Manhãs de Setembro foi uma estreia ousada muito original da Amazon Prime Video. Com o sucesso da primeira temporada, o aguardado segundo ano chega trazendo mais do íntimo dos personagens que conquistaram o público.

A nova temporada traz também novidades para o elenco, que contam com Samantha Schmütz e Seu Jorge. Em coletiva de imprensa, eles, junto da atriz Karine Teles (que vive Leide), Gustavo Coelho (que dá vida à Gersinho), Liniker (Cassandra), o diretor Luis Pinheiro e a Head de Conteúdo da Amazon Malu Miranda falam sobre o processo de criação da 2ª temporada de Manhãs de Setembro.

O grande destaque entre as novidades certamente é a adição de Seu Jorge. E parece que foi uma decisão que agradou a todos, Karine Teles e Liniker revelaram que foi “bonito e inspirador trabalhar com Seu Jorge” Karine também revela que conhece Seu Jorge a muito tempo e “foi lindo ver esse desabrochar como ator”. Parece ser recíproco. Seu Jorge revelou estar “muito honrado em participar dessa série, é lindo como ver uma família não conservadora ser respeitada”.

Manhãs de Setembro | 2ª temporada da série apresenta diversidade dentro e fora das telas 1
Seu Jorge e Liniker na 2ª temporada de Manhãs de Setembro/ Amazon Prime Video

Fica claro para quem assiste a série que emoção dita o ritmo. E sobre isso, Luis Pinheiro comenta que “o fluxo emocional é muito forte, os takes são muito intensos e tem inúmeras sequências rodadas em um take só, com cenas muito intensas como resultado. Essas cenas de um take só são de uma intensidade emocional incrível”. Uma peculiaridade da série é ser centrada em Vanussa, que não apenas serve como mentora para Cassandra e dá o título à obra, como também empresta sua voz para narrativa. O diretor revela que “nesse ano é quando vamos entender como funciona a voz da Vanussa como consciência na cabeça de Cassandra. No final da primeira temporada essa voz cresce e nesse ano fica claro que a voz significa a voz que faz com que Cassandra não saia da busca de liberdade dela, que é seu objetivo. É interessante ter um voz over com curva de temporada, sendo que ela acha que a família vai atrapalhar a liberdade e pode ser que essa opnião mude futuramente”.

Gustavo Coelho é um ator mirim, mas já tem muita conquista entre os colegas. Karine aproveita a oportunidade para elogiar o colega dizendo que “Gustavo é um ator genial, um dos melhores que já trabalhei. Tem muito comprometimento com as cenas e os colegas. Há atores que estão a anos no mercado e não possuem esse profissionalismo”. Ela não é a única a ter essa opinião, Seu Jorge continua dizendo que Gustavo “entende também de enquadramento, lentes e sempre está a frente e pronto para o serviço”.

Veja também: Crítica | Manhãs de Setembro- 1ª Temporada

Manhãs de Setembro fala de maternidades possíveis, mães que se dão como podem. Sobre isso, Liniker diz que “Cassandra parte do ponto de vista do que é possível, ela tenta ser mulher e aceita pela sociedade. Quando vem um filho, ela precisa mergulhar completamente nessa mudança”. Para fazer se entregar a esse papel, ela revela que “precisei mergulhar muito em minha família, como atriz, tentando entender a mãe que me criou sozinha, entender o pai que me abandonou e entender minha relação com Gersinho, o reconhecimento de minha liberdade, o reconhecimento de meu abandono quando criança. Também há conversas de bastidores, inclusive com Karine, que ajudam a entender a maternidade e seus papéis”. E parede que a trama faz seu trabalho. Liniker finaliza revelando que “a série reacende a minha vontade de criar, de ser mãe, que é o que essa história passa”.

Ainda sobre as diferentes abordagens de maternidade, Karine observa que há várias nuances de cada tipo de maternidade. “Ruth é o ninho vazio, seus filhos já foram embora e agora ela tá em uma rotina que se vê feliz em quebrar. Leide está cansada da maternidade, de ter que cuidar de tudo sozinha e seu jeito atrapalhado de tentar entrar na vida de Cassandra já é uma tentantiva de lidar com esse cansaço, essa solidão da maternidade”. Sendo mãe, Karine ainda comenta sobre a dificuldade de dar vida a Leide, um jeito totalmente diferente de criar um filho. “O desafio é experimentar essa maternidade da Leide, uma maternidade totalmente diferente da minha, e emprestar um pouco de minha vida, meu amor como mãe para achar a facilidade, o tanto de erro, a culpa da maternidade da Leide”. Ela finaliza comentando o que aprendeu com sua personagem “Leide ensina que mãe pode errar e tentar de novo e de novo. Muito do preconceito e até violência vem do desamparo e ignorância. Com a Leide começando a ter uma rede de amparo, ela consegue reconhecer também os próprios erros”.

Samantha Schmütz é uma recente adição ao elenco e se revela muito feliz com a oportunidade “somar a esse elenco é tipo jogar NBA com os melhores atores do Brasil. É muito importante estar ao lado desses gigantes e falando de um assunto tão importante. É uma honra, o texto é maravilhoso, humano, delicado, sucinto e profundo ao mesmo tempo”.

Manhãs de Setembro | 2ª temporada da série apresenta diversidade dentro e fora das telas 2
Manhãs de Setembro/ Imagem: Amazon Prime Video

Diversidade e representativade parecem transparecer tanto dentro quanto fora das telas de Manhãs de Setembro. Seu Jorge revela que “tinha muita representatividade e diversidade na equipe de produção. Em 20 anos no audiovisual, é a primeira vez que vejo representatividade em alta escala e verdadeiramente”. Esse ambiente ajudou bastante inclusive em sua evolução pessoal. Ele completa sobre a tentativa de aceitação de uma filha trans é “grande desafio e a coisa mais bonita que aconteceu comigo foi poder aprender com Liniker. Ela em vários momentos ensinou o tratamento e maneiras corretas de se portar. Minha preparação foi uma palestra com um homem trans sobre como se portar e foi muito importante esse conhecimento, mostrou também a necessidade de lutar por essa causa, essa bandeira, que é a minha bandeira agora também”. Isso tudo reflete em sua atuação, segundo ele “entender o Lourenço é entender um homem negro do interior, do interior do Paraná, que não é diverso como São Paulo e é um local difícil para pessoas negras. Eu quis construir um cara inocente, que não conhece nada dessa amplitude que podia entender, parece feliz com sua vidinha e tem um conflito, uma dificuldade em entender as mudanças e como tudo muda rápido no mundo. Mas ao mesmo tempo é um cara que pensa, sofre e tem muito amor, e demonstra muito desse amor para esse neto, que é uma grata surpresa e coloca nele um pouco da frustação que teve com o filho tentando supri-la”.

Esse ambiente de trabalho refletiu positivamente também em Liniker, que fala sobre a sua evolução como atriz entre as temporadas.”Mesmo sendo atriz de formação, antes de ser cantora, nunca tinha feito um papel audiovisual tão grande. Tudo aconteceu facilmente porque criamos uma relação afetiva e me senti segura em colaborar e construir meu papel. Esse lugar constuído e as trocas que tive me deu muita segurança para desenvolver esse processo. Uma pessoa trans brasileira sendo representada pela primeira vez no audiovisual com dignidade, humanidade, sendo pessoa que erra e acerta, é um grande presente”. Ela comenta também sobre uma cena forte de preconceito que sofre nessa nova temporada. “Gravar essa cena foi uma das mais difíceis nessa temporada e sou muito grata por ter Karine como companheira nessa cena. A transfobia é algo que quem vive sempre aprende a se calar por segurança e esse é um dos momentos em que Cassandra não tem pra onde fugir, e Leide entrega uma retarguarda pra ela, um apoio. É a cena que Leide entende o que Cassandra passa e que Cassandra entende que pode agir pois tem o apoio da amiga. É uma cena forte, inclusive fisicamente e uma chance tanto de Cassandra quanto de Liniker de se vingar. É muito difícil passar por tantas violências dessas e ser quem tem que avisar à pessoa que ela é transfóbica”.

A fotografia e representação de São Paulo em Manhãs de Setembro é um destaque, comparando uma atmosfera opressora da selva de concreto. Luis fala sobre a escolha artística dessa representação, dizendo que “sempre quis retratar uma São Paulo que não é vista nos cartões postais, com uma variedade de pessoas, imigrantes. Uma São Paulo que luta para sobreviver, que merece ser retratada. Se quisermos construir um país melhor, temos que olhar para potências e camadas. Desde a primeira relatamos essa São Paulo multi cultural, cheia de camadas”.

A 2ª temporada de Manhãs de Setembro estreia dia 23 de setembro no Prime Video.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui