terça-feira, 20, abril, 2021

Resumo

 A volta ao mundo em oitenta dias é um livro para viajar sem sair do lugar.

Resenha | A volta ao mundo em 80 dias

Você se surpreenderá com esta leitura. Até hoje, desse gênero não vi nada igual, também o escritor é excepcional.

Resenha | A volta ao mundo em 80 dias 1

O protagonista é Phileas Fogg, um homem tranquilo, metódico que vive a sua vida com base em regras próprias e que nunca se desvia delas, cada minuto do seu dia é controlado e, para ele, um atraso no cronograma diário é como morrer, só que pior. É sempre pontual e aparenta ser muito inteligente e assertivo em suas decisões. Logo de inicio, vemos que Fogg contrata um novo criado, o francês Jean Passepartout e antes de ir para o clube encontrar com alguns sócios para jogar uíste (whist), Fogg deixa instruções para o seu criado. E é num desses dias milimetricamente cronometrados que ele faz uma aposta com seus amigos do Clube da Reforma… ele provará que é possível dar a volta ao mundo em 80 dias (preste atenção no cronograma abaixo) e caso não consiga completar essa jornada, lhes pagará 20 mil libras (metade de sua fortuna) e se ganhar receberá deles igual valor. Lembrando que a aventura começa no mesmo dia em que a aposta foi feita.
De Londres – a Suez – navio e trem 7 dias
De Suez a Bombaim – navio 13 dias
De Bombaim a Calcutá – trem 3 dias
De Calcutá a Hong Kong – navio 13 dias
De Hong Kong a Yokohama – navio 6 dias
De Yokohama a São Francisco – navio 22 dias
De São Francisco a Nova Iorque – trem 7 dias
Nova Iorque – Londres: navio e trem 9 dias
Total de dias: 07+13+3+13+6+22+7+9= 80 dias

Passepartout, o empregado francês recém-contratado pelo senhor Fogg, esperava um serviço tranquilo e sem grandes surpresas, mas acaba sendo arrastado ao redor do globo pelo patrão e se vê no centro da grande aposta. Mas acontece que dias antes alguém roubou o Banco da Inglaterra e acreditam que Phileas Fogg (pelas características) é o ladrão e que a aposta é apenas um pretexto para fugir sem levantar suspeitas.

Sem saber de nada, Phileas permanece meticuloso e imperturbável do início ao fim desta viagem maluca e até nos momentos que está tudo despirocando, ele está fazendo o “egípcio”, nada abala o senhor Fogg. Ele mostra sinais de que possui alguma humanidade somente quando se desvia do itinerário para salvar uma senhora cuja vida corre perigo, sobre a sua personalidade não cabe falar mais que isso, apenas que sua generosidade lhe rendeu uma admiradora quase tão dedicada quanto o criado Passepartout (sinceramente? eu achei ele bem mão aberta).

“Decididamente Phileas Fogg só tinha coração para se comportar heroicamente, mas não apaixonadamente! Quanto as preocupações que as oportunidades dessa viagem poderiam provocar nele, não havia nem sinal. ”

Por debaixo do nariz de Fogg,  o inspetor e o empregado guerreiam a todo momento mostrando intensa paixão por seus ofícios. Enquanto um se dedica de corpo e alma a efetuar a prisão do “bandido”, encerrando assim a volta ao mundo o outro luta com igual fervor para garantir que seu patrão não é o ladrão e que siga adiante e vença a aposta e prove sua inocência, mas qual deles terá sucesso e em que ponto o mal-entendido será esclarecido é algo que só lendo para descobrir.
A leitura em si é rápida e gostosa. O escritor não enrola e é muito coerente. Ele focou apenas no essencial. Com personagens focados e bem construídos, o livro diverte do começo ao fim e o final é mais que surpreendente. Meu personagem favorito é o francês Passepartout (lembram do filme? É um pouco diferente, ok!? Não tem nada a ver) que é um fofo, um pouco atrapalhado, mas encantador e muito leal ao seu patrão. O livro nos mostra que é preciso viver com um pouco mais de intensidade, sem esquecer de aproveitar as coisas boas da vida. Lembrando que é narrado em terceira pessoa e quase de forma onisciente, Júlio Verne nos propicia uma narrativa leve e profundamente envolvente, a trama conta com um pouco de mistério e o autor descreve muito bem os cenários, lugares apresentados no livro, nos levando a conhecer diversos cenários e situações distintas, o que nos faz trabalhar com a nossa imaginação. Outro aspecto super positivo da trama são as reviravoltas, isso é algo constante e faz com que o enredo seja dinâmico e prenda a nossa atenção, não se tornando chato ou parado. Ajuda muito se você for um “expert” em geografia:P
 A volta ao mundo em oitenta dias é um livro para viajar sem sair do lugar.

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