Resenha: As Tumbas de Atuan- Ursula K. Le Guin

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Segundo volume do Ciclo Terramar, iniciado na ótima fantasia O Feiticeiro de Terramar, As Tumbas de Atuan chega mudando o foco para uma personagem feminina.

Agora a protagonista é Tenar, que com apenas 6 anos passa a se chamar Arsha e se torna suma sacerdotisa e guardiã das tenebrosas Tumbas de Atuan, lugar sagrado da obscura seita dos Inominados. Sua existência gira em torno dos rituais e a proteção da tumba, vivendo por quase uma década nessa vida controlada. A narrativa acompanha a infância e todo o trajeto da personagem, até chegar nas mudanças em seu comportamento e um interessante reencontro.

Assim como o livro antecessor abre portas com seu protagonista, esse abre portas para uma mulher em uma época em que as personagens femininas não lideram as obras, muito menos as poderosas como Tenar. A garota, além de cuidar do templo e ter seus dons, manda em todos e supera qualquer homem (os poucos que são aceitos no templo, para não macular o local). A autora consegue entregar novamente uma trama inovadora, comandada quase exclusivamente por mulheres e provando que mesmo em 1970 havia espaço para o poder feminino.

Esse livro é bem mais calmo, por ser focado em forças das trevas e um templo a ser mantido, não há quase ação. Isso não é um ponto negativo, visto que várias vezes o excesso de ação prejudica a história, deixando meio confusa ou cansativa. Nesse caso, se encaixa muito bem e deixa a leitura mais fluida para aqueles que na realidade não gostam muito desse monte de batalhas em livros.

As Tumbas de Atuan continua muito bem as aventuras de Terramar, entregando um desfecho promissor para a continuação desse ciclo. Com um teor reflexivo, por ser focado em uma praticante de artes das trevas, Guin entrega várias lições, reforçando sua capacidade de escrever livros impressionantes e marcantes com tão poucas páginas.

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