quarta-feira, 26, janeiro, 2022

Representação Latina: Atriz de Cobra Kai fala sobre a importância do tema

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Cobra Kai (2018), uma das séries mais assistidas da Netflix, aborda os 30 anos após os acontecimentos do filme original (o torneio de All Valley de 1984) e segue a história de Johnny Lawrence fracassado e alcoólatra, que busca redenção, ao reabrir o infame dojo Cobra Kai, reacendendo a sua rivalidade com o agora bem-sucedido Daniel LaRusso, que tem lutado para manter o equilíbrio em sua vida sem a orientação de seu mentor, sr. Miyagi. Dois homens que direcionam os traumas do passado e as frustrações do presente na única maneira que eles sabem como resolver: através do karatê.

Allém de uma história interessante com personagens importantes, a trama não é só para quem curte karate. Algo de muito positivo na série é a questão da representação de pessoas latinas. A atriz Vanessa Rubio, quem interpreta Carmen Diaz, refletiu sobre a importância do assunto. 

É bom fazer parte de uma unidade familiar que parece que poderia existir por conta própria, separada de Cobra Kai; uma família latina, não do tipo estereotipado de histórias latinas particularmente arraigadas, – contou a atriz em entrevista ao THR. 

Na obra, Rubio dá vida à Diaz, mãe do aluno de karatê Miguel Diaz (Xolo Maridueña). Segundo o Screen Rant, ela e a família quebram os padrões e estereótipos, pois é uma mãe solo que cria seu filho ao lado da avó de Miguel. Para a atriz, o papel lhe dá empoderamento e é essencial para a representatividade latina. A atriz ainda ressalta a representação desse grupo nas telonas que ainda é menor em relação a outros grupos e essa reponsabilidade de ser um modelo, um exemplo para outros latinos significa muito.

Johnny e Carmen acabam juntos na 4ª temporada de Cobra Kai? - Guia Netflix
Johnny e Carmen na 4ª temporada de Cobra Kai/ Reprodução

Numa matéria publicada pelo O Globo, vemos dados de um estudo inédito lançado para marcar o Mês da Herança Latina nos Estados Unidos, que revela as poucas mudanças nos últimos anos em relação à representação deste grupo na indústria do cinema americana. Em média, nos 1.300 filmes de maior bilheteria lançados entre 2007 e 2019, apenas 5% dos mais de 51 mil personagens eram de origem latina ou hispânica e só 3,5% eram protagonistas.

Porém, para falar e representatividade e sua importância, é preciso falar do problema e percebe-se que está nas oportunidades oferecidas que ainda perpetua em estereótipos que disseminam uma imagem errada de pessoas latinas e esses papeis com arquétipos depreciativos limitam a compreensão de uma cultura tão rica e importante. Alguns dos estereótipos:

  • O funcionário de origem latina que não sabe falar inglês e se mostra confuso – uma febre em comédias americanas, um exemplo pode ser visto no longa Patricinhas de Beverly Hills (Clueless, 1995);
  • Personagens criminosos, perigosos, sem escolaridade e sem ascensão ou perspectiva de uma vida melhor fora do crime;
  • Personagens latinos retratados como os amantes, onde são desenhados como alguém sedutor com corpo escultural, que dançam bem, expansivos e até temperamentais.  Se você já assistiu Encontro de amor (Maid in Manhattan, 2002) com Jennifer Lopez, já pegou a referência.
  • O pior tipo de representação é dar um papel de personagem latino para um profissional que NÃO é latino como acontece no longa Argo (2012), onde Ben Affleck interpreta Tony Mendez, um oficial da CIA de ascendência mexicana. Isso exclui qualquer tipo de representação latina na indústria audiovisual.

Além dos estereótipos negativos que são perpetuados na indústria cinematográfica, a falta de pessoas atrás das câmeras, responsáveis por roteiros, direção, pós-produção e afins, é gritante. Não basta apenas ter um ator em tela, mas é preciso ter alguém na produção, pois aí sim, ocorre uma representação verdadeira. Como um filme vai retratar um personagem latino se nem sequer a produção tem alguém do grupo para ajudar a compor a verdadeira imagem de um latino? Assim como qualquer grupo representado em tela, os latinos possuem uma cultura extensa, histórias relevantes de luta e muitas vezes, infelizmente, são retratados como marginais, amantes, empregados, pobretões, malandros ou os “bobos” que fazem graça para atingir o timing cômico da produção. 

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Imagem retirada do veículo Jornalismo Júnior /  Reprodução

 E eu aprecio muito a personagem porque ela representa uma força muito digna, estável e unificada nesta história. – Rubio comenta sobre sua personagem.

A representação latina é algo que Cobra Kai soube trabalhar na série. Algo que os espectadores vêm em tela é a dinâmica de uma família latino-americana sob várias óticas que desmitifica os estereótipos negativos como um adolescente que vive uma vida típica de colégio, até a obstinada mãe solteira e a doce vovó que aparentemente só fala espanhol, mas conhece muito mais do que ela deixa transparecer. A série torna a família Diaz realista e cativante para os espectadores e cria um laço com o qual a comunidade latina pode se relacionar. 

Os novos episódios de Cobra Kai serão lançados no dia 31 de dezembro de 2021. Além de Ralph Macchio, William Zabka e Martin Kove, os próximos capítulos contarão com Thomas Ian Griffith no papel de Terry Silver. Xolo Maridueña, Mary Mouser, Tanner Buchanan, Jacob Bertrand, Peyton List e mais retomam seus papéis na série.

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Atenas
Atenas é a deusa da sabedoria, da guerra, da beleza e da reflexão. Aqui no Thunder Wave, é conhecida como Taigra Brandão que defende com primazia qualquer produção cinematográfica digna de respeito

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