Séries médicas nunca cansam. A temática costuma agradar o público e a trama é sempre fácil de manipular, basta colocar um diferencial na equipe médica e várias subtramas pessoais e temos uma produção interessante e geralmente muito cativante.

The Good Doctor usa essa formula, porém colocando um diferencial muito original: o protagonista é autista. Freddie Highmore dá vida a Shaun Murphy, um aspirante a cirurgião que irá começar a residência. Shaun é autista com savantismo (Síndrome do Sábio), por isso possui uma inteligência enorme e consegue lembrar e notar coisas que a maioria dos médicos deixam passar.

Essa habilidade é muito bem representada logo no início desse episódio, quando uma criança sofre um acidente no aeroporto e fica gravemente ferida. O contraste entre o conhecimento do protagonista, que ainda nem é um doutor formado, fica evidente quando ele corrige o médico que está atendendo o garoto acidentado. Com apenas essa cena o público consegue entender o conhecimento e a enorme determinação do personagem.

The Good Doctor
The Good Doctor | Image:m ABC

O restante do piloto se foca em explicar um pouco do passado do personagem, enquanto mostra as partes médicas obrigatórias no hospital e abre uma interessante discussão na administração do hospital sobre aceitarem ou não um autista como residente. Essa parte já é um grande diferencial, pois acaba apresentando uma enorme e relevante discussão sobre aceitação.

Freddie Highmore entrega novamente uma ótima atuação. Conhecido desde criança, ele se consagrou um papel mais complexo em Bates Motel, do qual fez um ótimo trabalho e em The Good Doctor ele consegue se superar. Sua representação como autista está sensacional, o ator não tem dificuldades ao demonstrar as peculiaridades de seu comportamento diferente em pequenos gestos ou uma falta de contato visual, assim como Graham Verchere (versão mais jovem do personagem), que consegue imitar os gestos de uma maneira muito convincente. A construção inteira do personagem é bem feita, o roteiro ajuda ao colocar frases que demonstram como Shaun vê o mundo de uma maneira diferente. Um diálogo, onde ele explica um pouco de seu passado, que começa com “no dia em que o ar cheirava a algodão doce” deixa bem claro que temos um protagonista bem complexo e diferente.

Outro diferencial de The Good Doctor -que a destaca entre tantas séries médicas-, é seu conteúdo visualmente didático. Aproveitado as cenas em que há a necessidade de explicar o que apenas Shaun está vendo, a produção coloca imagens de anatomia humana que ajudam os leigos na área a identificar os que está sendo dito, afinal, quem conhece os nomes de todas as artérias do corpo?

The Good Doctor
Representação visual em The Good Doctor | Imagem: ABC

The Good Doctor era uma estreia promissora, e agora, em seu piloto, comprova que é uma obra sensacional. Usando uma temática que costuma agradar, com diferenciais que de fato destacam a produção, é uma série para se acompanhar sem culpa.

Veredito
Nota do Thunder Wave
Compartilhar

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Please enter your name here