O longa de Mortal Kombat acaba de chegar nas telas dos cinemas e HBO Max nos EUA, sendo que no Brasil chega apenas em maio deste ano. Desta forma, muitas pessoas, indiferentes se o filme é bom ou não, querem saber se a adaptação é ou não fiel a sua franquia de jogos preferida.

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Uma das coisas que deve se afirmar é que Mortal Kombat permanece muito próxima da história e dos personagens dos videogames, mas faz algumas mudanças notáveis ​​ao longo do caminho. O filme conta uma história semelhante ao jogo de arcade original e ao filme de 1995, mostrando a luta entre Earthrealm e Outworld por meio de personagens clássicos como Scorpion (Hiroyuki Sanada), Sub-Zero (Joe Taslim), Liu Kang (Ludi Lin), Sonya Blade (Jessica McNamee), Jax (Mehcad Brooks), Shang Tsung (Chin Han), Raiden (Tadanobu Asano) e Kano (Josh Lawson). Mas, a história é um pouco diferente desta vez.

Antes de discutir todas as mudanças em Mortal Kombat, é justo mencionar o quanto isso vem diretamente dos jogos. A maior parte da mitologia e da história é exatamente o que os fãs esperariam, quase todos os designs de personagens são fiéis aos jogos e têm uma ótima aparência, e as fatalidades e movimentos especiais vêm de todas as eras da série de maneiras divertidas.

As lutas são apropriadamente brutais e há uma série de easter eggs menores para os fãs mais atentos dos jogos como a mistura de certos nomes ou frases de efeito, que os conhecedores irão perceber, mas quem jamais jogou, irá passar despercebido. No geral, Mortal Kombat é uma das adaptações de videogame mais leais até hoje. Portanto, continue e confira as diferenças entre os jogos e o filme. E saiba que contém SPOILERS.

O conceito do Arcana é novo

Não existe uma explicação universal para os superpoderes nos jogos do Mortal Kombat. Diferentes personagens entram em suas habilidades de maneiras drasticamente diferentes, como por exemplo, Liu Kang e Sub-Zero por meio de magia, Jax e Kano por meio de aumento cibernético, Scorpion através da feitiçaria etc.

No filme isto muda ao se criar uma causa singular para todas as habilidades conhecidas como Arcana. O conceito é descrito como o poder interno único de cada personagem de Mortal Kombat, que é despertado por meio do treinamento e da posse da marca do dragão, também uma nova adição ao filme para mostrar o logo da franquia. Uma vez acordado, o Arcano do lutador concede um poder específico, como controle sobre o fogo, um chapéu que corta de tudo ou ter braços robóticos, aparentemente.

Para fins de reinicialização, especialmente uma que espera atrair novos fãs, faz sentido criar uma tradição mais simples para explicar as habilidades sobrenaturais dos personagens. No entanto, devido ao quão abstratas muitas dessas habilidades são, a ideia de arcana acaba parecendo confusa e um pouco subdesenvolvida. Isso não diminui a ação do filme, no entanto, e os próprios poderes permanecem muito fiéis aos jogos em geral.

Cole Young

A mudança mais óbvia de Mortal Kombat é a adição de Cole Young (Lewis Tan) como o protagonista principal. Apesar de todas as teorias dos fãs sobre a identidade de Cole antes do lançamento, ele acabou sendo um personagem completamente original, embora com alguns laços de sangue com Hanzo Hasashi.

Cole atua como o substituto do público, fazendo as perguntas que os novatos da franquia podem estar se perguntando sobre o mundo e a tradição de Mortal Kombat. E, nessa missão, ele é muito eficaz. Tan faz um ótimo trabalho no papel, e a maneira como o filme conecta Cole à tradição MK preexistente é bem feita.

Um problema aqui – e não um erro -, é que nos jogos Scorpion realmente possui uma linhagem. Os “filhos de Scorpion” foram apresentados em trabalhos anteriores de MK, mas eles normalmente não aparecem em nada mais substancial do que um flashback ou visão. Toda a ideia dos descendentes do personagem vivendo ao longo dos anos cria questões que o filme não necessariamente responde e deixa o telespectador querendo saber mais.

Scorpion e Sub-Zero

Muito da história de Scorpion e Sub-Zero é a mesma em Mortal Kombat de sempre. Scorpion é um ninja do clã Shirai Ryu; Sub-Zero é um assassino do rival Lin Kuei. Sub-Zero mata Scorpion e sua família, levando-o a voltar dos mortos como um fantasma cuspidor de fogo para se vingar. Suas roupas e poderes também são muito fiéis aos videogames. O básico dos personagens.

Mesmo assim, algumas partes dos mesmos foram notavelmente alteradas. Para começar, o filme marca a origem da rivalidade de Scorpion e Sub-Zero há centenas de anos. Nos jogos, Sub-Zero mata Scorpion nos dias atuais. Scorpion está posicionado como mais um herói na reinicialização do que normalmente tem sido nos games, e o enredo com sua linhagem sendo destinada a salvar a Terra é tudo novo para o personagem de Cole.

O método de ressurreição de Scorpion também é diferente. Nos jogos, o ninja é trazido de volta como uma arma pelo feiticeiro Quan Chi de Netherrealm. No filme, no entanto, ele é trazido de volta por Cole para ajudar na luta contra Outworld.

A origem de Liu Kang

Desde o primeiro jogo, Liu Kang foi retratado como um guerreiro incrivelmente habilidoso que se destaca como um dos defensores mais capazes do Earthrealm. Os detalhes de sua origem foram discutidos ao longo dos anos, mas há muito existe a ideia de que ele foi um dos participantes do Reino da Terra que treinou para este momento por algum tempo.

O filme não se afasta muito dessa história em comparação com outras origens retrabalhadas, mas modifica ao mostrar que Liu Kang foi um órfão e que “conquistou” seu lugar no torneio matando um contrabandista de crianças que tinha a marca do Dragão. A mudança é uma forma de explicar como Liu Kang conseguiu seus poderes no universo do filme e se juntou a esta versão do torneio.

Ela acaba não sendo tão profunda como gostaríamos, mas é bom lembrar que nem mesmo nos jogos existe empatia pela história do personagem. O que as pessoas sempre gostaram mesmo era em seu grito e dar o chute “bicicleta”. Tanto que Liu Kang só vai ganhando um enredo mais elaborado com o passar dos jogos.

A forma como Jax perde os braços

Mortal Kombat reconstitui a origem dos braços robóticos de Jax de duas maneiras principais. Primeiro, muda a maneira como ele perde seus braços, tornando Sub-Zero aquele que os destrói. Nos jogos, Ermac é aquele que arranca os braços de Jax, não Sub-Zero.

O longa também muda a forma como Jax obtém seus novos braços cibernéticos, tornando-os um efeito de seus arcanos ao invés de simplesmente uma modificação mecânica. Ele ainda consegue próteses robóticas normais, mas os braços fortes pelos quais ele é conhecido nos jogos não aparecem até que seu arcano seja desbloqueado.

Esta mudança não é nenhum pouco ruim para o contexto da narrativa do filme, já que colocar Sub-Zero como o responsável pela perda dos braços e até mesmo da auto-estima de Jax, foi uma ótima escolha.

Kano não é um bom companheiro

Kano até começa a adaptação de Mortal Kombat (mais ou menos) no lado dos mocinhos, uma mudança notável de sua contraparte de jogo. É uma escolha interessante, mas que não afeta muito no final, porque ele ainda acaba lutando por Outworld. O papel de Kano com os mocinhos é principalmente um alívio cômico, e ele não vive o suficiente depois de mudar de lado para se tornar um vilão.

O arco de Kano serve para mostrar o quanto ele não é confiável, algo que Sonya sabe muito bem e que depois é novamente explicado por um de seus ex-companheiro. Portanto, não há o que reclamar da forma como ele foi inserido no longa, pois kano continua não sendo um bom companheiro.

Ainda no personagem, temos a parte de seus “poderes”. A origem do “olho laser” no melhor estilo Terminator de Kano nos jogos do Mortal Kombat é muito simples. Ele sofreu grandes danos ao olho em uma batalha contra Jax e teve uma placa mecânica colocada no local para cobrir a área afetada. Aquele olho também concedeu a Kano a capacidade de disparar um feixe de laser, bem como acessar vários modos aprimorados de visão.

O filme Mortal Kombat não apenas mostra que o trauma físico de Kano foi causado por Reptile, mas que a habilidade de Kano de atirar um laser com seu olho é parte de sua habilidade Arcana. Este é até um desvio de sua origem, mas é um recurso correto dentro da narrativa, já que se todos tem poderes, todos devem ter poderes. E sair explicando uma tecnologia a laser dos olhos do personagem seria um desperdício de tempo e de como ele conseguiu esta tecnologia.

Deve-se lembrar que nem sempre o que funciona muito bem em jogos, já que não precisa ser explicado e serve apenas como visual, pode acabar virando algo ridículo nos cinemas. De qualquer forma, um Arcano laser também saiu bem forçado.

Os poderes de Sonya Blade

Mais uma vez, poderíamos passar um bom tempo falando sobre as muitas maneiras como o conceito de Arcana muda as versões de videogame dos maiores personagens de Mortal Kombat, mas Sonya Blade é um dos exemplos mais interessantes e notáveis de tal desvio. Como aqueles que viram o filme MK sabem, Sonya obtém seus poderes quando mata Kano, se torna uma das lutadoras escolhidas do torneio e desbloqueia sua habilidade, ficando até parecido com algum jogo de RPG.

Como ela conseguiu essas habilidades no jogo? É um pouco confuso no início, mas em jogos posteriores na série sugerem que suas habilidades são baseadas em criações mecânicas, em vez de um poder inerente. A ideia de Sonya ter um dispositivo anexado a seus braços que lhe permite atirar projéteis realmente parecia ser parte de um esforço para ajudar a explicar suas habilidades inexplicáveis nos games originais, que serve muito bem, mas que em um filme teria que ser explicado exaustivamente como ela consegue andar com uma tecnologia destas para cima e para baixo sem ninguém ver… ou será que é o melhor estilo Power Ranger de esconder as armas?

Reptile

Nos jogos, Reptile é um ninja humanóide que é leal aos governantes de Outworld e a Shang Tsung. Ele é tipicamente descrito como um assassino e guerreiro talentoso. Já no filme ele mantém algumas dessas características, mas estranhamente retrata Reptile como pouco mais do que um lagarto gigante.

Embora seja verdade que os atributos humanóides do Réptil no jogo ocultam amplamente sua forma de “lagarto”, a maioria dos jogos o retrata como uma criatura com uma estrutura física um tanto humana. Na verdade, um dos únicos jogos de MK a mostrar o Reptile como uma “criatura” pura foi Mortal Kombat: Deadly Alliance, e esse design não foi exatamente bem recebido por muitos fãs.

Ainda assim, o personagem até ficou bom, mas com certeza deverá ter um pouco mais do se povo nos próximos longas, pois apenas servir para um fanservice dos olhos de Kano, é uma perda de tempo e tanto em tela e dinheiro para efeitos especiais.

Onde está o Mortal Kombat?

Ostensivamente, Mortal Kombat reconta a história do arcade original, ou seja, o décimo torneio entre Earthrealm e Outworld, que determina se o último ganhará ou não o direito de invadir. No entanto, nenhum torneio realmente ocorre nesta adaptação. Os lutadores duelam em vários cenários um-a-um, mas todo o conflito gira em torno de Shang Tsung tentando matar os campeões da Terra antes do início do torneio, garantindo assim a vitória.

É uma mudança relativamente pequena no grande esquema, mas tem impacto em algumas histórias antigas, incluindo onde e porque Sub-Zero e Scorpion lutam, quais personagens estão presentes e quem vive e morre. No entanto, uma vez que os jogos Mortal Kombat já recontaram a história do torneio várias vezes em tantas linhas do tempo, mudar a estrutura novamente não é um grande problema. Afinal de contas, se o próprio game virou um caos, o longa pelo menos tenta ter uma ordem.

Outras mudanças

Além das diferenças maiores, Mortal Kombat possui pequenas coisas que foram feitas em realação aos jogos. Algumas personalidades de personagens como Raiden, que acaba sendo muito mais severo com seus campeões e Kung Lao por tornar-se o monge Shaolin mais experiente.

Lógico que nos jogos Raiden nunca foi sorrisos e trata em muitas vezes seus guerreiros de maneira fria, mas acabou por faltar o lado filosófico do Deus do Trovão e seus questionamentos e batalha interna se o que ele faz está certo ou errado. Já Kung Lao, foi uma boa escolha e serve como o mentor de Liu Kang.

Existem ajustes na linha do tempo, que incluem mudanças nos personagens que vivem e morrem. Alguns menores como Reptile – já comentado acima – e Reiko são alterados em seu design. E, claro, alguns personagens notáveis, principalmente Johnny Cage, estão faltando no enredo do décimo torneio.

Mas no geral, Mortal Kombat faz um bom trabalho em manter as batidas centrais dos jogos intactas, finalmente entregando uma adaptação que é menos voltada para os novatos e mais para os fãs de longa data, sendo uma raridade no mundo dos filmes baseados no universo dos games.

Via: Screen Rant/Den of Geek/The Verge/Polygon

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