quarta-feira, 23, setembro, 2020
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Crítica | Exterminador do Futuro – Gênesis

Para fãs ficção científica de longa data, sabe-se que alguns temas sempre são espinhosos e difíceis de serem trabalhados. E dentre esses temas, viagens no tempo se sobressaem. Viagem no tempo sempre dá confusão. Mas grandes obras de ficção que mexem com viagens no tempo já encontram saídas elegantes ou tramas envolventes para viagens no tempo sem meter os pés pelas mãos, como De volta para o Futuro. Infelizmente, não é o caso de Exterminador do Futuro: Gênesis.

Na trama, o John Connor de 2029 (Jason Clarke) envia Kyle Reese (Jai Courtney) de volta para 1984 para proteger Sarah Connor (Emilia Clarke) e salvar a vitória dos humanos sobre as máquinas no futuro. Até aí, nada demais, apenas o cânone básico de Exterminador. Mas é no retorno de Reese para o passado que algo dá errado, e na sua chegada a 84, ele não encontra uma Sarah Connor desavisada e indefesa, mas uma guerreira treinada pelo Guardião (Arnold Schwarzenegger) e plenamente ciente dos eventos do futuro.

Exterminador do Futuro: Gênesis
Exterminador do Futuro: Gênesis | Imagem: Paramount Pictures

Os problemas começam nas tentativas do filme de explicar o que diabos está acontecendo. Ao contrário das versões anteriores do Exterminador, esse T-800 de Schwarzenegger não é monossilábico e inexpressivo. Este foi programado para proteger Sarah a longo prazo e, nas suas tentativas de se misturar aos humanos, ele se torna o personagem mais carismático da trama. E é justamente dele que partem as explicações das mudanças na continuidade do tempo.

Ter uma máquina explicando complexos conceitos de física deveria fazer a coisa toda parecer mais óbvia e técnica, e menos “viagem na maionese”. Mas não é o que acontece, e ao invés de elucidar, as explicações tornam a trama mais rocambolesca, lembrando os piores momentos de séries como Jornada nas Estrelas, em que você acha que não está entendendo nada porque não tem um doutorado em física, mas quem não entende nada sobre o assunto são os roteiristas mesmo. É o efeito “Nolan”, em que os produtores de um filme acreditam que, quanto mais se explica e esmiúça para o público, menos tapado este vai se sentir. Teria sido melhor manter as características sucintas dos primeiros filmes da série.

O filme se esforça para evocar as melhores lembranças dos 2 primeiros filmes da série, e se escora fortemente na estética e ação do terceiro e do quarto. Trocando em miúdos, uma tentativa de agradar aos novos e velhos fãs. Nessa hora, a méritos e deméritos. Sobre o elenco, podemos apontar 2 pontos fortes, dois pontos fracos e uma decepção/desperdício.

Exterminador do Futuro: Gênesis
Exterminador do Futuro: Gênesis | Imagem: Paramount Pictures

Dos pontos fortes, destaque, obviamente, para o bom e velho Schwarza e o seu T-800. É nítida a impressão de que ele está se divertindo horrores interpretando o papel, e o público sente isso. Esse novo exterminador, pela sua nova programação, nos faz ficar em dúvida se não estamos vendo um filme de super-herói. O embate com a sua versão mais jovem é um dos pontos altos do filme, e a tecnologia que rejuvenesce o rosto de Arnold é impecável. E Jason Clarke, John Connor, o “não-vilão” do filme, é digno e se sustenta bem, dada a posição bastante complexa do personagem durante o filme. Tanto no passado como no futuro, ele consegue transmitir bem as facetas de grande líder militar e herói caído que o filme exige, dando ao personagem uma profundidade até maior do que a necessária para o personagem.

Dos pontos fracos, o casal central da trama, Sarah Connor de Clarke e Kyle Reese de Courtney. Courtney é insípido, e parece não saber o que fazer com seu papel. Parece mais um daqueles atores selecionados em academias por estar em forma, por pura preguiça dos produtores de colocar um ator melhor e fazê-lo malhar. Já o problema de Clarke não está na interpretação, mas sim… nela. A Daenerys de Game of Thrones tem um rosto delicado e angelical, o que não seria problema algum, se não fosse a imediata e inevitável comparação com a Sarah Connor de Linda Hamilton e seu sempre rigoroso semblante. Todos nós conseguíamos acreditar que Hamilton pudesse pegar uma escopeta e sentar a lenha em um exterminador. Já com Clarke, ficamos surpresos de ela conseguir conduzir um automóvel sozinha, sem o instrutor da auto-escola do lado. E a relação entre eles não melhora: se dependesse da química dos dois atores, coitado de John Connor. Jamais teria nascido. Já a decepção fica por conta de Matt Smith, de longe o casting mais subaproveitado do longa. Além de aparecer pouco, sua Skynet incorporada não diz muito a que veio. Amigo leitor que é fã de Doctor Who, se estiver indo assistir o filme esperando ver o 11 Doctor em ação, é melhor ficar em casa.

O que sustenta a obra, e que o faz valer a pena ser visto, além de Schwarza, é a ação e a parte tecnológica. Todos os filmes da série, em termos de inovação nos efeitos especiais, sempre viverão a sombra de Exterminador 2, um marco na história do cinema. Mesmo assim, os efeitos de E: Genesis são muito acima da média, até para garantir que um sexagenário Arnold mande muito bem na pancadaria. As passagens pelos diversos momentos da trama garantem o revival dos melhores momentos da série, desde a icônica primeira aparição do T-800 contra os punks oitentistas, até um combate contra um T-1000 (Byung-hun Lee) genérico nos anos 90.

Exterminador do Futuro: Gênesis
Exterminador do Futuro: Gênesis  | Imagem: Paramount Pictures

Fato é que, ao final do filme, restam muitas pontas soltas. Muitas. Tantas que chegamos a questionar se são deixas para as próximas continuações ou se foi desatenção dos roteiristas, algo que não seria nada excepcional, dada a bagunça com as viagens no tempo que eles mesmos provocaram (falando nisso, NÃO SAIA ANTES DO FIM DA SESSÃO!) Mesmo assim, Exterminador do Futuro: Gênesis é diversão garantida. Assista de maneira despretensiosa, deixe o blablabla pseudo-científico entrar por uma orelha e sair pela outra e você terá duas horas de ação e efeitos especiais de alta qualidade, além de poder ver o velho Schwarza explodindo tudo a sua volta, como se a idade pesasse menos para ele do que para o próprio T-800.

Como ele mesmo faz questão de frisar durante a trama: Velho, mas não obsoleto.

Nota do Thunder Wave
Exterminador do Futuro- Gênesis não surpreende, mas merece uma chance.
Escrito porRaphael Topo

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