sexta-feira, 18, setembro, 2020
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Crítica: O Espaço Entre Nós

"Do que você mais gosta na Terra?"

Há dois elementos que andam sendo excessivamente explorados nas obras cinematográficas e literárias: Romance adolescente e Marte. Inúmeros títulos usaram viagens a marte como seu ponto de partida e mais uma infinidade usam romances jovens como enredo e todas acabam sendo meio forçadas. No primeiro exemplo o motivo é óbvio, é raro não haver uma quantidade absurda de buracos no roteiro de produções interplanetárias, que constantemente exageram no uso de tecnologia e informações. Já o segundo exemplo costuma erra ao exagerar na demonstração de um amor adolescente, afinal, jovens se apaixonam a todo momento (lembram da famosa expressão “paixão de adolescente”?) e é quase impossível encontrar a cara metade -como geralmente são colocadas nessas obras- com 16 anos.

O Espaço Entre Nós pecou ao unir esses dois elementos já tão desgastados e controversos em sua trama. Girando em torno apenas desses argumentos, o roteiro nos apresenta Gardner (Asa Butterfield), um garoto criado em Marte por ter nascido no meio da primeira missão que enviou os primeiros moradores ao planeta. Por sua mãe ter morrido no parto, Gardner tem um vazio que precisa preencher e uma obsessão pelo planeta Terra, do qual quer visitar a todo custo, mas sua formação em Marte causa problemas em seus órgãos, seu coração não aguenta a gravidade do planeta e por isso não permite que ele viva na Terra.

Sua vontade só aumenta quando começa a manter contato constante com Tulsa (Britt Robertson), uma garota com seus próprios problemas de moradia. Sem nem ao menos saber a verdade sobre a situação de Gardner, ela, e a vontade de conhecer seu pai, são os motivos do garoto ignorar sua eminente morte e vir para a Terra.

Crítica: O Espaço Entre Nós 1
Gardner e Tulsa
Imagem: Divulgação

O Espaço Entre Nós era um projeto muito ambicioso, e era de se imaginar que se fossem estragar, seria na explicação de um garoto nascido em Marte. Porém, não foi aí que a coisa desandou, essa parte é bem abordada no roteiro, representando bem essa situação inusitada e utilizando de muita tecnologia para deixar tudo devidamente explicado. Não, o problema do roteiro foi vender uma trama interplanetária e passar quase todo o filme focando em dois adolescentes, ao invés de explorar todo o potencial desse enredo. Há inúmeras questões a serem apresentadas, inúmeras possibilidades de especular a questão da saúde de Gardner – que embalou toda a divulgação do longa-, inúmeras questões filosóficas e morais a serem analisadas e tudo isso é deixado de lado, para ser abordado apenas no final e de uma maneira bem rápida, mostrando durante o resto da produção apenas longas e desnecessárias cenas de Gardner e Tulsa.

O que o roteiro acerta ao explicar a origem de Gardner, peca em conseguir explicar o relacionamento dele com Tulsa. Tudo fica mencionado por alto e os espectadores mais exigentes sem dúvidas irão notar que não há uma explicação para apenas Tulsa conseguir entrar em contato com ele, sendo que um menino tão obcecado pela Terra iria tentar fazer o maior número de contatos possíveis. Ou até mesmo o motivo de Tulsa reclamar tanto de sua situação atual de moradia, visto que basta Gardner aparecer para ela se virar e não retornar para casa.

O Espaço Entre Nós não é uma adaptação literária, mas pelo seu contexto poderia ser. Repleto de situações idênticas às vistas em romances juvenis famosos, como os escritos por John Green, chega a ficar semelhantes inclusive nas questões morais que são brevemente colocadas e na reviravolta apresentada no final.

Crítica: O Espaço Entre Nós 2
Gardner e Tulsa
Imagem: Divulgação

Apenas o que salva o longa são as atuações e os cenários. É uma obra bonita de se ver, com atores já conhecidos que não falham em seus papeis. Asa, mesmo jovem, já é muito conhecido em Hollywood, atuando desde muito cedo e representa muito bem as pequenas dificuldades que seu personagem apresenta na Terra- desde a maneira de andar até os problemas nas interações sociais. Ao seu lado temos a sempre ótima atuação de Gary Oldman, que acaba sendo a única dica das explicações apresentadas no desfecho.

O Espaço Entre Nós é uma trama desperdiçada. O que poderia ser um grande sucesso, se perde ao querer aproveitar a onda de adaptações focadas em romance adolescente e concentra seu foco onde deveria dar menos atenção.

Veja a ficha técnica e elenco completo de O Espaço Entre Nós.

Nota do Thunder Wave
O Espaço Entre Nós tinha tudo pra dar certo, mas errou ao transformar uma trama promissora em um romance adolescente.

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