Resenha: A Mulher na Janela- A. J. Finn

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A mulher na janela Book Cover A mulher na janela
A. J. Finn
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Suspense
Arqueiro
5/03/2018

Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa do vizinho algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo?

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Janela Indiscreta é um sucesso atemporal, conhecido por pessoas de todas as idades por causa de seu suspense certeiro e seu enredo inovador para a época. Já tivemos algumas tentativas de imitar esse clássico, um bom exemplo seria o filme Paranoia, protagonizado por Shia LaBeouf, onde um garoto em prisão domiciliar acredita que seu vizinho seja um Serial Killer, mas é colocado em dúvida por ter uma imaginação hiperativa.

A Mulher na Janela segue esse mesmo padrão, sendo abertamente baseado em Janela Indiscreta. Entretanto, o escritor vai além e faz uma clara homenagem a vários clássicos. A. J. Finn é um autor que não esconde seu carinho por Hitchock, utilizando inúmeras obras do famoso diretor como base em sua trama, aproveitando para colocar algumas referências e até mesmo fazer algumas homenagens, utilizando de alguns momentos conhecidos no desenvolvimento do suspense.

A história apresenta Anna Fox, uma psicóloga que desenvolve Agorafobia (medo mórbido de se achar sozinho em grandes espaços abertos ou de atravessar lugares públicos), após um episódio traumático em sua vida. Por isso, ela é obrigada a ficar longe do marido e de sua pequena filha, vivendo solitariamente na sua casa. Para passar o tempo, Anna possuí alguns hobbies como jogar xadrez, assistir a clássicos do suspense (momentos em que o autor faz as citadas homenagens), beber bastante e bisbilhotar a vida dos vizinhos. Em um desses momentos, ela vê algo terrível acontecer, mas ao tentar provar, descobre que todos acreditam ser uma invenção, devido a seu estado psicológico abalado. Agora ela precisa descobrir se o que viu de fato aconteceu ou é apenas uma paranoia.

“Uma doida aos olhos dos vizinhos. Uma piada aos olhos da polícia. Um caso especial aos olhos do terapeuta.”

Finn não apresenta esse mistério logo de cara. O autor passa boa parte do livro desenvolvendo os personagens, se aprofundando em suas histórias e explicando, sem entregar o ouro, os transtornos da protagonista. Muitos podem achar esse período cansativo, visto que estão acostumados com suspenses que entregam logo de cara o problema, mas esse é exatamente o grande trunfo de A Mulher na Janela. São os detalhes e o tempo demorado para explicar o que aconteceu com Anna que envolvem o leitor, nesse caso, o crime é jogado para segundo plano, servindo quase como mais uma análise da personagem.

Entretanto, mesmo gastando tanto tempo no psicológico de Anna, o livro apresenta uma resolução pra lá de satisfatória para o caso apresentado. Quando de fato a trama se aprofunda nesse mistério, Finn apresenta várias reviravoltas, algumas delas chegando a ser previsíveis, já que os detalhes do início da obra se encaixam e deixam exposto ao leitor essas revelações. Outras conseguem ser uma grande surpresa, porém fica claro aos verdadeiros fãs de Hitchcock que fazem menção às obras dele, deixando a história ainda mais interessante.

A Mulher na Janela é um suspense digno dos clássicos, com uma pegada mais atual. Usando de homenagens e referências, consegue remeter às obras antigas, sem perder a originalidade.

Resumo
Nota do Thunder Wave

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