Ação, correria e perseguições de carro. HHá inúmeros filmes com esses argumentos, entretanto nenhum deles até hoje usou de apenas uma protagonista encarregada da ação, e com um argumento forte o bastante na trama para justificar essa caçada.

Esse é o chamativo de O Sequestro (Kidnap). A trama é focada em Karla (Halle Berry), uma mãe comum que vira o pesadelo dos raptores de seu filho. Em uma tarde no parque, Karla tem seu filho sequestrado e, ao ver o carro levando seu garoto, os persegue até conseguir recuperar a criança.

O Sequestro
O Sequestro | Imagem: H20 Films

Essa perseguição é a ambientação de todo o longa, que abusa de cenas de tensão e as famosas perseguições de carro. A premissa se assemelha a várias obras de ação, usando de argumentos muito usados em diferentes filmes, a produção se mantem sempre em movimento, com a câmera quase exclusivamente na protagonista.

O Sequestro intercala momentos interessantes com alguns não muito convincentes. Constantemente, as ações de Karla são bem fundadas e até mesmo bem pensadas, mas em dado momento a trama parece perder o ritmo e cenas exageradamente longas acabam com o clima de tensão, que é substituído por tédio. A impressão que passa é que não havia argumentos o bastante para preencher o tempo total do filme, então começaram a gastar um tempo extra em focos desnecessários e detalhes que não precisavam aparecer por tanto tempo na tela.

Halle Berry leva o longa nas costas e sua atuação não é um problema, mas seu foco em cena sim. Boa parte da trama se passa dentro da mini-van da personagem, enquanto ela segue o carro que está com seu filho e por isso a câmera está constantemente em seu rosto. Para conseguir seguir com as cenas, a solução foi colocar a personagem falando praticamente o tempo todo, seja com a foto de seu filho ou até mesmo uma prece. Isso também ajuda a prejudicar o clima de tensão, que é quebrado ao perder a sutileza com as falas caricatas.

O Sequestro
O Sequestro | Imagem: H20 Films

O roteiro, por mais que consiga justificar a maioria das ações da protagonista no começo, não consegue fugir dos momentos inexplicáveis de filmes de ação, entretanto o maior problema é colocar situações interessantes que são deixadas completamente de lado no decorrer dos acontecimentos. Por exemplo o ex-marido de Karla, que parecia um personagem promissor para uma reviravolta. Mencionado em apenas duas cenas, uma delas quando entra com uma ação judicial para custódia do filho, da qual, com exceção de mostrar a determinação de Karla para ter o filho por perto, o personagem não justifica sua existência quando chega o desfecho da trama.

O Sequestro começa bem, mas não consegue manter o interesse do público por toda a trama. Com alguns problemas de execução e argumentos mal utilizados, o longa até consegue entregar um desfecho coerente, mas a essa altura o clima já foi quebrado e com ele o encanto pelo filme.

Veja a ficha técnica e elenco completo de O Sequestro

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