com isso em mente criamos o MOBA de batalha de carros ambientado em um mundo pós-apocalíptico e ao som de Heavy Metal. Essa inspiração contrasta fortemente com os jogos MOBA tradicionais, trazendo à tona nossa principal característica, que é a inovação.

4. O mercado de games cresceu na última década e atualmente é respeitado por seus números milionários na produção e no lançamento de jogos. Como vocês analisam os últimos 10 anos da indústria de jogos em comparação a de cinema que a cada ano tem adaptado games famosos como Sonic ou feito longas como John Wick, onde seus criadores dizem claramente que se inspiram nos roteiros de jogos?

Não somente o cinema se inspira nos jogos, como o contrário também ocorre. Do ponto de vista de faturamento, porém, a indústria de jogos já ultrapassou a de cinema, e a tendência é que essa diferença fique cada vez maior, principalmente com os dispositivos mobile, que permitem que qualquer pessoa tenha acesso instantâneo a jogos digitais.

As tendências do crossmedia e transmedia na indústria dos games só têm a agregar aos jogadores, que tem nos games um estilo de vida e querem consumi-los de diferentes formas e em diferentes formatos. Quanto mais produtos e conteúdos disponíveis, melhor para os gamers.

5. Como a Hoplon se vê no mercado atual, tanto nacional como internacional de jogos?

O mercado de jogos, tanto nacional quanto internacional é ao mesmo tempo muito desafiador e promissor. Vários mercados, como brasileiro, ainda estão longe de atingir o ápice tanto em desenvolvimento quanto em consumo e a tendência é que a indústria siga em crescimento, seja pelo aumento da base instalada, crescimento do segmento em plataformas mobile, desenvolvimento do cenário de esportes eletrônicos e investimento de empresas não endêmicas que veem nos jogos uma oportunidade de conversar com um público conectado e antenado com inovações.

Por isso, mesmo concorrendo com produções de altíssimo nível, com empresas muito fortes e com grande poder de marketing, nos consideramos um case de sucesso. Somos a única desenvolvedora brasileira com um game competitivo lançado em mais de 70 países e com calendário fixo de competições e premiações em dinheiro.

6. Falem um pouco sobre seus jogos e como foram criados. Houve mudanças desde sua criação ao projeto final, como pensar em um certo estilo de público e ser lançado para outros? (Exemplo: infantil e ser lançado para adulto, etc).

No nicho de mercado em que atuamos, de jogos free-to-play, as mudanças no decorrer da vida de um jogo são bastante normais. Os jogadores esperam essas mudanças com adições de novos conteúdos, mecânicas e melhorias. Mesmo depois de lançado, o game continua sendo atualizado para oferecer a melhor experiência possível aos fiéis e aos novos jogadores. Somos bastante próximos à comunidade de HMM e estamos sempre em contato com ela para recebermos feedbacks e fazermos as melhorias necessárias.

7. O mercado nacional ainda é um tanto preconceituoso quando se trata de jogos criados por brasileiros ou isso já algo do passado?

Com o Heavy Metal Machines não sentimos esse preconceito de forma alguma. Muito pelo contrário. Inclusive, os jogadores brasileiros estão entre os mais engajados.

8. Quais são os projetos da Hoplon para os próximos anos e o que já possuem para lançamento a curto ou médio prazo?

Nossa equipe está 100% focada no Heavy Metal Machines e esperamos que isso ainda dure por um bom tempo. Um jogo MOBA exige a produção de conteúdo e adição de novidades constantemente, o que mantém toda a equipe ocupada e empenhada em oferecer um produto cada vez melhor.

9. Os eventos sempre foram uma ótima porta para conversar com investidores e principalmente consumidores. Como vocês estão reagindo neste ano turbolento onde as grandes feiras como E3, GDC entre outras são canceladas? E como vocês analisam eventos nacionais como a BGS, BIG, etc? Elas dão realmente o retorno necessário ou ainda falta aquele “algo”?

Cada evento tem um foco específico e um expectativa diferente. Em congressos como a GDC, o principal objetivo é de se atualizar em relação à indústria e o seu adiamento realmente foi um grande banho de água fria no setor. Eventos de negócios, como o BIG Festival, Game Connection, Gamescom também farão falta, pois ajudam a movimentar a economia do setor. Já os eventos voltados ao consumidor, como E3 e BGS, certamente são muito aguardados pelos jogadores, mas no caso da Hoplon, não fazem tanta diferença, já que costumam ser caros para participar e não trazem tanto retorno para o nosso tipo de jogo.

10. O Brasil possui poucas faculdades de games e os poucos jovens que se formam não possuem quase ou nenhuma experiência na área. Vocês possuem ou ainda terão algum tipo de incentivo para jovens talentos?

No Brasil, a busca por profissionais qualificados é um grande desafio. Muitas vezes, o melhor caminho é formá-los dentro da empresa. Por isso, temos constantemente no nosso website vagas abertas tanto para estagiários quanto para profissionais em início de carreira. De qualquer forma, acompanhamos o mercado cada vez mais atento ao segmento e um crescimento nas opções de cursos, sejam eles universitários ou livres. 

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