sexta-feira, 4, dezembro, 2020
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Entrevista | Julianna Gerais fala sobre seus projetos em entrevista exclusiva

Atriz faz parte do elenco de protagonistas da série "Todxs Nós", da HBO, que debate temas voltados a comunidade LGBTQI+

A indústria do entretenimento tem andado meio devagar nos últimos tempos devido a pandemia do Covid -19 e por isso encontramos outras formas de produzir conteúdo durante essa quarentena necessária. A nossa entrevistada deste mês de outono é a talentosa Julianna Gerais. Ela interpreta Maia, uma jovem programadora, engajada na militância feminista, negra e vegana, e conversou com a gente sobre os projetos em que fez parte, sobre o momento em que o Brasil se encontra e principalmente sobre a série Todxs Nós que aborda assuntos muito atuais como o não-binarismo, feminismo, racismo e assédio. Confira abaixo.

Thunder Wave: O que te levou a querer ser atriz? Quem te motivou? Em quem você se inspirou?

Julianna Gerais: Desde criança me interessava e fazia teatro, mas não pensava em ser atriz. Mais perto de terminar a escola, decidi que Artes Cênicas era uma boa escolha por ser algo que eu me imaginava fazendo e por ser um curso que eu realmente me interessava. Mesmo dentro de Artes Cênicas, me imaginava tendo uma carreira mais acadêmica e mais focada no teatro. Foi depois que entrei na EAD ( Escola de Artes Dramáticas da USP) que por diversas coincidências e oportunidades, o cinema apareceu na minha vida e ali me descobri. 

TW: Em algum momento você se questionou se era o que você queria?

JG: Sim, várias vezes! Não é uma área fácil. Na verdade, é uma área bem desafiadora. Então nos altos e baixos da vida sempre acontece de me perguntar se é isso que eu realmente quero. É uma profissão que a todo momento estamos sendo provados e temos que lidar a todo tempo com nosso ego, nossa imagem, nossas inseguranças. Porém, quando me questiono, vejo que, hoje, não consigo me ver fazendo outra coisa se não atuar. 

TW: A sua família te apoiou na sua decisão? Qual caminho eles esperavam que você seguisse?

JG: Meus pais sempre foram muito receptivos quantos minhas escolhas de o que estudar e qual profissão eu seguiria. Rolou uma certa apreensão no início por eu ter escolhido uma profissão que eles não tinham ideia de como funcionava ou acontecia. Mas tive, desde meus estudos em Artes Cênicas, muito apoio deles. 

TW:  Como foi participar da série “Todxs Nós”?

JG: Foi um projeto no qual aprendi muito. Tanto sobre os próprios assuntos que a série trata, como não-binariedade, quanto sobre atuação. Foram várias semanas de ensaios e mais outras várias semanas de gravação. Poder mergulhar numa personagem durante tanto tempo, tendo ao meu lado profissionais que admiro e que super me acolheram, foi uma experiência que me acrescentou muito.  

TW: Quando você soube que a personagem Maia seria uma das protagonistas e que você tinha pleiteado o papel, qual foi a sua sensação?
JG: Fiquei muito animada de estar numa série, que era algo que já tinha muita vontade de fazer e mais empolgada ainda por ter pego uma personagem interessante, com estofo, dentro de um projeto que aborda temáticas que eu realmente considero importantes e urgentes. 

TW: Como foi a construção da sua personagem para a produção “Todxs Nós”?

JG: Busquei principalmente, adentrar o universo de Maia e ampliar minhas referências sobre assuntos que a interessavam como feminismo, movimento negro, veganismo e tecnologia e programação. Mas também foi fundamental ter a troca dos outros atores (Kelner Macedo e Clara Gallo) que compõe esse trio protagonista e da preparadora de elenco (Maria Laura Nogueira). Grande parte de construir uma personagem, é entender a relação dela com as outras personagens.

TW: O que podemos esperar da Maia? Quais as suas expectativas para a personagem numa possível segunda ou terceira temporada?

JG: Primeiro espero que a HBO renove a série para uma possível segunda temporada. Tenho vontade de ver Maia conseguindo sucesso profissional, pois ela é boa no que faz e merece mais reconhecimento do que teve até aqui. Também fico curiosa para ver onde poderia dar o romance de Maia e Antônio e ver o trio Rafa, Vini e Maia se tornando cada vez mais uma família. 

TW: Quais gêneros chamam mais a sua atenção?

JG: Animação, Drama e Suspense. 

TW: Como você costuma se preparar para cada projeto?

JG: Para cada projeto a forma de preparação é bem diferente. Nos projetos que participei, tiveram preparadoras de elenco incríveis que sugeriam caminhos de preparação que funcionaram bastante para o que cada projeto pedia. No geral, eu primeiro vejo o que cada roteiro me conta da personagem e busco conversas com a direção para entender qual universo aquela personagem habita. 

TW: Ainda este ano, você está no elenco de mais duas produções nacionais. Qual personagem você gostou mais de fazer?

JG: Gosto muito da personagem que fiz no filme “Dentes”, a Igarashi. Estou ansiosa para ver essa personagem nas telas. 

TW: Na sua concepção como atriz, como mulher, como cidadã, qual a relevância de debater e de ter produções audiovisuais que abordam assuntos como a representatividade, temas voltados a comunidade LGBTQI+, sororidade, empoderamento feminino, força da mulher negra e entre outros assuntos?

JG: Penso que uma das funções do cinema é contar histórias que talvez nunca teríamos contato, nos fazendo ampliar nossa visão de mundo. Diante disso, é importante que contemos histórias invisibilizadas e apagadas e, se possa usar o distanciamento inerente ao cinema, para fazer o espectador refletir sobre assuntos que carecem de visibilidade no cotidiano. 

TW: Na sua concepção, como será o futuro do cinema pós-pandemia?

JG: Nesse momento eu não faço ideia. Acho que muita coisa sobre o futuro do cinema vai depender de como estarão as coisas quando sairmos disso. Mas tenho muita esperança de um cinema que consiga ter mais valorização, que seja mais diverso e mais consciente. 


TW: Sua formação é Artes Cênicas pela Escola Superior de Artes Célia Helena. Qual o projeto em que você participou que te marcou mais durante a sua graduação?

JG: Foi a montagem do meu semestre de formatura. Montamos “Hamlet”, com a direção do Marcelo Lazzaratto e, apesar de um processo árduo e trabalhoso, me rendeu muitas fichas caindo sobre o trabalho de atuante e muitos questionamentos acerca daquele meu momento de vida.


TW: Em relação à arte e cultura no Brasil, você espera contribuir com ou mais participação em produções nacionais?

JG: Claro! Gosto muito e consumo bastante produções nacionais e tenho um forte desejo de fazer parte de muitas outras produções. 

TW: Qual a sua percepção acerca do momento em que o Brasil se encontra?

JG: Acho o momento que o Brasil se encontra extremamente desolador de forma que ultimamente tem me faltado palavras de exprimir o medo e tristeza que sinto e que percebo que as pessoas ao meu redor também sentem. Mas olhando para a história do Brasil, não é a primeira e nem segunda vez que passamos por governos despreparados, com discursos problemáticos, higienistas e autoritários. Nesse contexto de crise política junto a uma pandemia, estamos passando por um momento muito cruel de injustiças, incertezas e receios.  

TW: Você se imagina atuando fora do Brasil? 

JG: Até que sim! Gostaria muito de atuar fora do Brasil em algum momento da minha carreira. Cada vez que acompanho produções de outros países, me bate esse desejo de ter experiências profissionais em outros lugares.

TW: Na sua percepção as mulheres têm desempenhado papéis de mais destaques ou continuam servindo de escada para os personagens masculinos?

JG: Como qualquer mudança, acho que essa vem acontecendo de forma gradual. Tenho observado e assistido mais produtos audiovisuais com mulheres desempenhando papéis de protagonistas e papais de maior destaque. Ao mesmo tempo que junto com esses projetos que colocam mulheres em outros lugares que, outrora, elas não ocupavam, ainda tem muitos projetos que mulheres continuam ocupando um lugar já ultrapassado de objeto ou então papéis de pouca relevância para a trama principal. Isso que estamos falando de mulheres no geral, se fizermos a mesma pergunta tendo o recorte de mulheres pretas, talvez tenhamos outras respostas. Acho que uma coisa importante que tem acontecido, cada vez com mais frequência, é a discussão sobre isso: o lugar das personagens mulheres nas tramas e o levantamento da necessidade de se mudar a forma como se conta, ou não, suas histórias. 

TW: Tem algum ator ou atriz em que se espelha?

JG: Tem atores e atrizes cujos trabalhos eu admiro bastante como: Maeve Jinkings, Matheus Nachtergaele, João Miguel, Grace Passô. 

TW: O que você espera para o futuro? Quais projetos você quer participar?

JG: Para além do meu desejo de continuar atuando em longas e séries, gostaria de atuar em papéis que sejam mais distantes de mim e do meu universo pessoal. Gostaria de novos desafios no quesito atuação. Também tenho vontade de voltar a integrar projetos de teatro e performance. Acho importante para o atuante estar, quando fizer sentido, nos palcos também.


TW: O que você diria para pessoas que assim como você tem o sonho de atuar?

JG: Diria, primeiro, para que estudem. Depois, diria para que elas não confundam close com corre. Uma frase que gosto muito que ouvi do meu amigo da vida e de profissão, Kelner Macedo, é “quem vê close, não vê corre” e é verdade!

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