quarta-feira, 30, setembro, 2020
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Crítica: Kingsman-O Círculo Dourado

Perdeu o Brilho

Quando foi lançado Kingsman: Serviço Secreto em 2015, facilmente era uma das maiores surpresas daquele ano. Dirigido pelo competente Matthew Vaughn (Kick Ass – Quebrando Tudo), o filme trazia cenas de ação inventivas, um humor negro rebuscado, uma boa homenagem/sátira do gênero de espionagem e personagens carismáticos. Era óbvio que com esse sucesso inesperado, a Fox iria começar uma franquia e mostrava sinais positivos por deixarem Vaughn como roteirista e diretor. Pena que Kingsman: O Círculo Dourado seja tão inferior quanto ao original.

Após um ataque que acaba com todos os agentes da Kingsman, Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) tem que contar com a ajuda do serviço secreto norte-americano, a Stateman. Liderados por Champ (Jeff Bridges), os ingleses irão contar com a ajuda da expert em tecnologia Ginger (Halle Berry) e dos agentes Uísque (Pedro Pascal) e Tequila (Channing Tatum) para acabar com a traficante de drogas Poppy (Julianne Moore) que tem um plano de dominação de mundial.

Kingsman o Círculo Dourado
Kingsman o Círculo Dourado | Imagem: 20th Century Fox

A história parece ser interessante, mas se torna desnecessariamente longa e enfadonha. Parece que Vaughn e sua companheira de roteiro, Jane Goldman, esqueceram que tornava o primeiro longa tão marcante. As piadas feitas para essa continuação são fáceis demais e não tem o mesmo charme que tinha no primeiro, que além de ter a brincadeira com o gênero de espionagem tinha uma forte piada com o estereótipo do estilo de vida inglês. Nessa continuação se pensa que vai fazer o mesmo com os americanos, que até tem algumas poucas piadinhas que funcionam, mas no geral é bem rasteiro e bobo. Até com a brincadeira do estilo de trabalho entre os dois tipos de agência é concluída de maneira rápida.

Entretanto o humor não é o único problema do roteiro. Ele cria arcos dramáticos que acha interessante, porém não servem de nada para a trama, como o da namorada de Eggsy – que era uma piada no final do primeiro filme – , a que envolve o personagem de Pedro Pascal e o retorno do Collin Firth, que não precisava ter voltado e a explicação da sua volta é inacreditável. Além dos personagens do filme ter problemas de motivação, principalmente a vilã que por mais que a Julianne Moore esteja bem no papel, Poppy não tem nenhuma motivação aparente para executar o seu plano diabólico. Não tem problema ela ser caricata, porque isso faz parte do universo criado, mas ela tem que ter algo que justifique o que ela faz e porque fazer um plano tão elaborado.

Infelizmente os problemas da produção não estão apenas no roteiro, mas também na execução. Honestamente, parece que na cadeira de direção tem alguém tentando imitar o estilo de Matthew Vaughn, ao invés do próprio. Ele já deixou claro que é um diretor pop inventivo, mas em Kingsman: O Circulo Dourado faz um trabalho que no geral soa muito preguiçoso. Além do problema com o humor, o diretor erra nas sequencias de ação que são todas idênticas a famosa sequencia da Igreja do primeiro filme: a câmera vai em ângulos diferentes – aparentando um plano sequencial algumas vezes – , com a velocidade do quadro acelerada, com alguns slow motions em momentos específicos e ao som de uma música pop. Se fosse só uma sequencia desse jeito, não teria problema, mas já havia sido apresentado no primeiro longa e com alguém com a criatividade de Vaughn era esperado que ele viesse com algo diferente para adicionar a fórmula. Ao invés disso, ele apenas eleva o que havia no primeiro sem inovar em nada, deixando a trama muito exagerada. Além de insistir nas piadas com Elton John, que insiste que é engraçado, mas não é. Pra não dizer que tudo é um caso perdido, as cenas de ação pelo menos são bem coreografadas, apesar de serem repetitivas e dependerem muito de feitos especiais, que são de qualidade duvidosa.

Kingsman o Círculo Dourado
Kingsman o Círculo Dourado | Imagem: 20th Century Fox

Mas o elenco se salva? Alguns sim, outros não. Theron Egerton, Mark Strong e Colin Firth continuam muito bem em seus papéis mostrando uma ótima química e segurança, principalmente Strong. Julianne Moore consegue criar uma vilã muito carismática, apesar da personagem ser muito mal escrita, enquanto Pedro Pascal se mostra a melhor aquisição do novo filme. Halle Berry se mostra apática, não tendo nenhuma química com nenhum dos atores em tela, já Jeff Bridges e Channing Tatum são desperdiçados de maneira criminosa.

Infelizmente, não tem mais o que dizer sobre Kingsman: O Circulo Dourado. É uma das grandes decepções do ano, uma pena que veio de uma primeira produção muito divertida, mas aqui perdeu sua essência. Se antes estava com muita vontade de ver uma continuação desse universo, agora estou com medo.

Veja a ficha técnica e elenco completo de Kingsman: O Circulo Dourado

Nota do Thunder Wave
O longa tenta repetir a fórmula do primeiro, mas não consegue manter a qualidade.

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