quarta-feira, 8, dezembro, 2021

Orgulho de ser LGBTQIA+

Chiron – O que é uma bicha? 
Juan – É uma palavra que as pessoas usam para fazer os gays se sentirem mal. 
Chiron – Eu sou uma bicha? 
Juan – Não. Você pode ser gay, mas você não pode deixar ninguém te chamar de bicha.
– Moonlight: Sob a Luz do Luar, 2016

Durante muito tempo, preconceito e estereótipos surgiram para minimizar e/ou desvalorizar os homossexuais. Na Segunda Guerra Mundial, muitos sofreram com as políticas segregacionistas do regime nazista e, com o passar do tempo, os ataques foram ficando cada vez mais intensos. No ano de 1969 surgiu a data que marca o início do movimento gay pelo mundo. No dia 28 de junho daquele ano, muitos homossexuais que estavam no bar Stonewall, em Nova York, revoltaram-se contra a perseguição feita por policiais e este dia tornou-se a data do movimento LGBT.

Desde então, muitas são as reivindicações da comunidade, entre as quais o combate à homofobia é a pauta principal no país, já que o Brasil é o lugar onde mais se agride e mata gays, lésbicas, bissexuais e em especial, travestis e transsexuais. Por isso, há a necessidade de dar visibilidade a estas pessoas. Levando em consideração essa premissa, como garantir-lhes sua inclusão? Como adotar políticas públicas que os reconheça como cidadãos? Como dar suporte à essas pessoas nos âmbitos profissional, social e, até mesmo, em relação à saúde? Esses são os desafios que muitos enfrentam quando se apresentam como membros dessa minoria. Mas o que significa cada sigla que compõem essa comunidade?

Anteriormente, a sigla “GLS” (Gays, lésbicas e simpatizantes) era usada, porem deixou de ser popular e organizações internacionais como a ONU e a Anistia Internacional adotam a sigla “LGBT” (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). Apesar disso, dentro da comunidade as siglas são diversas e hoje temos uma versão mais completa que é LGBTPQIA+. Você conhece o significado de cada letra?

L: Lésbicas

G: Gays

B: Bissexuais

T: Travestis, Transexuais e transgêneros

P: Pansexuais

Q: Queer

I: Intersex

A: Assexuais

+: Símbolo de inclusão de pessoas que não simpatizam com nenhuma das outras sete letras, mas que tem orgulho de fazer parte dessa comunidade.

É fundamental a construção de conteúdo para esse público que mesmo nomeado de minoria, é uma grande parcela da sociedade. Segundo a da Secretaria de Turismo, a parada LGBT de 2019 movimentou R$ 403 milhões, 40% maior do que o apontado na edição de 2018. Além disso, o número de visitantes aumentou em 78%. Esses dados demonstram um grande poder de compra desse público, sem contar que de acordo com o IBGE (Índice Brasileiro de Geografia e Estatística) a população homossexual no Brasil é estimada em 20 milhões.

No comando do país que mais mata pessoas LGBTs no mundo, com falas impensadas, o presidente se diz homofóbico. “Ser gay é falta de porrada”, discurso de quando ainda era parlamentar. Apesar disso, o Brasil é o palco da maior parada do orgulho LGBT do mundo. É sobre reivindicar direitos, de ser livre, de poder andar na rua sem ser agredido verbalmente ou fisicamente, ser respeitado, poder modificar seu corpo se quiser, direito de ser aceito. Trata-se de ir para as ruas e defender a existência, defender o direito de sobreviver num país que mata pessoas apenas por sua existência. Há mais ou menos 50 anos atrás, a homossexualidade era considerada doença que fazia parte da lista da OMS (Organização Mundial da Saúde). Apesar disso, a comunidade luta constantemente por outras questões que acham relevantes para os cidadãos viverem de forma digna livre de preconceito e com total respeito.

Pensando nisso, com tem sido no audiovisual? A comunidade LGBT é vista além do aspecto da sexualidade ou ainda persistem os estereótipos criados para desvalorizar essas pessoas? Será que os cineastas conseguem representar a homossexualidade em sua complexidade, não de uma maneira estereotipada ou negativa? A discussão do tema leva em consideração a premissa de que os conteúdos publicados pela mídia tradicional não possuem a intenção de trazer representação ao público LGBT e, por isso, não dão prioridade à voz dessa comunidade, e nem a matérias voltadas exclusivamente para esse público, onde poderia haver a troca de experiências dos leitores, trazendo a representatividade e a sensação de pertencimento dessa comunidade. Confira abaixo a nossa seleção de produções que mostram que TODA FORMA DE AMOR IMPORTA!

Moonlight: Sob a Luz do Luar – Três momentos da vida de Chiron, um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullying na infância, passando pela crise de identidade da adolescência e a tentação do universo do crime e das drogas, este é um poético estudo de personagem. Moonlight, é mais que um simples filme, é uma reflexão sobre a realidade que muitas pessoas vivem em busca de uma identidade. Um filme sensível para contar a história de um garoto negro passeando por temas como bullying, preconceito, drogas, descobertas sexuais tudo diante de um olhar atento do personagem em todas as fases de sua vida: como criança se descobrindo, na adolescência com os problemas aflorando e enfim na fase adulta com o mundo a seus pés.

A Garota Dinamarquesa – Cinebiografia de Lili Elbe (Eddie Redmayne), que nasceu Einar Mogens Wegener e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. Em foco o relacionamento amoroso do pintor dinamarquês com Gerda (Alicia Vikander) e sua descoberta como mulher. Complicado, Sensível, Instigante, Delicado, Emocionante. Em certos momentos, o filme com sua esplendorosa fotografia alinhada com um roteiro magnifico. Quem é a garota dinamarquesa do título? Na verdade, deveria ser As Garotas Dinamarquesas, pois se trata da coragem, da força e do amor de ambas e nessa história, muita coisa foi ganha, mas muita coisa foi perdida e na busca do nosso “eu”, precisamos mais do que qualquer coisa, de apoio, respeito e compreensão.

Todxs Nós – A série mostra como esse universo é rico de informações e diversidade. Infelizmente, ainda é um assunto permeado de preconceito, não apenas por quem vê de fora, mas por quem está dentro. Atualmente, somos cercados por rótulos. Somos moldados a partir de conceitos pré existentes e que acabam definindo como devemos agir, de que modo nos vestir, como falar e enfim… Isso não define o que realmente somos. Muito tem se falado de representatividade no meio LGBTQIA+. Muitas tem sido as pautas da imprensa que abordam esse tema sensível. A série mostra que é necessário que tenhamos um olhar, uma visão aberta a cerca do diferente. Aceitar e respeitar é uma prova de empatia. Cenas em que mostram como o preconceito e a cultura do machismo esta impregnada na nossa sociedade são muito marcantes e que são temas importantes e relevantes de serem tratados na produção original da HBO.

Carol – A jovem Therese Belivet (Rooney Mara) tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler), também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos. Esse longa não tem a pretensão nem a premissa de ser um filme polêmico, mais de uma história de amor, emociona mais do que choca. A direção de Todd Haynes é puramente conceitual e sensível, nada é expositivo ou melodramático. É uma produção sublime e maestral.

Me Chame Pelo Seu Nome – O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega. É um filme envolvente, tem ótimas paisagens e um roteiro incrível. Os atores não são caricatos o que deixa o longa ainda melhor. Um filme que retrata a homossexualidade da forma mais doce e amarga possível.

Azul é a Cor Mais Quente – O longa é uma linda produção. Cheio de detalhes, como a cor azul sempre presente em todas as cenas, o longa representa o amor, com o bônus de mostrar a vida e juventude na França, com manifestações e a vida escolar de lá. Inclusive, foi perguntando para os atores se a juventude realmente é participativa assim e a resposta foi que sim, “tudo é motivo para ir para a rua protestar e, inclusive, muitas pessoas acabam protestando apenas para faltar na aula”, afirmou Exarchopoulos. Mesmo simples, o longa é cheio de polêmicas. Para começar, o óbvio: amor lésbico. É de se imaginar que em pleno 2013 as pessoas iriam começar a aceitar melhor as diferenças porém as críticas atacando a obra francesa provam que o ser humano ainda tem muito o que evoluir.

Rocketman – A trajetória de como o tímido Reginald Dwight (Taron Egerton) se transformou em Elton John, ícone da música pop. Desde a infância complicada, fruto do descaso do pai pela família, sua história de vida é contada através da releitura das músicas do superstar, incluindo a relação do cantor com o compositor e parceiro profissional Bernie Taupin (Jamie Bell) e o empresário e o ex-amante John Reid (Richard Madden). É muito mais fácil para um gay se aceitar, quando ele vê a história dele sendo contada no cinema, na novela, enfim, sendo representada. E da mesma forma que é mais fácil ele se aceitar, é mais fácil de ele não se aceitar devido a grade repercussão de comentários e reflexões maldosas existentes nas redes sociais, nos sites, em propagandas, enfim, na sociedade e isso retrai o seu íntimo, que sofre por não ser quem realmente quer ser. Nós precisamos de um espelho para nos guiar e são nesses personagens que encontramos características semelhantes à nossa, para nos encontrarmos diante dos outros. E de certa forma, Rocketman faz isso.

Você Nem Imagina – Em Você Nem Imagina não se trata de ficar ou não com alguém. Se trata de descobrir quem realmente é. Sobre se conhecer mais e melhor. Com um roteiro bem escrito, trama bem desenvolvida, com acontecimentos inesperados, atores e personagens cativantes, a Netflix sabe como entregar uma boa produção. Escrito e dirigido por Alice Wu, o longa mostra que a partir do respeito que conseguimos ser mais tolerantes e pessoas melhores e o mais importante, antes de entender o outro é preciso entender a nós mesmos, as nossas necessidades, amore, anseios, vontades, enfim, nossos corações. É a versão gay e mais “cult” da trilogia de Lara Jean.

 

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