Simplesmente poderia dizer “não” e encerrar esse texto com apenas uma palavra, mas é preciso argumentar e contra-argumentar sobre a pergunta feita no título do texto. De fato, não é a toa que a Netflix é carinhosamente chamada de Gigante do Streaming. Até pelo o que ela se tornou com o passar dos anos: de uma empresa que realizava entregas de DVDs por correspondência até o que conhecemos hoje.

E tudo em tão pouco tempo. Foi em 2007 que a Netflix começou a transmitir via streaming para os Estados Unidos e três anos depois, já tinha cobertura no Canadá. São 190 países que captam o sinal da plataforma — com exceção da China, Coreia no Norte, Crimeia e Síria.

Estima-se que ao redor do mundo, contabiliza cerca de 100 milhões de assinantes e cada país, possui um valor específico. No último mês de março, fora anunciado que o valor das mensalidades brasileiras iriam aumentar. Okay, nada mais justo afinal, tudo aumenta de acordo com o aumento do salário mínimo — pelo menos aqui no Brasil. Ficou mais ou menos assim:

PLANO BÁSICO (1 tela, conteúdo digital — não HD):
de R$ 19,90 para R$ 21,90 mensais (aumento de 10,5%)

PLANO PADRÃO (2 telas simultâneas, conteúdo HD):
de R$ 27,90 para R$ 32,90 mensais (aumento de 17,90%)

PLANO PREMIUM (4 telas simultâneas, conteúdo Ultra HD):
de R$ 37,90 para R$ 45,90 mensais (aumento de 21,10%)

Essa será a primeira vez em que a empresa aumenta os valores de assinatura em todos os planos, no Brasil, desde 2017. Até então, o reajuste fora feito apenas nos planos Padrão e Premium. Em 2013 e mais tarde, 2015, as assinaturas brasileiras também sofreram alterações. Em todas as ocasiões, somente o plano Básico manteve o valor de R$ 19,90.

E o assinante, como fica?

Desde que a Netflix chegou ao Brasil, em 2011, o jeito mais legal de acompanhar as séries e filmes, era realizando o download através de aplicativos e plataformas específicas. Antes disso, todo mundo frequentava as videolocadoras e fazia aquele pacotão de feriado ou final de semana. Quem não se recorda do “Leve 4 e ganhe 2”? Além disso, era a maneira mais econômica de consumir entretenimento. Hoje, está ao alcance dos dedos pelos aplicativos, dos computadores e laptops e das smart TVs.

Claro que visando a “dominação mundial”, outras empresas do ramo vão querer uma fatia dessa pizza chamada preferência. E é o que tem acontecido de poucos anos para cá: o surgimento e o anúncio de novas plataformas de streamings visando concorrência direta com a Netflix. E honestamente, com catálogos para assinante nenhum botar defeito. Por falar em catálogo, em 2017, o portal Exstreamist ranqueou os países com cobertura da Netflix, que dispunham do melhor catálogo.

Em primeiro lugar ficou os Estados Unidos, com 5.750 títulos — o que não é novidade para ninguém, haja vista que a Netflix é uma empresa americana com sede em Los Gatos, na Califórnia. Em seguida, Guiana Francesa com 4.513 e Benim, na África Ocidental, levou a medalha de bronze, dispondo de 3.633 obras em seu catálogo. Na 28ª posição, estava o Brasil com seus 2.234 títulos. Pode parecer um tanto injusto ou assustador, levando em conta que o país é o segundo maior consumidor de vídeos no YouTube em todo o mundo.

Ficar preso a um serviço que é bom, mas ultimamente tem deixado a desejar por mero capricho ou status, é de fato, não valorizar seus gostos e seus direitos de mudança enquanto consumidor. Acima de tudo, um desrespeito com os pagantes.

Séries canceladas sem a menor explicação; atraso nas atualizações do catálogo ou até mesmo, inserção de novos títulos para a coleção; retirada de obras que possuem a preferência do grande público, são umas das causas que desmotivam ser assinante da Netflix em 2019. Sua equipe de marketing é impecavelmente incrível e possui uma interação divertidíssima nas redes sociais com seus seguidores, mas não é suficiente.

A concorrência

Um dos streamings que mais chamam a atenção atualmente, é o Prime Video, da Amazon, que possui basicamente um título e outro que a Netflix dispõe, mas algumas séries e filmes, dão destaque para o streaming da Amazon, principalmente os “Originais”. Menção para Mr. Robot e The Marvelous Mrs. Maisel, criada por Amy Sherman-Palladino, a mesma de Gilmore Girls.

Outro que vem crescendo a cada dia, é o Globoplay. Serviço 100% brasileiro, subsidiária da Rede Globo de Televisão onde em seu catálogo, em sua maioria, estão as telenovelas, séries, minisséries e programas produzidos pela emissora — mas, não são todas. Além disso, estão as produções adquiridas pelo direito de imagem/exibição, exclusivas da plataforma. Menção para The Good Doctor, Killing Eve e Se eu Fechar os Olhos Agora.

Atrelada ao Globoplay, está o Globosat Play, contido de canais do sistema Globosat para TVs por assinatura. Multishow, GNT, Canal Off, VIVA, Gloob, Gloobinho, BIS, Mais Globosat, SporTV, Canal Brasil e Globo News, são alguns exemplos de todo o pacote que o assinante de TVs por assinatura dispõe para assistir em tempo real ou rever uma programação perdida. Destaque para o Mais Globosat, que possui séries incríveis.

Já o Telecine Play, que faz parte do grupo Globosat, está disponível apenas para assinantes do pacote mediante disponibilidade das TVs por assinatura. Mas no geral, outros canais pagos que também fazem parte do Globosat, estão disponíveis na maioria dos pacotes de assinatura das TVs, como Megapix, Syfy, Universal TV e Studio Universal. Cada um desses possuem seu streaming próprio e podem ser acessados com login e senha cadastrados.

A OiTV dispõe para seus assinantes, a OiPlay, um plus a mais com canais que não estão disponíveis na TV por uma plataforma de streaming exclusiva. Mediante ao pacote contratado, o assinante dispõe de produções dos canais Crackle, Noggin e uma curadoria especial contido no menu Coleção Oi — consulte disponibilidade.

O futuro é promissor, haja vista que a Disney e a Apple já anunciaram seus futuros streamings com lançamento previsto para o segundo semestre de 2019. Disney+ investirá na programação nostálgica (o que não é pouca) passando pelas novas aquisições, incluindo a Fox e novas produções, os Originais Disney+.

Já o streaming da “maçãzinha”, investiu em tecnologia e no alto escalão de Hollywood: Brie Larson, Jason Momoa, Steven Spielberg, Jennifer Aniston, Steve Carell, Jennifer Garner, Oprah Winfrey e J.J. Abrams, são exemplos de profissionais que atuarão, produzirão e dirigirão alguns títulos já confirmados pela direção de conteúdo da AppleTV+.

E então, vale a pena ser assinante Netflix em 2019?

Eu diria que sim, mas com ressalvas. O segredo é não se restringir apenas a ela. Ela continuará sendo a líder do mercado, com uma assinatura a mais ou a menos. Sua marca e seu nome já está estabilizado no mercado do entretenimento. Quando se fala em streaming, lembram logo em Netflix.

Reverter esse quadro, vai ser penoso para as opções atuais e vindouras, entretanto, não impossível. Ser assinante Netflix é viver em uma eterna incerteza se a sua série favorita será renovada por mais um ano, se a série que você acompanha já atualizou ou se o filme queridinho para dias de tédio, estará entre os títulos para aliviar o cansaço do dia a dia.

Eu diria que não, pois já possuímos outras opções, até mais bem mais baratas que os planos atuais e a diversidade existe para nos dar o poder de escolha, seja ela por qualidade, quantidade, conteúdo ou preço. O que falta para a Netflix é uma meta: parar de lançar novas produções (desinteressantes, diga-se de passagem) toda semana e focar naquelas que dão mais visualizações, que possuem mais público.

Parar de fazer tanto anúncio disso, daquilo e colocar em prática as tantas obras que já deveriam ter entrado no catálogo. E por fim, melhorar o catálogo brasileiro: fazer uma limpa em títulos desnecessários e de fato, apostar no que pode ser bom para o público nacional e fazer valer, de fato, cada centavo pago dos valores reajustados.

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